A música melhora o rendimento de atletas

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

 

Por Laiali Chaar

        fotos.jpeg

Fonte de imagem: Robin Wilkins, 2014

        Ouvir música pode melhorar o rendimento de um atleta? Obrigada pela sugestão Professor Rodrigo Marques e à querida turma de neurolovers do 8º e 9º noturno da Fisioterapia de Osasco (muitas saudades de dar aulas pra vocês e nos vemos no estágio)!

       Nas próximas Olimpíadas repare nos atletas tirando os fones de ouvido antes de entrar em campo, no ringue ou na pista. São muitos e isso não é coincidência…

        A música tem o poder de nos acalmar ou agitar dependendo do estilo. Para saber quais são as músicas que podem acalmar sua ansiedade clique aqui. Grande parte dos estudos de Neurociência mostraram que ouvir música, especialmente se for a preferida do atleta, antes de uma prova melhora o seu rendimento. Atletas que ouvem música pop durante os treinos e aquecimento têm melhor rendimento físico porque a música aumenta a força muscular em 30%, frequência cardíaca e tempo de corrida comparados com os que treinam no silêncio.

       Isso acontece porque a música melhora o raciocínio, a autoestima, a confiança, o humor, desvia a atenção do cansaço, fadiga muscular e cardiorrespiratória, libera morfina e dopamina que diminuem as dores e diminui a ansiedade.  Além disso, o ritmo de algumas músicas coincide com os movimentos repetitivos dos gestos esportivos de curta distância e ajuda a manter a coordenação motora. A coordenação motora mais refinada muitas vezes é a fração de segundo que faz a diferença entre uma medalha de ouro ou nada.

      A música também gera emoções que ajudam na técnica de prática mental. Nela os atletas imaginam-se, antes da competição, vencendo e fazendo movimentos corretos para melhorar a confiança o que melhora o rendimento.

     Você também pode ouvir suas músicas preferidas enquanto treina para ter mais resultados e motivação.

     Quase todos os estudos mostram que qualquer música é capaz de influenciar o rendimento de forma positiva, mas as músicas alegres com ritmo maior que 120 batidas por minuto têm melhores resultados.

       Alguns treinadores usam a música como motivação, proibindo os esportistas de ouvir canções durante os treinos até que eles alcancem determinados patamares de rendimento.

          Existe um caso de uso de música que ficou bem famoso: Haile Gebrselassie, atleta da Etiópia que até hoje é considerado um dos melhores corredores de longa distância da história, sincronizou suas passadas com o ritmo da música The Scatman quando quebrou o recorde mundial dos 5 mil metros em 1995 com quase 11 segundos de vantagem sobre a marca anterior.

       É importante que seja uma trilha sonora personalizada de acordo com os gostos musicais do atleta. As músicas preferidas do Phelps são Eminem, No Beef do Steve Aoki e Afrojack e o remix do Skrillex para “Promises” do Nero.

        Já o homem mais rápido do mundo, Usain Bolt, prefere músicas mais calmas dos seus conterrâneos jamaicanos, Bob Marley (“Who The Cap Fit” e “Three Little Birds”) e Junior Reid “(“One Blood”). Mas, seu treinador o proibe de escutar músicas antes de correr com medo dele perder a concentração (esse aí faltou nas aulas de Neuro rsrs). A ginasta Simone Billes é adolescente e mais moderninha ouve Ariana Grande, Selena Gomez, Justin Bieber, Zayn e Alessia Cara.

Para saber mais:

Alucinações musicais. Oliver Sacks, Companhia das Letras. 2007

Hallett R, Lamont A. Evaluation of a motivational pre-exercise music intervention. J Health Psychol, 2016.

Hallett R, Lamont A. How do gym members engage with music during exercise? Qualitative Research in Sport, Exercise and Health, v. 7(3), p. 411–427, 2015.

Encontro da Sociedade de percepção de música e cognição, 2015 

Wilkins RW1, Hodges DA2, Laurienti PJ3, Steen M3, Burdette JH3. Network science and the effects of music preference on functional brain connectivity: from Beethoven to Eminem. Sci Rep., v. 28;4, p. 6130, 2014.

Laukka P, Quick L. Emotional and motivational uses of music in sports and exercise: A questionnaire study among athletes. Psychology of Music, v. 41(2), p. 198–215, 2013.

Fritz TH, Halfpaap J, Grahl S, Kirkland A, Villringer A. Musical feedback during exercise machine workout enhances mood. Front Psychol., v.10; p. 4:921,  2013.

Karageorghis CI, Priest DL. Music in the exercise domain: a review and synthesis (Part I). Int Rev Sport Exerc Psychol., v. 5(1), p. 44-66, 2012.

Karageorghis CI, Priest DL. Music in the exercise domain: a review and synthesis (Part II). Int Rev Sport Exerc Psychol., v.5(1), p.67-84, 2012.

Salimpoor VN, Benovoy M, Larcher K, Dagher A, Zatorre RJ. Anatomically distinct dopamine release during anticipation and experience of peak emotion to music. Nat Neurosci., v. 14(2), p. 257-62, 2011.

Costas Karageorghis, David-Lee Priest. Music in Sport and Exercise : An Update on Research and Application. The Sport Journal, 2008

Cepeda MS, Carr DB, Lau J, Alvarez H. Music for pain relief. Cochrane Database Syst Rev., v. 19; n.(2), 2006.

Yamamoto T, Ohkuwa T, Itoh H, Kitoh M, Terasawa J, Tsuda T, Kitagawa S, Sato Y. Effects of pre-exercise listening to slow and fast rhythm music on supramaximal cycle performance and selected metabolic variables. Arch Physiol Biochem., v. 111(3), p. 211-4, 2003.

Anúncios

A Neurociência das provas

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

 

Por Laiali Chaar

Geissler et al 2013.jpgFonte da Imagem: Geissler et al., 2013, neurônio do hipocampo, principal área do cérebro responsável pela memória.

         O post de hoje é em homenagem aos meus alunos que irão prestar ENADE amanhã. Desejo toda a sorte do mundo para vocês 🍀🍀💚! Vocês são muito especiais para mim!Você tem uma hora sobrando antes da prova do ENADE… O que você faz? Revisa para decorar algo ou tira um cochilo?

       Um estudo apresentado na terça feira no Congresso Mundial de Neurociência em San Diego sugere que tirar um cochilo de uma hora antes da prova é tão eficaz quanto uma revisão. Isso acontece porque o cochilo reativa a memória daquilo que você já estudou. Só tome cuidado para não perder a hora 😊. Um estudo feito na Universidade de Los Angeles com 500 pessoas mostrou que decorar na última hora não é bom porque te deixa estressado.

     Ouvir uma música que você goste 15 minutos antes da prova também melhora seu raciocínio. Isso é conhecido como o “efeito Mozart” ou “efeito Blur” 🎻

      Outra neurodica é caminhar. Uma pesquisa feita na Universidade de Illinois mostrou que caminhar 20 minutos antes da prova aumenta a nota. Isso acontece porque a caminhada aumenta a circulação e a chega de nutrientes nos neurônios nas mesmas áreas do raciocínio lógico.

         Tire um cochilo de uma hora, ouça Mozart e depois caminhe 20 minutos. E o que mais? Não existem receitas do que fazer no dia anterior da prova que servem para todos. Somos muito diferentes, mas algumas dicas são comprovadas pela Neurociência:

– Faça uma boa refeição hoje para se sentir mais feliz. Lasanha, macarronada, rodízio e outros carboidratos são boa opção para hoje, mas não para amanhã porque são pesados e causam sono;

– Fique com seus familiares, amigos e pessoas agradáveis, isso vai te deixar mais feliz e confiante;

– Evite álcool e não tome remédios para dormir. Eles diminuem a concentração e alteram o sono. Você dorme, mas não descansa;

– Dormir bem é fundamental para guardar as memórias. Então, durma em um ambiente silencioso, escuro sem TV ou celular brilhando e pelo tempo suficiente para descansar;

– Pense hoje o que irá fazer se não souber uma questão? Pular? Refletir sobre isso te ajuda a não ser surpreendido e diminui a ansiedade;

– Não tome café, guaraná ou energéticos. Eles te deixarão ansioso e menos concentrado. Se sentir sono amanhã tome banho ou faça uma caminhada; – Antes da prova, mesmo sem fome por causa do nervosismo, coma algo. Nutrientes são importantes para o raciocínio;

– Antes da prova coma alimentos leves com pouca gordura e ricos em proteínas como: ovos, nozes, iogurte, etc;

= Controle as emoções. A ansiedade diminui a memória, concentração e a capacidade de interpretação. Confie no seu taco, pense que se a prova está difícil, está difícil para todos e que irá fazer seu melhor;

– Responda primeiro as questões fáceis;

– Beba bastante água antes e durante a prova. A desidratação afeta a concentração;

– Vocês são guerreiros, passaram por tanta coisa, histórias lindas de vida, venceram tudo e chegaram até aqui. Lembrem hoje de todas as dificuldades que enfrentaram com coragem. Tenho certeza que amanhã no ENADE isso só irá se confirmar mais uma vez. Boa prova! Amo vocês!

Para saber mais:

Geissler M, Gottschling C, Aguado A, Rauch U, Wetzel CH, Hatt H, Faissner A. Primary hippocampal neurons, which lack four crucial extracellular matrix molecules, display abnormalities of synaptic structure and function and severe deficits in perineuronal net formation. J Neurosci, 1;33(18):7742-55, 2013.

Hennies N, Lambon Ralph MA, Kempkes M, Cousins JN, Lewis PA. Sleep Spindle Density Predicts the Effect of Prior Knowledge on Memory Consolidation. J Neurosci., 30;36(13):3799-810, 2016

Hillman CH, Pontifex MB, Raine LB, Castelli DM, Hall EE, Kramer AF.The effect of acute treadmill walking on cognitive control and academic achievement in preadolescent children. Neuroscience, 31;159(3):1044-54, 2009.

Leonid Perlovsky. Cognitive Function of Music and Meaning-Making. Journal of Biomusical Engineering. 2016

A Neurociência do Halloween

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

Por Laiali Chaar

996

            Curta o TUDO SOBRE CONTROLE no facebook, siga no instagram e no twitter

      Um estudo publicado domingo por neurocientistas da Universidade de Michigan mostrou que um filme ou uma série de terror pode deixar algumas pessoas se sentindo assustadas e ansiosas até 13 anos depois causando problemas para comer, dormir, náuseas, aumento dos batimentos cardíacos e medo de morrer. Lembra do boneco Chucky?!! Aposto que lembra….

         Mas não são só filmes de terror que causam medo. Um revólver na cabeça, a sala cheia de pessoas esperando a apresentação do seu trabalho, a porta batendo por causa do vento, barulhos estranhos dentro de casa, pessoas desconhecidas nos seguindo, animais bravos, uma barata voadora, um palhaço, o seu celular caindo no chão são motivo. O cérebro é acionado automaticamente. E ninguém tem controle sobre isso. Quem nunca?!!

          O medo é uma reação involuntária causada por algum estímulo estressante. O cérebro libera neurotransmissores que disparam o coração, as mãos suam, a respiração acelera, os músculos se contraem e perdemos o sono. Tudo isso é conhecido como reação de luta ou fuga. Esses estímulos são enviados para o tálamo que não sabe se os sinais são perigosos ou não, mas, manda a informação para a amígdala cerebral. Ela recebe os impulsos neurais e age para proteger você, dizendo ao hipotálamo que inicie a reação de luta ou fuga. Tudo é enviado para o hipocampo, que armazena nossas memórias e cria perguntas como: “Eu já ouvi esse barulho antes? O que aconteceu depois? Existem outras coisas acontecendo que dão pistas se é um ladrão ou vento?”. Todos os dados são analisados para descobrirmos o que pode ser.

            Mas sentir medo é algo bom, porque está associado ao instinto de sobrevivência. Se não o sentíssemos, não sobreviveríamos por muito tempo porque atravessaríamos uma rodovia por exemplo. Sinta medo, mas não deixe que teu medo te paralise. Feliz Halloween, meus amores!

Para saber mais:

Francis T. McAndrew, Sara S. Koehnk. On the nature of creepiness. New Ideas in Psychology, v. 43, p. 10–15, 2016.

Jared Wadley. Universidade de Michigan. Long Term Fright Reaction Extends Beyond Scary Movies and TV Shows. 28 de outubro de 2016.

Cheetham M, Suter P, Jäncke L.The human likeness dimension of the “uncanny valley hypothesis”: behavioral and functional MRI findings. Front Hum Neurosci., v. 5, p. 126, 2011.

Estresse altera a microbiota – Stress alters microbiota

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

 

Por Laiali Chaar

microbiota

     De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, o estresse altera a microbiota (ou flora) intestinal e pode causar ansiedade e depressão em camundongos. Isso porque esta alteração na microbiota intestinal ativa a liberação de neurotransmissores no hipotálamo, que em excesso, levam à ansiedade e depressão. Uma dieta com excesso de gordura também pode alterar a microbiota da mesma maneira.

Bem-vindos ao Tudo Sobre Controle Neural!

Será que estamos levando a vida de um modo equilibrado? Quer dizer, respeitando os limites do nosso corpo?

O que acontece quando não tomamos a quantidade de água necessária durante o dia? E quando não praticamos atividade física? Ou quando não dormimos? E quando ficamos em jejum?

Se a gente sabe que o excesso de gordura e sal fazem mal então por que comemos tanto? E por que chocolate é tão gostoso? E quem nunca comeu além do que precisava por estar ansioso? Ou ficou sem dormir por estar preocupado?

Por que sentimos sede? Por que sentimos dor? O que acontece no nosso organismo quando estamos apaixonados? E por que esquecemos mais quando estamos estressados?

Você sabia que é nosso cérebro que controla o equilíbrio de tudo isso? Vamos falar sobre isso?

Hoje, é o lançamento desta página aqui no facebook: TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL. Para discutir essas e outras questões sobre Neurociência. Espero vocês por aqui!