Vitamina D pode ajudar a diminuir progressão da esclerose múltipla

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

Por Laiali Chaar

vitamina D

Foto de cultura de oligodendrócitos com perda de mielina (à esquerda), em que a maioria dos axônios (vermelho) recuperaram uma bainha de mielina (verde) oito dias depois da desmielinização. Ao bloquear o receptor de vitamina D, a mielina (verde) diminui, ou seja, a  regeneração é prejudica (à direita).

         Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Cambridge nesta segunda-feira mostrou que a vitamina D quando se liga a seu receptor aumenta a produção de oligodendrócitos, célula que produz a bainha de mielina, estimulando assim sua regeneração mais rápida. A Esclerose Múltipla é uma doença neurodegenerativa em que o Sistema Imunológico ataca e danifica a mielina. A bainha de mielina recobre os axônios possibilitando uma transmissão rápida dos impulsos elétricos responsáveis por transmitir as mensagens do corpo para o cérebro e do cérebro para o corpo e controlar todas as nossos comportamentos e funções. Por isso, pacientes com esclerose tem como principais sintomas perda de movimento, equilíbrio e fadiga muscular. Os cientistas há muitos anos procuram uma maneira de reparar este dano à mielina. Até agora, a maioria das pesquisas sobre vitamina D estudava seu papel na causa da doença. Este trabalho inova sugerindo o papel da vitamina D no tratamento para a progressão da Esclerose Múltipla.

            Esse estudo foi feito em culturas de células neurais. E muitas vezes a resposta em um organismo interno ou em humanos é diferente do que vemos em culturas de células. Isso acontece devido a outros fatores sistêmicos e hormonais que interferem nas respostas e funções de qualquer células. Portanto, mais estudos são necessários para entender melhor o papel da vitamina D na esclerose múltipla em animais e humanos. A vitamina D pode ser obtida através de exposição solar ou suplementação. Mas um exame de sangue prévio é necessário para se certificar dos níveis da vitamina e prevenir uma intoxicação por vitamina D. A ideia agora dos pesquisadores é desenvolver uma droga que se ligue ao receptor de vitamina D e que tenha os mesmos efeitos que a vitamina. E esse pode ser quem sabe daqui alguns anos um tratamento seguro para a Esclerose Múltipla melhorando seus sintomas e as dificuldades de seus portadores.

📷 Crédito da imagem: De la Fuente et al., 2015.

Para Saber Mais:

Alerie Guzman de la Fuente, Oihana Errea, Peter van Wijngaarden, Ginez A. Gonzalez, Christophe Kerninon, Andrew A. Jarjour, Hilary J. Lewis, Clare A. Jones, Brahim Nait-Oumesmar, Chao Zhao, Jeffrey K. Huang, Charles ffrench-Constant, and Robin J.M. Franklin. Vitamin D receptor–retinoid X receptor heterodimer signaling regulates oligodendrocyte progenitor cell differentiation. Journal of Cell Biology, 7 Dezembro2015.

Anúncios

Exposição ao formaldeído aumenta a chance de esclerose lateral amiotrófica

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

Por Laiali Chaar 

 

image

      Esse post é pra você que adora uma escova progressiva ou uma aula de Anatomia ou não sai do laboratório de Histologia… Cuidado com o formol, ele pode matar seus neurônios…

      Em 2009, epidemiologistas da Harvard começaram a montar um quebra-cabeça procurando relações entre esclerose lateral amiotrófica e a exposição à diversas substâncias como pesticidas e herbicidas em 1 milhão e meio de pessoas. Apenas uma substância acendeu a luz vermelha: o formaldeído, também conhecido como formol, substância comumente utilizada para embalsamar cadáveres, em funerais, laboratórios de aula de Anatomia e na famosa escova progressiva feita em salões de beleza brasileiros para hidratar o cabelo. Pessoas que trabalham expostas regularmente ao formol tem três vezes mais chance de morrer por esclerose lateral amiotrófica comparadas a pessoas que não foram expostas ou pouco expostas. A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que provoca perda progressiva da força muscular e da coordenação motora e sua causa ainda é um mistério. Por enquanto, o que podemos afirmar é que trabalhadores muito expostos ao formal devem ter cautela e trabalhar em um ambiente com uma ventilação adequada para minimizar a exposição ao formaldeído.

📷 Crédito da imagem: Eric Huang, Universidade da California, São Francisco. À esquerda motoneurônios na medula espinhal de camundongos saudáveis e à direita diminuição do número de motoneurônios na medula espinhal

Para saber mais:

Roberts AL; Johnson NJ; Cudkowicz ME; Eum KD MG; Weisskopf. MG.  Job-related  formaldehyde exposure and ALS mortality in the USA. J Neurol Neurosurgery Psychiatry. 2015

Seu cérebro é sua impressão digital

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

Por Laiali Chaar 

image

      Resultados publicados semana passada na revista Nature Neuroscience de pesquisadores da Universidade de Yale, EUA mostraram que cada pessoa tem uma ativação do córtex frontoparietal e frontal medial única como as impressões digitais e podem identificar com precisão indivíduos em um grupo maior. Estas áreas cerebrais estão envolvidas em funções como atenção, memória e linguagem. Os pesquisadores utilizam uma técnica de ressonância magnética funcional (fMRI) em diferentes tarefas e repouso para medir o fluxo sanguíneo no cérebro de 126 indivíduos. O fluxo sanguíneo está correlacionado com a ativação neuronal, pois um aumento na ativação neuronal necessita de um aumento no fornecimento de energia para a região. Assim, a fMRI é muito utilizada para estudar a atividade regiões do cérebro. É possível parear ressonâncias da mesma pessoa feitos em dias diferentes ou fazendo tarefas diferentes. Essa ativação neural única também pode prever como uma pessoa realizará um teste de inteligência ou o risco para o desenvolvimento de doenças como esquizofrenia, depressão ou Alzheimer.

📷 Emily Finn, Nature Neuroscience, 2015

Para saber mais:

Finn ES, Shen X, Scheinost D, Rosenberg MD, Huang J, Chun MM, Papademetris X, Constable RT. Functional connectome fingerprinting: identifying individuals using patterns of brain connectivity. Nature Neuroscience. 2015 Oct 12.

Astrócitos, as estrelas do nosso cérebro

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

Por Laiali Chaar 

astrocytes

   Astrócitos tem esse nome, porque tem formato de estrelas. (ASTRO=estrela e CITOS=células). Eles são as células mais abundantes do encéfalo (65%) e estão intimamente associados com a sinapse que é a comunicação entre neurônios. Astrócitos regulam a transmissão de impulsos elétricos no cérebro. Por muito tempo pensou-se que eles só tinham papel estrutural no cérebro sustentando neurônios e vasos. Mas, nos últimos 20 anos, excitantes descobertas mostraram que os astrócitos são fundamentais na neurofisiologia. Sabemos agora que os astrócitos pode propagar ondas de cálcio e , semelhante a neurônios, podem liberar neurotransmissores. Há dados que sugerem comunicação entre astrócitos e neurônios por liberação de glutamato, um neurotransmissor excitatório. Em 2013, uma pesquisa publicada na revista Cell mostrou que o transplante de astrócitos humanos para camundongos melhora sua aprendizagem, memória e neuroplasticidade, sugerindo que a função dos astrócitos foi aumentada pela evolução. Estas novas descobertas tornaram os astrócitos alvos de pesquisa tão importantes quanto os neurônios.

Foto: Han et al., 2013. Cell Stem Cell

Para aprender mais:

Han X, Chen M, Wang F, Windrem M, Wang S, Shanz S, Xu Q, Oberheim NA, Bekar L, Betstadt S, Silva AJ, Takano T, Goldman SA, Nedergaard M. Forebrain engraftment by human glial progenitor cells enhances synaptic plasticity and learning in adult mice. Cell Stem Cell. Mar 7;12(3):342-53. 2013.

Fiacco TA, Agulhon C, McCarthy KD. Sorting out astrocyte physiology from pharmacology. Annu Rev Pharmacol Toxicol. 49:151-74. 2009

Gourine AV, Kasymov V, Marina N, Tang F, Figueiredo MF, Lane S, Teschemacher AG, Spyer KM, Deisseroth K, Kasparov SAstrocytes control breathing through pH-dependent release of ATP. Science. Jul 30;329(5991):571-5.2010.
.

Quem é o Tudo Sobre Controle Neural?

 

Por Laiali Chaar 

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

 

euAngiotensinogenio PVN

       Muitas pessoas estão curiosas e perguntando sobre quem escreve o Tudo Sobre Controle. Esta página é escrita por mim, Laiali Jurdi El Chaar. Eu tenho trinta anos. Sou brasileira, fisioterapeuta e neurocientista. Fiz mestrado e doutorado em Neurociências e Neuroimunologia. Trabalho na Universidade de São Paulo com pesquisa. Sou professora e supervisora de estágio de Fisioterapia Neurofuncional da Universidade Anhanguera. E nos últimos doze anos eu trabalho para salvar vidas à minha maneira. Não sou médica, não receito medicamentos. Uso informação e educação para isso. Eu estudo como nossos maus hábitos podem mudar nosso cérebro e nossas vidas.

Provas chegando? Descubra quais são as principais dicas comprovadas pela Neurociência para tirar uma boa nota

      Ano passado meu artigo de Mestrado foi publicado. Nele, eu descobri que apenas duas semanas de corrida leve são capazes de diminuir um neuropeptídeo que pode deixar as pessoas hipertensas e aumentar o sistema nervoso simpático: o Angiotensinogênio.  O Sistema nervoso simpático é formado por neurônios que aumentam nossos batimentos cardíacos e  nossa pressão arterial. Sua ativação em excesso faz com que você morra mais cedo por ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e outras doenças secundárias à hipertensão arterial. Então, o exercício aeróbio, já nas primeiras semanas de treinamento, previne todas essas doenças cardiovasculares.

    Esse ano meu artigo do Doutorado foi publicado. Depois de 5 anos estudando o que uma dieta rica em gordura faz com o cérebro. Nele descobri que um neurotransmissor chamado CART está aumentado apenas em neurônios de obesos hipertensos. E ele parece ser a causa do aumento do sistema nervoso simpático, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral causados pela obesidade. Quem sabe isso possa ajudar a encontrar a cura da hipertensão em obesos e diminuir o sofrimento de tantas pessoas.

Quer saber mais? Clica nos links que estão ai embaixo. Boa leitura!

Para palestras, aulas particulares, consultoria em Neurociência e Fisioterapia Neurofuncional: laialineurociencia@gmail.com

Para saber mais:

Laiali Jurdi El Chaar. Como o açúcar e a gordura afetam nosso cérebro levando à hipertensão? Atlas of Science, 2017. 

Chaar LJ, Alves TP, Batista Junior AM, Michelini LC.Early Training-Induced Reduction of Angiotensinogen in Autonomic Areas-The Main Effect of Exercise on Brain Renin-Angiotensin System in Hypertensive Rats. PLoS One. 2015.

Chaar LJ, Coelho A, Silva NM, Festuccia WL, Antunes VR. High-fat diet-induced hypertension and autonomic imbalance are associated with an upregulation of CART in the dorsomedial hypothalamus of mice. Physiol Rep., 2016

Laiali Jurdi El Chaar – Currículo Lattes

Laiali Jurdi Chaar – Research Gate 

Por que sentimos mais sono no inverno?

Siga o TUDO SOBRE CONTROLE NEURAL no facebookno instagram e no twitter

Por Laiali Chaar 

1

       Em artigo publicado na revista Current Biology na semana passada, cientistas das cidades de Oxford, Edimburgo e Manchester analisaram células do cérebro de ovelhas em diferentes épocas do ano e encontraram 17 000 células “calendário” que podem estar ativadas no modo “verão” ou no modo “inverno”. Isso também acontece em todos os vertebrados. Essas células estão na glândula hipófise que fica na base do encéfalo e liberam hormônios que controlam o organismo todo. Inclusive essas células podem alterar até o seu Sistema Imune. Essas células liberam hormônios do “verão” ou hormônios do “inverno”. Essa ativação diferente destas células tem função importante para ativar as migrações de animais, hibernações e temporadas de acasalamento e, finalmente, explica por que os cordeiros nascem na primavera. Isso explica também porque você sente mais sono no inverno. Como as noites no inverno são mais longas é produzida mais melatonina, um hormônio que estimula o sono e age nessas “células calendário”. Então, você já pode usar uma justificativa científica no próximo inverno para dormir mais.

Para saber mais:

Wood SH, Christian HC, Miedzinska K, Saer BR, Johnson M, Paton B, Yu L, McNeilly J, Davis JR, McNeilly AS, Burt DW, Loudon AS. Binary Switching of Calendar Cells in the Pituitary Defines the Phase of the Circannual Cycle in Mammals. Curr Biol. 2015

Células da Glia

 

neuron

Células-tronco neurais diferenciadas de rato coradas para β III-tubulina (em verde) para revelar os neurônios, GFAP (em azul) para revelar células gliais e DAPI (em vermelho) para revelar os núcleos de células.
Autor 📷: Natalie Prigozhina