Vitamina D pode ajudar a diminuir progressão da esclerose múltipla

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Por Laiali Chaar

vitamina D

Foto de cultura de oligodendrócitos com perda de mielina (à esquerda), em que a maioria dos axônios (vermelho) recuperaram uma bainha de mielina (verde) oito dias depois da desmielinização. Ao bloquear o receptor de vitamina D, a mielina (verde) diminui, ou seja, a  regeneração é prejudica (à direita).

         Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Cambridge nesta segunda-feira mostrou que a vitamina D quando se liga a seu receptor aumenta a produção de oligodendrócitos, célula que produz a bainha de mielina, estimulando assim sua regeneração mais rápida. A Esclerose Múltipla é uma doença neurodegenerativa em que o Sistema Imunológico ataca e danifica a mielina. A bainha de mielina recobre os axônios possibilitando uma transmissão rápida dos impulsos elétricos responsáveis por transmitir as mensagens do corpo para o cérebro e do cérebro para o corpo e controlar todas as nossos comportamentos e funções. Por isso, pacientes com esclerose tem como principais sintomas perda de movimento, equilíbrio e fadiga muscular. Os cientistas há muitos anos procuram uma maneira de reparar este dano à mielina. Até agora, a maioria das pesquisas sobre vitamina D estudava seu papel na causa da doença. Este trabalho inova sugerindo o papel da vitamina D no tratamento para a progressão da Esclerose Múltipla.

            Esse estudo foi feito em culturas de células neurais. E muitas vezes a resposta em um organismo interno ou em humanos é diferente do que vemos em culturas de células. Isso acontece devido a outros fatores sistêmicos e hormonais que interferem nas respostas e funções de qualquer células. Portanto, mais estudos são necessários para entender melhor o papel da vitamina D na esclerose múltipla em animais e humanos. A vitamina D pode ser obtida através de exposição solar ou suplementação. Mas um exame de sangue prévio é necessário para se certificar dos níveis da vitamina e prevenir uma intoxicação por vitamina D. A ideia agora dos pesquisadores é desenvolver uma droga que se ligue ao receptor de vitamina D e que tenha os mesmos efeitos que a vitamina. E esse pode ser quem sabe daqui alguns anos um tratamento seguro para a Esclerose Múltipla melhorando seus sintomas e as dificuldades de seus portadores.

📷 Crédito da imagem: De la Fuente et al., 2015.

Para Saber Mais:

Alerie Guzman de la Fuente, Oihana Errea, Peter van Wijngaarden, Ginez A. Gonzalez, Christophe Kerninon, Andrew A. Jarjour, Hilary J. Lewis, Clare A. Jones, Brahim Nait-Oumesmar, Chao Zhao, Jeffrey K. Huang, Charles ffrench-Constant, and Robin J.M. Franklin. Vitamin D receptor–retinoid X receptor heterodimer signaling regulates oligodendrocyte progenitor cell differentiation. Journal of Cell Biology, 7 Dezembro2015.

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#meuamigosecreto não sabe, mas é psicopata

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Por Laiali Chaar 

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#meuamigosecreto não tem nenhuma relação comigo. Ele me stalkeia, me monitora através das redes sociais, me assedia, invade meu mundo, me manda mensagens, me persegue, solicita informações sexuais, vasculha minha vida e se faz de vítima quando eu não respondo. Meu amigo secreto invadiu meu email e meu computador e roubou informações e fotos minhas para me difamar e me manipular. Mas, o que meu amigo secreto não sabe é que esse comportamento é uma psicopatia e gera medo e em alguns casos até suicídio de sua vítima. Quer saber como a Neurociência explica a perseguição virtual, o “stalking”? Leia abaixo.

        “Stalkear” é o verbo usado para o assédio obsessivo de uma pessoa sobre outra, a observando e seguindo, com comunicação indesejada e persistente utilizando mais de um tipo de comportamento de perseguição utilizando redes sociais. A Neurociência mostrou que pessoas que agem assim tem personalidade psicopata. Psicopatas não sentem empatia, ou seja, afeto por outra pessoa, são sádicos, narcisistas, impulsivos, não tem noção do que é moralmente aceito e tem grande habilidade de exercer poder e manipular. A internet facilita a expressão da psicopatia por ser anônima, manter distância física e esconder sinais de comunicação não-verbais para que os infratores sejam descobertos. Uma pesquisa feita com 68615 homens e mulheres entre 16 e 59 anos mostrou que 70% das vítimas são mulheres. 90% dos perseguidores são homens jovens que são parceiros atuais ou ex-parceiros da vítima seguidos por conhecidos e desconhecidos. A maior taxa de homens entre os perseguidores pode refletir uma interpretação equivocada do que é masculinidade, de que tudo vale para seduzir alguém, exercendo comportamentos psicopatas como relação de poder, opressão, agressividade e violência. A Neurociência ainda tem feito poucas pesquisas sobre os mecanismos que causam o comportamento de “stalkear” em redes sociais. Não é possível controlar o comportamento de um psicopata, mas é possível não se acostumar com isso e perceber que se trata de um crime contra a liberdade individual.

📷 Crédito da imagem

Para saber mais:

Nevin A D, Paré P P, Quan-Haase A. Cyber-Psychopathy: Examining the Relationship between Dark E-Personality and Online Misconduct. Tese. Universidade de Western Ontario. Julho 2015

SPITZBERG B, H. The Tactical Topography of Stalking Victimization and
Management. Trauma Violence Abuse October  vol. 3 no. 4 261-288 2002

J.A. Reavis. Encyclopedia of Forensic and Legal Medicine. FORENSIC
PSYCHIATRY AND FORENSIC PSYCHOLOGY | Stalking. 2015, Pages 437–443

Exposição ao formaldeído aumenta a chance de esclerose lateral amiotrófica

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Por Laiali Chaar 

 

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      Esse post é pra você que adora uma escova progressiva ou uma aula de Anatomia ou não sai do laboratório de Histologia… Cuidado com o formol, ele pode matar seus neurônios…

      Em 2009, epidemiologistas da Harvard começaram a montar um quebra-cabeça procurando relações entre esclerose lateral amiotrófica e a exposição à diversas substâncias como pesticidas e herbicidas em 1 milhão e meio de pessoas. Apenas uma substância acendeu a luz vermelha: o formaldeído, também conhecido como formol, substância comumente utilizada para embalsamar cadáveres, em funerais, laboratórios de aula de Anatomia e na famosa escova progressiva feita em salões de beleza brasileiros para hidratar o cabelo. Pessoas que trabalham expostas regularmente ao formol tem três vezes mais chance de morrer por esclerose lateral amiotrófica comparadas a pessoas que não foram expostas ou pouco expostas. A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que provoca perda progressiva da força muscular e da coordenação motora e sua causa ainda é um mistério. Por enquanto, o que podemos afirmar é que trabalhadores muito expostos ao formal devem ter cautela e trabalhar em um ambiente com uma ventilação adequada para minimizar a exposição ao formaldeído.

📷 Crédito da imagem: Eric Huang, Universidade da California, São Francisco. À esquerda motoneurônios na medula espinhal de camundongos saudáveis e à direita diminuição do número de motoneurônios na medula espinhal

Para saber mais:

Roberts AL; Johnson NJ; Cudkowicz ME; Eum KD MG; Weisskopf. MG.  Job-related  formaldehyde exposure and ALS mortality in the USA. J Neurol Neurosurgery Psychiatry. 2015

A mulher que pode farejar a doença de Parkinson

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Por Laiali Chaar 

parkinson

   O Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva marcada por tremor e dificuldades de movimentos. Seis anos antes do marido de Joy Milne ser diagnosticado com Parkinson ela percebeu que ele passou a ter um cheiro diferente e almiscarado. Ela só relacionou esse odor ao Parkinson após visitar uma instituição onde conheceu mais pessoas com a doença que tinham o mesmo odor que seu marido. Em testes feitos por pesquisadores com camisetas de pessoas com ou sem a doença ela acertou 11 entre 12. Uma possível explicação é que o sebo, um óleo que lubrifica e impermeabiliza a pele, é quimicamente alterado em pessoas com Parkinson produzindo um odor único que pode ser percebido por algumas pessoas que tem um #olfato poderoso, como ela. Graças a Milne, pesquisadores do Instituto de Biotecnologia de Manchester e da Fundação Parkinson UK estão investigando se algum teste de odor da pele poderia detectar o #Parkinson precocemente o que seria uma esperança para milhares de pessoas.

📷 Rakshi et al,. Brain, 1999

Para saber mais:

Rakshi JS, Uema T, Ito K, Bailey DL, Morrish PK, Ashburner J, Dagher A, Jenkins IH, Friston KJ, Brooks DJ. Frontal, midbrain and striatal dopaminergic function in early and advanced Parkinson’s disease A 3D [(18)F]dopa-PET study. Brain. v.122, p. 1637-50, 1999,

Seu cérebro é sua impressão digital

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Por Laiali Chaar 

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      Resultados publicados semana passada na revista Nature Neuroscience de pesquisadores da Universidade de Yale, EUA mostraram que cada pessoa tem uma ativação do córtex frontoparietal e frontal medial única como as impressões digitais e podem identificar com precisão indivíduos em um grupo maior. Estas áreas cerebrais estão envolvidas em funções como atenção, memória e linguagem. Os pesquisadores utilizam uma técnica de ressonância magnética funcional (fMRI) em diferentes tarefas e repouso para medir o fluxo sanguíneo no cérebro de 126 indivíduos. O fluxo sanguíneo está correlacionado com a ativação neuronal, pois um aumento na ativação neuronal necessita de um aumento no fornecimento de energia para a região. Assim, a fMRI é muito utilizada para estudar a atividade regiões do cérebro. É possível parear ressonâncias da mesma pessoa feitos em dias diferentes ou fazendo tarefas diferentes. Essa ativação neural única também pode prever como uma pessoa realizará um teste de inteligência ou o risco para o desenvolvimento de doenças como esquizofrenia, depressão ou Alzheimer.

📷 Emily Finn, Nature Neuroscience, 2015

Para saber mais:

Finn ES, Shen X, Scheinost D, Rosenberg MD, Huang J, Chun MM, Papademetris X, Constable RT. Functional connectome fingerprinting: identifying individuals using patterns of brain connectivity. Nature Neuroscience. 2015 Oct 12.

Pobreza na infância prejudica o desenvolvimento do cérebro

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Por Laiali Chaar

romanian children

      Hoje é comemorado o dia das crianças no Brasil, mas talvez o mundo não tem muito o que comemorar. Qual a diferença entre esses dois cérebros? Os dois são de crianças com a mesma idade. Mas por que o primeiro está muito mais vermelho e colorido? O vermelho significa massa cerebral e ativação neuronal. A diferença é que a criança da direita que tem um encéfalo menor e menos ativado vive na pobreza. Já é bem conhecido que a pobreza nos primeiros anos de vida está associada a baixo desempenho escolar, mas dois estudos publicados neste ano associaram a pobreza à diferenças no desenvolvimento da estrutura do cérebro. Crianças pobres tem um cérebro menor, que será menor para sempre, menos substância branca e cinzenta em áreas como o lobo temporal e lobo frontal, que são áreas do córtex cerebral, e o hipocampo. Estas áreas cerebrais, criticas para o raciocínio e necessárias para o sucesso acadêmico, são vulneráveis ao ambiente em que a criança se desenvolve. De acordo com a UNICEF, a pobreza cresce a cada ano no mundo e hoje uma a cada cinco crianças no mundo vive na pobreza. Uma intervenção política efetiva é urgente.

Crédito da foto: PhD Vincent Felitti

Para saber mais:

Noble KG, Houston SM, Brito NH, Bartsch H, Kan E, Kuperman JM, Akshoomoff N, Amaral DG, Bloss CS, Libiger O, Schork NJ, Murray SS,Casey BJ, Chang L, Ernst TM, Frazier JA, Gruen JR, Kennedy DN, Van Zijl P, Mostofsky S, Kaufmann WE, Kenet T, Dale AM, Jernigan TL, Sowell ER. Family income, parental education and brain structure in children and adolescents. Nat Neurosci. 2015.18(5):773-8. 2015 Mar 30.

Hair NL, Hanson JL, Wolfe BL, Pollak SD. Association of Child Poverty, Brain Development, and Academic Achievement. JAMA Pediatr. Sep 1;169(9):822-9. 2015.

Sheridan MA, Fox NA, Zeanah CH, McLaughlin KA, Nelson CA. Variation in neural development as a result of exposure to institutionalization early in childhood. Proc Natl Acad Sci U S A. Aug 7;109(32):12927-32. 2012.

Dube SR, Felitti VJ, Dong M, Giles WH, Anda RF. The impact of adverse childhood experiences on health problems: evidence from four birth cohorts dating back to 1900. Prev Med. 2003 Sep;37(3):268-77.

Astrócitos, as estrelas do nosso cérebro

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Por Laiali Chaar 

astrocytes

   Astrócitos tem esse nome, porque tem formato de estrelas. (ASTRO=estrela e CITOS=células). Eles são as células mais abundantes do encéfalo (65%) e estão intimamente associados com a sinapse que é a comunicação entre neurônios. Astrócitos regulam a transmissão de impulsos elétricos no cérebro. Por muito tempo pensou-se que eles só tinham papel estrutural no cérebro sustentando neurônios e vasos. Mas, nos últimos 20 anos, excitantes descobertas mostraram que os astrócitos são fundamentais na neurofisiologia. Sabemos agora que os astrócitos pode propagar ondas de cálcio e , semelhante a neurônios, podem liberar neurotransmissores. Há dados que sugerem comunicação entre astrócitos e neurônios por liberação de glutamato, um neurotransmissor excitatório. Em 2013, uma pesquisa publicada na revista Cell mostrou que o transplante de astrócitos humanos para camundongos melhora sua aprendizagem, memória e neuroplasticidade, sugerindo que a função dos astrócitos foi aumentada pela evolução. Estas novas descobertas tornaram os astrócitos alvos de pesquisa tão importantes quanto os neurônios.

Foto: Han et al., 2013. Cell Stem Cell

Para aprender mais:

Han X, Chen M, Wang F, Windrem M, Wang S, Shanz S, Xu Q, Oberheim NA, Bekar L, Betstadt S, Silva AJ, Takano T, Goldman SA, Nedergaard M. Forebrain engraftment by human glial progenitor cells enhances synaptic plasticity and learning in adult mice. Cell Stem Cell. Mar 7;12(3):342-53. 2013.

Fiacco TA, Agulhon C, McCarthy KD. Sorting out astrocyte physiology from pharmacology. Annu Rev Pharmacol Toxicol. 49:151-74. 2009

Gourine AV, Kasymov V, Marina N, Tang F, Figueiredo MF, Lane S, Teschemacher AG, Spyer KM, Deisseroth K, Kasparov SAstrocytes control breathing through pH-dependent release of ATP. Science. Jul 30;329(5991):571-5.2010.
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