Tomar café pode retardar os sintomas do Alzheimer

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: Cristais de cafeína no microscópio Annie Cavanagh e David McCarthy. Prêmio Welcome Images 2012.

Atendendo a pedidos dos cafélovers ☕️🙋🏻>>> O que o café faz no nosso cérebro? 🙇🏻‍♀️🙇🏻 Se você bebeu umas cinco xícaras de café hoje antes do meio-dia só para ficar acordado, talvez queira ler isso.

O café é uma das bebidas mais consumidas do mundo.
Nossas células produzem uma molécula chamada adenosina. Esta molécula é uma das culpadas por sentirmos cansaço. Quando você toma café a cafeína chega ao seu cérebro. E a estrutura da cafeína é muito parecida com a da adenosina. Então a cafeína ocupa o lugar dos receptores da adenosina. Resultado a cafeína bloqueia a adenosina. E você fica acordadão. O problema é que o corpo em resposta produz mais receptores de adenosina.

Por isso, quanto mais café você toma, mais café você precisa para sentir o efeito. Esse processo pode causar dependência e sintomas de abstinência: fadiga, irritabilidade e dores de cabeça se você tentar reduzir o consumo.Café pode então ser viciante. E é por isso que os monges do Tibet não tomam café.

Um estudo português, descobriu que o consumo de café pode retardar os sintomas do Alzheimer. Outras pesquisas já provaram que beber café também diminui os riscos de doenças como depressão em mulheres diabetes tipo 2, Parkinson e melhora a memória de adultos.

Adultos entre 18 e 21 anos tem mais benefícios tomando uma xícara às 9h30 da manhã e os mais velhos às 14h.

O corpo humano produz um hormônio chamado cortisol, que promove a sensação de estar acordado. O cortisol é liberado de acordo com o horário do dia e atinge seu nível máximo quando acordamos. Então, tomar café logo após acordar é um desperdício de cafeína. O ideal é esperar algum tempo. Se você se levanta às 8h, tome café a partir das 9h30. No período da tarde, o ideal é tomar uma xícara entre 13h30 e 17h, quando o cortisol diminui.

Um estudo da Science mostrou que abelhas 🐝🐝também amam café porque a cafeína lembra o aroma de algumas flores 🌺 . E a cafeína também pode melhorar a memória delas. Então, se você não tiver nenhuma contraindicação e já que não somos monges, vamos beber café ☕️.

Para saber mais:

Maia L, de Mendonça A. Does caffeine intake protect from Alzheimer’s disease? Eur J Neurol. v. 9(4), p. 377-82, 2002

Huxley R, Lee CM, Barzi F, Timmermeister L, Czernichow S, Perkovic V, Grobbee DE, Batty D, Woodward M. Coffee, decaffeinated coffee, and tea consumption in relation to incident type 2 diabetes mellitus: a systematic review with meta-analysis.  Arch Intern Med. v. 14;169(22):2053-63, 2009.

Ross GW, Abbott RD, Petrovitch H, Morens DM, Grandinetti A, Tung KH, Tanner CM, Masaki KH, Blanchette PL, Curb JD, Popper JS, White LR.Association of coffee and caffeine intake with the risk of Parkinson disease.  JAMA. v. 24-31; p. 283(20):2674-9, 2000.

Lucas M, Mirzaei F, Pan A, Okereke OI, Willett WC, O’Reilly ÉJ, Koenen K, Ascherio A. Coffee, caffeine, and risk of depression among women.Arch Intern Med. v. 26, p.171(17):1571-8, 2011.

Wright GA, Baker DD, Palmer MJ, Stabler D, Mustard JA, Power EF, Borland AM, Stevenson PC. Caffeine in floral nectar enhances a pollinator’s memory of reward. Science. v. 8;339(6124), p. 1202-4, 2013.

Manual de Disordens Mentais (DSM-5). Associação Americana de Psiquiatria, 2013.

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A Neurociência das provas

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Por Laiali Chaar

Geissler et al 2013.jpgFonte da Imagem: Geissler et al., 2013, neurônio do hipocampo, principal área do cérebro responsável pela memória.

         O post de hoje é em homenagem aos meus alunos que irão prestar ENADE amanhã. Desejo toda a sorte do mundo para vocês 🍀🍀💚! Vocês são muito especiais para mim!Você tem uma hora sobrando antes da prova do ENADE… O que você faz? Revisa para decorar algo ou tira um cochilo?

       Um estudo apresentado na terça feira no Congresso Mundial de Neurociência em San Diego sugere que tirar um cochilo de uma hora antes da prova é tão eficaz quanto uma revisão. Isso acontece porque o cochilo reativa a memória daquilo que você já estudou. Só tome cuidado para não perder a hora 😊. Um estudo feito na Universidade de Los Angeles com 500 pessoas mostrou que decorar na última hora não é bom porque te deixa estressado.

     Ouvir uma música que você goste 15 minutos antes da prova também melhora seu raciocínio. Isso é conhecido como o “efeito Mozart” ou “efeito Blur” 🎻

      Outra neurodica é caminhar. Uma pesquisa feita na Universidade de Illinois mostrou que caminhar 20 minutos antes da prova aumenta a nota. Isso acontece porque a caminhada aumenta a circulação e a chega de nutrientes nos neurônios nas mesmas áreas do raciocínio lógico.

         Tire um cochilo de uma hora, ouça Mozart e depois caminhe 20 minutos. E o que mais? Não existem receitas do que fazer no dia anterior da prova que servem para todos. Somos muito diferentes, mas algumas dicas são comprovadas pela Neurociência:

– Faça uma boa refeição hoje para se sentir mais feliz. Lasanha, macarronada, rodízio e outros carboidratos são boa opção para hoje, mas não para amanhã porque são pesados e causam sono;

– Fique com seus familiares, amigos e pessoas agradáveis, isso vai te deixar mais feliz e confiante;

– Evite álcool e não tome remédios para dormir. Eles diminuem a concentração e alteram o sono. Você dorme, mas não descansa;

– Dormir bem é fundamental para guardar as memórias. Então, durma em um ambiente silencioso, escuro sem TV ou celular brilhando e pelo tempo suficiente para descansar;

– Pense hoje o que irá fazer se não souber uma questão? Pular? Refletir sobre isso te ajuda a não ser surpreendido e diminui a ansiedade;

– Não tome café, guaraná ou energéticos. Eles te deixarão ansioso e menos concentrado. Se sentir sono amanhã tome banho ou faça uma caminhada; – Antes da prova, mesmo sem fome por causa do nervosismo, coma algo. Nutrientes são importantes para o raciocínio;

– Antes da prova coma alimentos leves com pouca gordura e ricos em proteínas como: ovos, nozes, iogurte, etc;

= Controle as emoções. A ansiedade diminui a memória, concentração e a capacidade de interpretação. Confie no seu taco, pense que se a prova está difícil, está difícil para todos e que irá fazer seu melhor;

– Responda primeiro as questões fáceis;

– Beba bastante água antes e durante a prova. A desidratação afeta a concentração;

– Vocês são guerreiros, passaram por tanta coisa, histórias lindas de vida, venceram tudo e chegaram até aqui. Lembrem hoje de todas as dificuldades que enfrentaram com coragem. Tenho certeza que amanhã no ENADE isso só irá se confirmar mais uma vez. Boa prova! Amo vocês!

Para saber mais:

Geissler M, Gottschling C, Aguado A, Rauch U, Wetzel CH, Hatt H, Faissner A. Primary hippocampal neurons, which lack four crucial extracellular matrix molecules, display abnormalities of synaptic structure and function and severe deficits in perineuronal net formation. J Neurosci, 1;33(18):7742-55, 2013.

Hennies N, Lambon Ralph MA, Kempkes M, Cousins JN, Lewis PA. Sleep Spindle Density Predicts the Effect of Prior Knowledge on Memory Consolidation. J Neurosci., 30;36(13):3799-810, 2016

Hillman CH, Pontifex MB, Raine LB, Castelli DM, Hall EE, Kramer AF.The effect of acute treadmill walking on cognitive control and academic achievement in preadolescent children. Neuroscience, 31;159(3):1044-54, 2009.

Leonid Perlovsky. Cognitive Function of Music and Meaning-Making. Journal of Biomusical Engineering. 2016

A Neurociência do horário de verão

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Por Laiali Chaar

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Imagem: Agência Fapesp / Instituto Brainn. Ressonância magnética funcional mostrando a ativação de neurônios de uma pessoa durante o sono nas áreas vermelhas e azuis.

       O corpo humano leva pelo menos 14 dias para se acostumar ao horário de verão segundo um estudo brasileiro

      Com a mudança no horário somos obrigados a acordar uma hora mais cedo e isso modifica o funcionamento do organismo. O sol em horários noturnos faz o cérebro produzir menos melatonina, o hormônio que regula o nosso sono. A diminuição de melatonina faz a pessoa ficar mais cansada, irritada, mal-humorada e com mais sono. Quem nunca?

         A diminuição do tempo de sono aumenta a produção de cortisol, hormônio do estresse estimulado pelo hipotálamo no cérebro. O cortisol nos deixa mais cansados, irritados, retem liquido e diminui nossa imunidade aumentando a chance de ficarmos doentes :O.

         Aos poucos o corpo começa a “se acostumar” com a nova rotina. Então, ai vão algumas dicas para ajudar nisso e diminuir os sintomas: acordar 15 minutos mais cedo em cada dia, dormir alguns minutos mais cedo na primeira semana de horário de verão, dormir no mesmo horário e em um ambiente escuro e silencioso, evitar o uso de televisão, celular, consumo de cafeína, alimentos pesados e exercícios antes de dormir. Boa sorte meus amores e força nessa primeira semana de horário de verão!

Para saber mais:

Guilherme Silva Umemura. Análise da ritmicidade circadiana nas transições do horário de verão. Tese, Universidade de São Paulo, 2015.

Yoo, S-S., Gujar, N., Hu, P., Jolesz, F.A., & Walker, M.P. (2007). The human emotional brain without sleep – a prefrontal amygdala disconnect. Current Biology, 17, 877-878.

Retrospectiva 2015: 10 coisas fascinantes que aprendemos sobre a mente em 2015

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Por Laiali Chaar

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Tomografia de encéfalo com Alzheimer. A cor vermelha mostra o fluxo sanguíneo máximo, o verde-amarelo indica menor fluxo de sangue, enquanto áreas em roxo, azul e verde escuro indicam nenhum fluxo. Jonathan Selig via Getty Images.

Muitos estudos interessantes foram publicados sobre a mente em 2015 desvendando mais alguns mistérios do nosso cérebro. Para começar 2016 listei dez descobertas fascinantes sobre o cérebro feitas em 2015. Aí estão elas:

1. Se for teclar não beba, se for beber não tecle

Hoje você esbarrou em alguém na rua? Esqueceu algo em casa? Esqueceu de um compromisso?

Se você respondeu sim a qualquer uma destas perguntas, há uma boa chance de  você estar gastando muito tempo olhando seu celular. Em nosso estilo de vida atual passamos muito tempo olhando a tela de nosso smartphone. Cientistas descobriram que enquanto usamos um smartphone na rua temos o mesmo padrão de caminhada que o andar de um bêbado por causa da desatenção que o celular gera. Além disso, quando seu celular vibra, isso já é suficiente para diminuir sua produtividade no trabalho ou nos seus estudos. Usuários de smartphones também tem maior chance de terem perdas de memória e tem menor capacidade de foco tendo como consequência esquecer compromissos, perder coisas e andar em direção às pessoas enquanto usam o smartphone.  A tecnologia é maravilhosa para facilitar nossas vidas, mas existe um limite saudável para seu uso para manter nossas capacidades cognitivas de memória e raciocínio.

Para saber mais: Artigo 1 e Artigo 2.

2. Poluição é pior para o cérebro do que achávamos

Uma pesquisa mostrou que a poluição do ar pode acelerar o envelhecimento cerebral e contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Esse estudo mostrou que aumentos pequenos na concentração de poluição são associados com diminuição da substância branca cerebral. A substância branca é importante por possuir células que sustentam e fazem o isolamento elétrico e nutrição dos neurônios. É como se a poluição derretesse o cérebro. Isso sugere que a poluição pode ser a causa mais agressiva de doenças cerebrais que já foi descoberta.

Para saber mais: Artigo 1, Artigo 2 e Artigo 3

3. O vírus zika e a sua relação com a epidemia de microcefalia no Brasil

Microcefalia é uma condição congênita rara em que o cérebro e o crânio são menores do que o esperado causada por alteração genética ou por substâncias tóxicas como drogas, radiação ou infecções que interferem no desenvolvimento cerebral. Ela causa déficits neurológicos, cognitivos e motores, e retardo mental. Em Agosto houve um aumento de vinte vezes nos casos de microcefalia no Brasil. A relação entre o vírus zika e a epidemia de microcefalia, inédita na ciência mundial, foi descoberta quando foi encontrado o vírus no sangue de um bebê com microcefalia. Isso já foi confirmado pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde em Novembro. Essa relação ainda precisa ser confirmada porque ainda não existem trabalhos científicos publicados sobre isso e há dúvidas no ar sobre quais mecanismos levam à microcefalia. Mas, foram feitas diversas observações de casos que sugerem essa relação entre o vírus zika e microcefalia. Ainda não existem vacinas para o vírus então, a única maneira de combatê-lo é acabando com o vetor, o mosquito Aedes aegypti, evitando acumular água parada e mulheres grávidas devem se proteger contra picadas com repelentes, telas de proteção ou mosquiteiros.

Para saber mais: Artigo

Atualização em 01/04/2016: A Organização da Saúde confirmou a relação entre o vírus da Zika e microcefalia nessa semana. Foram publicados alguns trabalhos científicos confirmando a relação do vírus Zika com microcefalia. Agora isso é um consenso científico.Cientistas encontraram o vírus no cérebro de bebês afetadas com microcefalia e agora um artigo foi publicado demonstrando que a infecção por vírus Zika aumenta a chance de nascimentos de bebês com microcefalia. A questão ainda sem resposta é seria o Zika realmente o culpado pelo aumento dos casos de microcefalia? E se eu pegar uma infecção de Zika durante a gravidez, quais são as chances de que meu bebê vai ser afetadoAtualmente, o vírus Zika está circulando em 33 países, nas Américas e infectou centenas de milhares de pessoas.

4. Apagar memórias pode ser o futuro dos tratamentos para os vícios

Cientistas apagando ou transplantando memórias no cérebro não são mais apenas coisa de filmes ou séries de ficção científica. Apagar a memória em breve poderá ser uma realidade. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Scripps publicada na revista Molecular Psychiatry identificou uma nova droga, a blebbistatina, que com apenas uma dose tem o potencial para apagar seletivamente memórias de vício em pessoas viciadas em drogas deixando outras memórias intactas. Isso poderia nos ajudar a tratar melhor a dependência química por apagar as memórias relacionadas com os efeitos prazerosos da droga e recaída bloqueado por pelo menos um mês.

Para saber mais: Artigo

5. Para melhorar seu humor, mude suas bactérias

A comunicação entre intestino-cérebro foi outro tema importante na Neurociência nos últimos anos. Em 2015, pesquisadores descobriram que o equilíbrio das bactérias saudáveis no intestino pode ajudar a diminuir a ansiedade e os sintomas da depressão. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, o estresse altera a microbiota (ou flora) intestinal e pode causar ansiedade e depressão em camundongos. Isso porque esta alteração na microbiota intestinal ativa a liberação de neurotransmissores no hipotálamo, que em excesso, levam à ansiedade e depressão. Uma dieta com excesso de gordura também pode alterar a microbiota da mesma maneira. Por outro lado, outro estudo mostrou que as pessoas que têm mais alimentos fermentados em sua dieta, que são repletos de bactérias saudáveis conhecidas como probióticas, apresentam menos neuroses e ansiedade social. É fascinante que microrganismos tão pequenos em seu intestino podem influenciar sua mente.

Para saber mais: Artigo 1, Artigo 2Artigo 3 e Artigo 4

6. Um bom sono é essencial para uma vida emocional saudável

Já foi bem demonstrado nas pesquisas que um bom sono é fundamental para o bem-estar psicológico. Também já foi bem demonstrado que a privação do sono, por outro lado, aumenta os níveis de estresse e é associada com ansiedade, depressão  e outros problemas de saúde mental. Além disso, em 2015 foi descoberto que a falta de sono poderia alterar nossa inteligência emocional. Um estudo marcante da Neurociência publicado em Julho do ano passado no Journal of Neuroscience descobriu que um bom sono também é muito importante para manter a inteligência emocional. Os pesquisadores mostraram que não ter um sono adequado diminui nossa capacidade de ler expressões faciais, que é um componente-chave para entender as emoções de quem nos relacionamos.

Para saber mais: Artigo

7. A natureza deixa a mente sadia

Você já deve ter percebido que caminhar na natureza te deixa mais tranquilo. A Neurociência já sabia que passar tempo ao ar livre traz benefícios significativos para a saúde física e mental. Mas ano passado, os pesquisadores descobriram que os benefícios psicológicos dados pela natureza são ainda maiores do que imaginávamos. Uma pesquisa feita na Universidade de Stanford publicada em Julho de 2015 descobriu que passeios ao ar livre reduzem os pensamentos negativos obsessivos que caracterizam a depressão. Outro estudo publicado no fim do ano passado descobriu que passar um tempo na natureza também pode ter aplicações no tratamento para a dependência química com redução da  impulsividade e melhor auto-controle o que seria fantástico.

Para saber mais: Artigo 1 e Artigo 2

8. Alzheimer pode ser transmissível

É possível transmitir a doença de Alzheimer de uma pessoa para outra, de acordo com um estudo publicado ontem na revista Nature feito por cientistas da University College de Londres. Você não pode pegar a doença de Alzheimer por cuidar de alguém com a doença de Alzheimer. Mas, a transmissão pode ocorrer em situações inusitadas envolvendo contato direto com o tecido cerebral como em neurocirurgias através de material cirúrgico contaminado. A contaminação faz com que haja deposição de proteína beta-amilóide que causa Alzheimer no cérebro da outra pessoa afetando ao longo dos anos a memória e o raciocínio.

Para saber mais: Artigo 

9. É possível prever que uma pessoa terá Parkinson pelo odor de seu suor

Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva marcada por tremor e dificuldades de movimentos. Seis anos antes do marido da senhora inglesa Joy Milne ser diagnosticado com Parkinson ela percebeu que ele passou a ter um cheiro diferente e almiscarado. Ela só relacionou esse odor ao Parkinson após visitar uma instituição onde conheceu mais pessoas com a doença que tinham o mesmo odor que seu marido. Em testes feitos por pesquisadores com camisetas de pessoas com ou sem a doença ela acertou 11 entre 12. Uma possível explicação é que o sebo, um óleo que lubrifica e impermeabiliza a pele, é quimicamente alterado em pessoas com Parkinson produzindo um odor único que pode ser percebido por algumas pessoas que tem um olfato poderoso, como ela. Graças a senhora Joy, pesquisadores do Instituto de Biotecnologia de Manchester e da Fundação Parkinson UK estão investigando se algum teste de odor da pele poderia detectar o Parkinson precocemente o que seria uma esperança para milhares de pessoas.

Para saber mais: Artigo

10. Os cientistas descobriram a fonte da juventude (pelo menos no cérebro)

Cientistas encontraram uma maneira de reverter o envelhecimento dos neurônios. Camundongos idosos receberam uma transfusão de sangue de jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford na Califórnia queria saber qual o efeito disso sobre o cérebro, estudou isso e publicou os resultados na Revista Nature. Com o envelhecimento, os neurônios perdem suas conexões e começam a morrer até que, por fim, o cérebro encolhe e torna-se menos eficaz. Uma região chamada hipocampo, crucial para memória e aprendizagem, é uma das primeiras áreas do cérebro a se deteriorar com a idade, causando falhas na memória e no raciocínio. Mas, camundongos velhos que receberam sangue jovem tiveram uma explosão no crescimento de #neurônios no #hipocampo. Eles tinham de três a quatro vezes mais neurônios do que camundongos idosos que não receberam transfusão como muitos camundongos recém-nascidos. Esta descoberta é uma esperança para o tratamento de doenças neurodegenerativas relacionadas a idade em que há morte neuronal como Parkinson e Alzheimer. Então, Drácula estava certo, o sangue de jovens pode ser a fonte eterna da juventude.

Para saber mais: Artigo

Essas foram algumas descobertas fascinantes da Neurociência em 2015. Vamos aguardar pelas descobertas interessantes em 2016. E você poderá ler sobre elas aqui no Tudo sobre controle.

Por que sentimos mais sono no inverno?

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Por Laiali Chaar 

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       Em artigo publicado na revista Current Biology na semana passada, cientistas das cidades de Oxford, Edimburgo e Manchester analisaram células do cérebro de ovelhas em diferentes épocas do ano e encontraram 17 000 células “calendário” que podem estar ativadas no modo “verão” ou no modo “inverno”. Isso também acontece em todos os vertebrados. Essas células estão na glândula hipófise que fica na base do encéfalo e liberam hormônios que controlam o organismo todo. Inclusive essas células podem alterar até o seu Sistema Imune. Essas células liberam hormônios do “verão” ou hormônios do “inverno”. Essa ativação diferente destas células tem função importante para ativar as migrações de animais, hibernações e temporadas de acasalamento e, finalmente, explica por que os cordeiros nascem na primavera. Isso explica também porque você sente mais sono no inverno. Como as noites no inverno são mais longas é produzida mais melatonina, um hormônio que estimula o sono e age nessas “células calendário”. Então, você já pode usar uma justificativa científica no próximo inverno para dormir mais.

Para saber mais:

Wood SH, Christian HC, Miedzinska K, Saer BR, Johnson M, Paton B, Yu L, McNeilly J, Davis JR, McNeilly AS, Burt DW, Loudon AS. Binary Switching of Calendar Cells in the Pituitary Defines the Phase of the Circannual Cycle in Mammals. Curr Biol. 2015

Como é possível ver imagens nos nossos sonhos?

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Por Laiali Chaar 

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      Como é possível ver nossos sonhos e eles parecerem tão reais? Como o cérebro consegue ver nossos sonhos? Um artigo publicado há duas semanas na revista Nature desvendou parte deste mistério. Os pesquisadores mostraram que a atividade dos neurônios durante os sonhos é acontece na mesma intensidade de quando estamos acordados olhando para algo novo. Incrível, não?! Além disso, essa atividade cerebral não aparece quando estamos acordados em uma sala totalmente escura. Isso sugere que o cérebro realmente “vê” os sonhos acontecendo. Isso é surpreendente porque mostra que nosso cérebro não descansa durante os sonhos. Ele forma realmente as imagens que nós vemos, como se estivéssemos vendo de verdade. É a primeira vez que isso é mostrado por uma pesquisa científica.

       Durante os sonhos, apenas a atividade muscular é suprimida para que não realizemos nossos sonhos. Ainda bem, imagine se uma pessoa pulasse da janela toda vez que sonhasse isso.

            Normalmente, a atividade cerebral é medida de uma maneira não-invasiva por eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Mas, os investigadores da Universidade de Tel Aviv em Israel gravaram a atividade do cérebro com eletrodos dentro do cérebro de pacientes com epilepsia. Esses eletrodos foram implantados no lóbulo temporal, uma região do cérebro que tem atividade associada à consciência visual. Participaram do estudo pacientes que não melhoraram depois de um tratamento com medicamentos para mapear sua atividade cerebral e estudar a necessidade de uma cirurgia.

        Sonhos são o maior mistério da pesquisa científica sobre o sono. Sigmund Freud, tinha a teoria de que a função de sonhar é expressar os desejos não realizados. Em 1953, o pesquisador americano Eugene Aserinsky percebeu que seu filho de oito anos tinha movimentos oculares rápidos durante o sono. Esses movimentos oculares sugeriam que existia atividade cerebral durante o sono.

      Pessoas que apresentam cegueira desde o nascimento têm movimentos oculares mas não existe nenhum conteúdo visual em seus sonhos. Então, a função desses movimentos oculares durante os sonhos era totalmente desconhecida. Esse artigo da revista Nature nos dá alguma ideia sobre isso. O artigo revela que os movimentos oculares ativam áreas cerebrais da visão. Já sabíamos que o sono é importante para o descanso e o rejuvenescimento, mas é provável que ele tenha outras funções importantes também.

       Na vida cotidiana, quando vemos as coisas, nossos olhos e o nosso cérebro recolhem e processam a informação do campo visual para dar significado. Durante os sonhos, de alguma forma, nós processamos informações que foram ignoradas enquanto estávamos acordados, mas que precisam ser mostradas durante os sonhos. Assim, de alguma forma, Freud estava certo desde o início.

Para saber mais:

Andrillon T, Nir Y, Cirelli C, Tononi G, Fried I. Single-neuron activity and eye movements during human REM sleep and awake vision. Nat Commun. 2015 Aug 11

Bem-vindos ao Tudo Sobre Controle Neural!

Será que estamos levando a vida de um modo equilibrado? Quer dizer, respeitando os limites do nosso corpo?

O que acontece quando não tomamos a quantidade de água necessária durante o dia? E quando não praticamos atividade física? Ou quando não dormimos? E quando ficamos em jejum?

Se a gente sabe que o excesso de gordura e sal fazem mal então por que comemos tanto? E por que chocolate é tão gostoso? E quem nunca comeu além do que precisava por estar ansioso? Ou ficou sem dormir por estar preocupado?

Por que sentimos sede? Por que sentimos dor? O que acontece no nosso organismo quando estamos apaixonados? E por que esquecemos mais quando estamos estressados?

Você sabia que é nosso cérebro que controla o equilíbrio de tudo isso? Vamos falar sobre isso?

Hoje, é o lançamento desta página aqui no facebook: TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL. Para discutir essas e outras questões sobre Neurociência. Espero vocês por aqui!