Inspiração afeta memória e respostas ao medo

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Por Laiali Chaar

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Foto: neurônios do hipocampo, área responsável pela memória, fonte @societyforneuroscience

      Quem nunca ouviu falar em situações de medo: Respira fundo e vai! Pois é, sua avó tinha razão, um artigo publicado por neurocientistas americanos no Journal of Neuroscience comprovou que a inspiração, ou seja encher o pulmão de ar,  nos ajuda a agir em situações de medo e ajuda a memória. Mas isso só acontece que inspirarmos pelo nariz e não pela boca.

Quer entender melhor o que é o medo e por que ele provoca tantas reações no nosso corpo? Leia clicando aqui.

     Tudo começou quando esses neurocientistas perceberam por acaso em pacientes epiléticos, com eletrodos no cérebro uma semana antes de realizar uma neurocirurgia, que a atividade cerebral mudava nas áreas responsáveis pelo processamento do olfato, emoções e memória.

    Esse artigo mostrou pela primeira vez que a inspiração não capta apenas oxigênio. Ela também provoca atividade elétrica em neurônios de áreas ligadas ao comportamento como o córtex olfatório, a amígdala, área cerebral ligada às emoções em especial aquelas ligadas ao medo e o hipocampo, principal área responsável pela memória. Todas essas áreas fazem parte do sistema límbico que controla comportamentos emocionais e sexuais, aprendizagem, memória, motivação e respostas da mente ao ambiente.

     E isso pode ser treinado com meditação e yoga por exemplo. Mas isso é assunto para outro post. Então, se esquecer algo na prova ou se estiver com medo de alguma situação encha seu pulmão de ar e vai. E em situações estressantes respire fundo antes de responder qualquer coisa.

Para saber mais veja o vídeo do experimento e leia o artigo original:

Zelano C, Jiang H, Zhou G, Arora N, Schuele S, Rosenow J, Gottfried JA. Nasal Respiration Entrains Human Limbic Oscillations and Modulates Cognitive Function. J Neurosci., v. 7, 36(49), p.12448-12467, 2016.

 

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A Neurociência do Halloween

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Por Laiali Chaar

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      Um estudo publicado domingo por neurocientistas da Universidade de Michigan mostrou que um filme ou uma série de terror pode deixar algumas pessoas se sentindo assustadas e ansiosas até 13 anos depois causando problemas para comer, dormir, náuseas, aumento dos batimentos cardíacos e medo de morrer. Lembra do boneco Chucky?!! Aposto que lembra….

         Mas não são só filmes de terror que causam medo. Um revólver na cabeça, a sala cheia de pessoas esperando a apresentação do seu trabalho, a porta batendo por causa do vento, barulhos estranhos dentro de casa, pessoas desconhecidas nos seguindo, animais bravos, uma barata voadora, um palhaço, o seu celular caindo no chão são motivo. O cérebro é acionado automaticamente. E ninguém tem controle sobre isso. Quem nunca?!!

          O medo é uma reação involuntária causada por algum estímulo estressante. O cérebro libera neurotransmissores que disparam o coração, as mãos suam, a respiração acelera, os músculos se contraem e perdemos o sono. Tudo isso é conhecido como reação de luta ou fuga. Esses estímulos são enviados para o tálamo que não sabe se os sinais são perigosos ou não, mas, manda a informação para a amígdala cerebral. Ela recebe os impulsos neurais e age para proteger você, dizendo ao hipotálamo que inicie a reação de luta ou fuga. Tudo é enviado para o hipocampo, que armazena nossas memórias e cria perguntas como: “Eu já ouvi esse barulho antes? O que aconteceu depois? Existem outras coisas acontecendo que dão pistas se é um ladrão ou vento?”. Todos os dados são analisados para descobrirmos o que pode ser.

            Mas sentir medo é algo bom, porque está associado ao instinto de sobrevivência. Se não o sentíssemos, não sobreviveríamos por muito tempo porque atravessaríamos uma rodovia por exemplo. Sinta medo, mas não deixe que teu medo te paralise. Feliz Halloween, meus amores!

Para saber mais:

Francis T. McAndrew, Sara S. Koehnk. On the nature of creepiness. New Ideas in Psychology, v. 43, p. 10–15, 2016.

Jared Wadley. Universidade de Michigan. Long Term Fright Reaction Extends Beyond Scary Movies and TV Shows. 28 de outubro de 2016.

Cheetham M, Suter P, Jäncke L.The human likeness dimension of the “uncanny valley hypothesis”: behavioral and functional MRI findings. Front Hum Neurosci., v. 5, p. 126, 2011.

#meuamigosecreto não sabe, mas é psicopata

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Por Laiali Chaar 

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#meuamigosecreto não tem nenhuma relação comigo. Ele me stalkeia, me monitora através das redes sociais, me assedia, invade meu mundo, me manda mensagens, me persegue, solicita informações sexuais, vasculha minha vida e se faz de vítima quando eu não respondo. Meu amigo secreto invadiu meu email e meu computador e roubou informações e fotos minhas para me difamar e me manipular. Mas, o que meu amigo secreto não sabe é que esse comportamento é uma psicopatia e gera medo e em alguns casos até suicídio de sua vítima. Quer saber como a Neurociência explica a perseguição virtual, o “stalking”? Leia abaixo.

        “Stalkear” é o verbo usado para o assédio obsessivo de uma pessoa sobre outra, a observando e seguindo, com comunicação indesejada e persistente utilizando mais de um tipo de comportamento de perseguição utilizando redes sociais. A Neurociência mostrou que pessoas que agem assim tem personalidade psicopata. Psicopatas não sentem empatia, ou seja, afeto por outra pessoa, são sádicos, narcisistas, impulsivos, não tem noção do que é moralmente aceito e tem grande habilidade de exercer poder e manipular. A internet facilita a expressão da psicopatia por ser anônima, manter distância física e esconder sinais de comunicação não-verbais para que os infratores sejam descobertos. Uma pesquisa feita com 68615 homens e mulheres entre 16 e 59 anos mostrou que 70% das vítimas são mulheres. 90% dos perseguidores são homens jovens que são parceiros atuais ou ex-parceiros da vítima seguidos por conhecidos e desconhecidos. A maior taxa de homens entre os perseguidores pode refletir uma interpretação equivocada do que é masculinidade, de que tudo vale para seduzir alguém, exercendo comportamentos psicopatas como relação de poder, opressão, agressividade e violência. A Neurociência ainda tem feito poucas pesquisas sobre os mecanismos que causam o comportamento de “stalkear” em redes sociais. Não é possível controlar o comportamento de um psicopata, mas é possível não se acostumar com isso e perceber que se trata de um crime contra a liberdade individual.

📷 Crédito da imagem

Para saber mais:

Nevin A D, Paré P P, Quan-Haase A. Cyber-Psychopathy: Examining the Relationship between Dark E-Personality and Online Misconduct. Tese. Universidade de Western Ontario. Julho 2015

SPITZBERG B, H. The Tactical Topography of Stalking Victimization and
Management. Trauma Violence Abuse October  vol. 3 no. 4 261-288 2002

J.A. Reavis. Encyclopedia of Forensic and Legal Medicine. FORENSIC
PSYCHIATRY AND FORENSIC PSYCHOLOGY | Stalking. 2015, Pages 437–443