Tomar café pode retardar os sintomas do Alzheimer

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: Cristais de cafeína no microscópio Annie Cavanagh e David McCarthy. Prêmio Welcome Images 2012.

Atendendo a pedidos dos cafélovers ☕️🙋🏻>>> O que o café faz no nosso cérebro? 🙇🏻‍♀️🙇🏻 Se você bebeu umas cinco xícaras de café hoje antes do meio-dia só para ficar acordado, talvez queira ler isso.

O café é uma das bebidas mais consumidas do mundo.
Nossas células produzem uma molécula chamada adenosina. Esta molécula é uma das culpadas por sentirmos cansaço. Quando você toma café a cafeína chega ao seu cérebro. E a estrutura da cafeína é muito parecida com a da adenosina. Então a cafeína ocupa o lugar dos receptores da adenosina. Resultado a cafeína bloqueia a adenosina. E você fica acordadão. O problema é que o corpo em resposta produz mais receptores de adenosina.

Por isso, quanto mais café você toma, mais café você precisa para sentir o efeito. Esse processo pode causar dependência e sintomas de abstinência: fadiga, irritabilidade e dores de cabeça se você tentar reduzir o consumo.Café pode então ser viciante. E é por isso que os monges do Tibet não tomam café.

Um estudo português, descobriu que o consumo de café pode retardar os sintomas do Alzheimer. Outras pesquisas já provaram que beber café também diminui os riscos de doenças como depressão em mulheres diabetes tipo 2, Parkinson e melhora a memória de adultos.

Adultos entre 18 e 21 anos tem mais benefícios tomando uma xícara às 9h30 da manhã e os mais velhos às 14h.

O corpo humano produz um hormônio chamado cortisol, que promove a sensação de estar acordado. O cortisol é liberado de acordo com o horário do dia e atinge seu nível máximo quando acordamos. Então, tomar café logo após acordar é um desperdício de cafeína. O ideal é esperar algum tempo. Se você se levanta às 8h, tome café a partir das 9h30. No período da tarde, o ideal é tomar uma xícara entre 13h30 e 17h, quando o cortisol diminui.

Um estudo da Science mostrou que abelhas 🐝🐝também amam café porque a cafeína lembra o aroma de algumas flores 🌺 . E a cafeína também pode melhorar a memória delas. Então, se você não tiver nenhuma contraindicação e já que não somos monges, vamos beber café ☕️.

Para saber mais:

Maia L, de Mendonça A. Does caffeine intake protect from Alzheimer’s disease? Eur J Neurol. v. 9(4), p. 377-82, 2002

Huxley R, Lee CM, Barzi F, Timmermeister L, Czernichow S, Perkovic V, Grobbee DE, Batty D, Woodward M. Coffee, decaffeinated coffee, and tea consumption in relation to incident type 2 diabetes mellitus: a systematic review with meta-analysis.  Arch Intern Med. v. 14;169(22):2053-63, 2009.

Ross GW, Abbott RD, Petrovitch H, Morens DM, Grandinetti A, Tung KH, Tanner CM, Masaki KH, Blanchette PL, Curb JD, Popper JS, White LR.Association of coffee and caffeine intake with the risk of Parkinson disease.  JAMA. v. 24-31; p. 283(20):2674-9, 2000.

Lucas M, Mirzaei F, Pan A, Okereke OI, Willett WC, O’Reilly ÉJ, Koenen K, Ascherio A. Coffee, caffeine, and risk of depression among women.Arch Intern Med. v. 26, p.171(17):1571-8, 2011.

Wright GA, Baker DD, Palmer MJ, Stabler D, Mustard JA, Power EF, Borland AM, Stevenson PC. Caffeine in floral nectar enhances a pollinator’s memory of reward. Science. v. 8;339(6124), p. 1202-4, 2013.

Manual de Disordens Mentais (DSM-5). Associação Americana de Psiquiatria, 2013.

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Descoberta uma maneira de recuperar memórias perdidas

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: neurônios piramidais do hipocampo, uma área cerebral responsável pela memória. Jonathan Clarke.

      Neurocientistas da Universidade de Wisconsin-Madison publicaram na revista Science um meio de recuperar memórias esquecidas. Aplicando um campo de ondas eletromagnéticas pela técnica de estimulação magnética transcraniana, em partes específicas do cérebro, os participantes do estudo recuperaram memórias de curto prazo perdidas como uma palavra falada ou detalhes do rosto de uma pessoa vistos minutos antes😱😱😱. Se os próximos testes funcionarem, sem efeitos colaterais, esse poderá ser no futuro um tratamento para pessoas com Alzheimer e problemas de memória que afetam muitas pessoas.


Neurônios têm várias funções que já comentamos aqui: saciedade, sentidos, sentimentos, realização de movimentos e também armazenam nossas memórias. As memórias podem ser de curto ou longo prazo. As memórias de curto prazo são aquelas que guardamos por um curto tempo por que não iremos mais usá-las, como quando alguém lhe pede pra decorar os 4 primeiros números de um telefone ou quando você decora aquela matéria minutos antes da prova. A memória de longo prazo recebe as memórias de curto prazo e as armazena por tempo ilimitado porque serão utilizadas no futuro como suas histórias da adolescência no colégio ou a matéria de Neuro que você está vendo na faculdade 😍😍. E para armazenar memória de longo prazo o sono é muito importante como já vimos aqui na Neurociência dos estudos.


Vamos torcer para que essa nova tecnologia, quem sabe, seja acessível, aumente a qualidade de vida das pessoas e ajude a controlar nossa atenção e escolher sobre o que pessoas com alterações na saúde mental que têm pensamentos destrutivos repetitivos, por exemplo sobre suicídio, controlem sobre o que querem pensar.

 

Para saber mais: 

Retrospectiva 2015: 10 coisas fascinantes que aprendemos sobre a mente em 2015

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Por Laiali Chaar

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Tomografia de encéfalo com Alzheimer. A cor vermelha mostra o fluxo sanguíneo máximo, o verde-amarelo indica menor fluxo de sangue, enquanto áreas em roxo, azul e verde escuro indicam nenhum fluxo. Jonathan Selig via Getty Images.

Muitos estudos interessantes foram publicados sobre a mente em 2015 desvendando mais alguns mistérios do nosso cérebro. Para começar 2016 listei dez descobertas fascinantes sobre o cérebro feitas em 2015. Aí estão elas:

1. Se for teclar não beba, se for beber não tecle

Hoje você esbarrou em alguém na rua? Esqueceu algo em casa? Esqueceu de um compromisso?

Se você respondeu sim a qualquer uma destas perguntas, há uma boa chance de  você estar gastando muito tempo olhando seu celular. Em nosso estilo de vida atual passamos muito tempo olhando a tela de nosso smartphone. Cientistas descobriram que enquanto usamos um smartphone na rua temos o mesmo padrão de caminhada que o andar de um bêbado por causa da desatenção que o celular gera. Além disso, quando seu celular vibra, isso já é suficiente para diminuir sua produtividade no trabalho ou nos seus estudos. Usuários de smartphones também tem maior chance de terem perdas de memória e tem menor capacidade de foco tendo como consequência esquecer compromissos, perder coisas e andar em direção às pessoas enquanto usam o smartphone.  A tecnologia é maravilhosa para facilitar nossas vidas, mas existe um limite saudável para seu uso para manter nossas capacidades cognitivas de memória e raciocínio.

Para saber mais: Artigo 1 e Artigo 2.

2. Poluição é pior para o cérebro do que achávamos

Uma pesquisa mostrou que a poluição do ar pode acelerar o envelhecimento cerebral e contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Esse estudo mostrou que aumentos pequenos na concentração de poluição são associados com diminuição da substância branca cerebral. A substância branca é importante por possuir células que sustentam e fazem o isolamento elétrico e nutrição dos neurônios. É como se a poluição derretesse o cérebro. Isso sugere que a poluição pode ser a causa mais agressiva de doenças cerebrais que já foi descoberta.

Para saber mais: Artigo 1, Artigo 2 e Artigo 3

3. O vírus zika e a sua relação com a epidemia de microcefalia no Brasil

Microcefalia é uma condição congênita rara em que o cérebro e o crânio são menores do que o esperado causada por alteração genética ou por substâncias tóxicas como drogas, radiação ou infecções que interferem no desenvolvimento cerebral. Ela causa déficits neurológicos, cognitivos e motores, e retardo mental. Em Agosto houve um aumento de vinte vezes nos casos de microcefalia no Brasil. A relação entre o vírus zika e a epidemia de microcefalia, inédita na ciência mundial, foi descoberta quando foi encontrado o vírus no sangue de um bebê com microcefalia. Isso já foi confirmado pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde em Novembro. Essa relação ainda precisa ser confirmada porque ainda não existem trabalhos científicos publicados sobre isso e há dúvidas no ar sobre quais mecanismos levam à microcefalia. Mas, foram feitas diversas observações de casos que sugerem essa relação entre o vírus zika e microcefalia. Ainda não existem vacinas para o vírus então, a única maneira de combatê-lo é acabando com o vetor, o mosquito Aedes aegypti, evitando acumular água parada e mulheres grávidas devem se proteger contra picadas com repelentes, telas de proteção ou mosquiteiros.

Para saber mais: Artigo

Atualização em 01/04/2016: A Organização da Saúde confirmou a relação entre o vírus da Zika e microcefalia nessa semana. Foram publicados alguns trabalhos científicos confirmando a relação do vírus Zika com microcefalia. Agora isso é um consenso científico.Cientistas encontraram o vírus no cérebro de bebês afetadas com microcefalia e agora um artigo foi publicado demonstrando que a infecção por vírus Zika aumenta a chance de nascimentos de bebês com microcefalia. A questão ainda sem resposta é seria o Zika realmente o culpado pelo aumento dos casos de microcefalia? E se eu pegar uma infecção de Zika durante a gravidez, quais são as chances de que meu bebê vai ser afetadoAtualmente, o vírus Zika está circulando em 33 países, nas Américas e infectou centenas de milhares de pessoas.

4. Apagar memórias pode ser o futuro dos tratamentos para os vícios

Cientistas apagando ou transplantando memórias no cérebro não são mais apenas coisa de filmes ou séries de ficção científica. Apagar a memória em breve poderá ser uma realidade. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Scripps publicada na revista Molecular Psychiatry identificou uma nova droga, a blebbistatina, que com apenas uma dose tem o potencial para apagar seletivamente memórias de vício em pessoas viciadas em drogas deixando outras memórias intactas. Isso poderia nos ajudar a tratar melhor a dependência química por apagar as memórias relacionadas com os efeitos prazerosos da droga e recaída bloqueado por pelo menos um mês.

Para saber mais: Artigo

5. Para melhorar seu humor, mude suas bactérias

A comunicação entre intestino-cérebro foi outro tema importante na Neurociência nos últimos anos. Em 2015, pesquisadores descobriram que o equilíbrio das bactérias saudáveis no intestino pode ajudar a diminuir a ansiedade e os sintomas da depressão. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, o estresse altera a microbiota (ou flora) intestinal e pode causar ansiedade e depressão em camundongos. Isso porque esta alteração na microbiota intestinal ativa a liberação de neurotransmissores no hipotálamo, que em excesso, levam à ansiedade e depressão. Uma dieta com excesso de gordura também pode alterar a microbiota da mesma maneira. Por outro lado, outro estudo mostrou que as pessoas que têm mais alimentos fermentados em sua dieta, que são repletos de bactérias saudáveis conhecidas como probióticas, apresentam menos neuroses e ansiedade social. É fascinante que microrganismos tão pequenos em seu intestino podem influenciar sua mente.

Para saber mais: Artigo 1, Artigo 2Artigo 3 e Artigo 4

6. Um bom sono é essencial para uma vida emocional saudável

Já foi bem demonstrado nas pesquisas que um bom sono é fundamental para o bem-estar psicológico. Também já foi bem demonstrado que a privação do sono, por outro lado, aumenta os níveis de estresse e é associada com ansiedade, depressão  e outros problemas de saúde mental. Além disso, em 2015 foi descoberto que a falta de sono poderia alterar nossa inteligência emocional. Um estudo marcante da Neurociência publicado em Julho do ano passado no Journal of Neuroscience descobriu que um bom sono também é muito importante para manter a inteligência emocional. Os pesquisadores mostraram que não ter um sono adequado diminui nossa capacidade de ler expressões faciais, que é um componente-chave para entender as emoções de quem nos relacionamos.

Para saber mais: Artigo

7. A natureza deixa a mente sadia

Você já deve ter percebido que caminhar na natureza te deixa mais tranquilo. A Neurociência já sabia que passar tempo ao ar livre traz benefícios significativos para a saúde física e mental. Mas ano passado, os pesquisadores descobriram que os benefícios psicológicos dados pela natureza são ainda maiores do que imaginávamos. Uma pesquisa feita na Universidade de Stanford publicada em Julho de 2015 descobriu que passeios ao ar livre reduzem os pensamentos negativos obsessivos que caracterizam a depressão. Outro estudo publicado no fim do ano passado descobriu que passar um tempo na natureza também pode ter aplicações no tratamento para a dependência química com redução da  impulsividade e melhor auto-controle o que seria fantástico.

Para saber mais: Artigo 1 e Artigo 2

8. Alzheimer pode ser transmissível

É possível transmitir a doença de Alzheimer de uma pessoa para outra, de acordo com um estudo publicado ontem na revista Nature feito por cientistas da University College de Londres. Você não pode pegar a doença de Alzheimer por cuidar de alguém com a doença de Alzheimer. Mas, a transmissão pode ocorrer em situações inusitadas envolvendo contato direto com o tecido cerebral como em neurocirurgias através de material cirúrgico contaminado. A contaminação faz com que haja deposição de proteína beta-amilóide que causa Alzheimer no cérebro da outra pessoa afetando ao longo dos anos a memória e o raciocínio.

Para saber mais: Artigo 

9. É possível prever que uma pessoa terá Parkinson pelo odor de seu suor

Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva marcada por tremor e dificuldades de movimentos. Seis anos antes do marido da senhora inglesa Joy Milne ser diagnosticado com Parkinson ela percebeu que ele passou a ter um cheiro diferente e almiscarado. Ela só relacionou esse odor ao Parkinson após visitar uma instituição onde conheceu mais pessoas com a doença que tinham o mesmo odor que seu marido. Em testes feitos por pesquisadores com camisetas de pessoas com ou sem a doença ela acertou 11 entre 12. Uma possível explicação é que o sebo, um óleo que lubrifica e impermeabiliza a pele, é quimicamente alterado em pessoas com Parkinson produzindo um odor único que pode ser percebido por algumas pessoas que tem um olfato poderoso, como ela. Graças a senhora Joy, pesquisadores do Instituto de Biotecnologia de Manchester e da Fundação Parkinson UK estão investigando se algum teste de odor da pele poderia detectar o Parkinson precocemente o que seria uma esperança para milhares de pessoas.

Para saber mais: Artigo

10. Os cientistas descobriram a fonte da juventude (pelo menos no cérebro)

Cientistas encontraram uma maneira de reverter o envelhecimento dos neurônios. Camundongos idosos receberam uma transfusão de sangue de jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford na Califórnia queria saber qual o efeito disso sobre o cérebro, estudou isso e publicou os resultados na Revista Nature. Com o envelhecimento, os neurônios perdem suas conexões e começam a morrer até que, por fim, o cérebro encolhe e torna-se menos eficaz. Uma região chamada hipocampo, crucial para memória e aprendizagem, é uma das primeiras áreas do cérebro a se deteriorar com a idade, causando falhas na memória e no raciocínio. Mas, camundongos velhos que receberam sangue jovem tiveram uma explosão no crescimento de #neurônios no #hipocampo. Eles tinham de três a quatro vezes mais neurônios do que camundongos idosos que não receberam transfusão como muitos camundongos recém-nascidos. Esta descoberta é uma esperança para o tratamento de doenças neurodegenerativas relacionadas a idade em que há morte neuronal como Parkinson e Alzheimer. Então, Drácula estava certo, o sangue de jovens pode ser a fonte eterna da juventude.

Para saber mais: Artigo

Essas foram algumas descobertas fascinantes da Neurociência em 2015. Vamos aguardar pelas descobertas interessantes em 2016. E você poderá ler sobre elas aqui no Tudo sobre controle.

Seu cérebro é sua impressão digital

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Por Laiali Chaar 

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      Resultados publicados semana passada na revista Nature Neuroscience de pesquisadores da Universidade de Yale, EUA mostraram que cada pessoa tem uma ativação do córtex frontoparietal e frontal medial única como as impressões digitais e podem identificar com precisão indivíduos em um grupo maior. Estas áreas cerebrais estão envolvidas em funções como atenção, memória e linguagem. Os pesquisadores utilizam uma técnica de ressonância magnética funcional (fMRI) em diferentes tarefas e repouso para medir o fluxo sanguíneo no cérebro de 126 indivíduos. O fluxo sanguíneo está correlacionado com a ativação neuronal, pois um aumento na ativação neuronal necessita de um aumento no fornecimento de energia para a região. Assim, a fMRI é muito utilizada para estudar a atividade regiões do cérebro. É possível parear ressonâncias da mesma pessoa feitos em dias diferentes ou fazendo tarefas diferentes. Essa ativação neural única também pode prever como uma pessoa realizará um teste de inteligência ou o risco para o desenvolvimento de doenças como esquizofrenia, depressão ou Alzheimer.

📷 Emily Finn, Nature Neuroscience, 2015

Para saber mais:

Finn ES, Shen X, Scheinost D, Rosenberg MD, Huang J, Chun MM, Papademetris X, Constable RT. Functional connectome fingerprinting: identifying individuals using patterns of brain connectivity. Nature Neuroscience. 2015 Oct 12.

Quer saber qual a fonte da juventude? Os cientistas descobriram… pelo menos no cérebro

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Crédito da imagem – Figura mostrando os neurônios dos camundongos que receberam as transfusões. Cada ponto marrom é um neurônio. Note o maior número de neurônios no idoso (abaixo à direita) que recebeu a transfusão de sangue de animais jovens. Note também o menor número de ramificações nos neurônios do jovem que recebeu transfusão de sangue de um idoso (acima à esquerda).
      Drácula estava certo! Cientistas encontraram uma maneira de reverter o envelhecimento dos neurôniosCamundongos jovens receberam uma transfusão de sangue de camundongos idosos e camundongos idosos receberam sangue de jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford na Califórnia queria saber qual o efeito dessas transfusões sobre o cérebro e publicou os resultados na Revista Nature. Com o envelhecimento, neurônios  perdem suas conexões e começam morrer até que, finalmente, o cérebro encolhe e torna-se menos eficaz. Uma região chamada hipocampo, crucial para a memória e aprendizagem, é um dos primeiras áreas do cérebro se deteriorar com a idade, causando falhas na memória e no raciocínios. Mas, os camundongos velhos que receberam sangue jovem experimentaram uma explosão de crescimento de neurônios no hipocampo. Eles tinham de três a quatro vezes mais neurônios do que os camundongos idosos que não receberam transfusão como muitos camundongos recém-nascidos. Mas isso não foi tudo: o sangue de idosos teve o efeito oposto sobre o cérebro de camundongos jovens, bloqueando o nascimento de novos neurônios e deixando-os parecendo velhos antes do tempo. Como é o cérebro que controla nosso organismo  inteiro se isso também acontecer em outras áreas do cérebro pode ser que haja um rejuvenescimento das funções de todos os nossos órgãos. Esta descoberta é uma esperança paratratamento de doenças neurodegenerativas relacionadas a idade em que há morte neuronal como Parkinson e Alzheimer. O que atualmente está sendo testado em humanos. Então, Drácula estava certo, o sangue de jovens pode ser a fonte eterna da juventude.
Para saber mais:

É possível transmitir Alzheimer de uma pessoa para outra

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Por Laiali Chaar 

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Crédito da Imagem: Alfred Pasieka/ Science Photo Library – À esquerda encéfalo com Alzheimer com diminuição da massa encéfalica e à direita encéfalo normal

      É possível transmitir a doença de Alzheimer de uma pessoa para outra, de acordo com um estudo feito por cientistas da University College de Londres publicado ontem na revista Nature. Não é possível adquirir  Alzheimer por cuidar de alguém com a doença. Mas a transmissão pode ocorrer  em situações inusitadas envolvendo exposição direta ao tecido cerebral como neurocirurgias através de material cirúrgico contaminado. A contaminação faz com que haja deposição de proteína amilóide que causa Alzheimer no cérebro de outra pessoa afetando ao longo dos anos a memória e o raciocínio.

       Entre 1958 e 1985 pessoas com baixa estatura receberam hormônio de crescimento extraído da glândula pituitária, também chamada de hipófise, que se localiza na base do encéfalo. Essa hipófise era retirada de cadáveres. Estes cientistas estudaram cérebros de pessoas após a morte e observaram que pessoas que receberam injeção deste hormônio de crescimento quando eram crianças, 30 anos depois apresentavam depósito de proteína amilóide no cérebro que causa Alzheimer e problemas de memória e pensamento. Os pacientes tinham idades de 36 e 51, ou seja, jovens demais para apresentar a doença de Alzheimer. Esses resultados sugerem que Alzheimer possa ser transmitido em procedimentos invasivos como uma neurocirurgia.

Para saber mais:

Jaunmuktane Z, Mead S, Ellis M, Wadsworth JDF, Nicoll AJ, Kenny J, Launchbury F, Linehan J, Richard-Loendt A, Walker AS, Rudge P, Collinge J,  Brandner S. Evidence for human transmission of amyloid-β pathology and cerebral amyloid angiopathy. Nature 525, 247–250 (10 September 2015). 

O que o alimento faz com o seu cérebro?

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Por Laiali Chaar 

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      Sempre quando pensamos na função do alimento em nossas vidas lembramos dela como uma maneira de obter energia. Mas ele afeta (e muito) o nosso cérebro. Inclusive, até a habilidade do alimento de prevenir e proteger contra  diversas doenças afetando o funcionamento encéfalo está começando a ser mostrada nas pesquisas científicas.

       Um estudo realizado este ano na Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos mostrou que o diabetes, que é causado por uma má alimentação na maioria dos casos, está associado ao aumento do risco para o desenvolvimento de Alzheimer. Ou seja, das pessoas que possuíam Alzheimer a maioria era diabética. No Brasil 12 milhões de pessoas possuem diabetes atribuído ao moderno estilo de vida em que comemos muitos alimentos industrializados e ricos em gordura e açucares e fazemos pouca atividade física. O açúcar é a principal fonte de energia para os neurônios funcionarem. O diabetes faz com que diversas regiões do cérebro, incluindo o lobo temporal medial onde as memórias são formadas, usem menos açúcar. Neurônios usando menos açúcar significa menos neurônios funcionando e formando memórias. Outro estudo científico mostrou que crianças que tem uma alimentação equilibrada, especialmente rica em fibras, possuem uma melhor performance em testes de QI.

      Estudos  também mostram que uma dieta equilibrada aumenta a longevidade, ou seja os anos de vida, de ratos em 50%. O efeito de uma dieta equilibrada na longevidade ainda não foi estudado em humanos. Mas, estudos mostraram que homens e mulheres que têm uma dieta equilibrada (com vegetais, frutas, ovos, nozes, peixes, aves, produtos com baixo teor de gordura, grãos e feijão) comparados com pessoas que tem uma dieta ocidental (rica em calorias vazias, gorduras, sal e fast-foods) tem menor incidência de doenças cardiovasculares que são a maior causa de mortes no Brasil e no mundo. Isso acontece também por causa do seu encéfalo sabia? Incrível, não!? Mas como o encéfalo afeta o desenvolvimento de doenças cardiovasculares? Há regiões no encéfalo (cérebro e tronco encefálico) que controlam a pressão arterial e frequência cardiaca. Essas regiões fazem isso por uma rede de neurônios que controla os órgãos do corpo: o sistema nervoso autônomo. O sistema nervoso autônomo é formado por simpático e parassimpático. O sistema nervoso simpático, quando ativado, aumenta seus batimentos cardíacos e contrai seus vasos aumentando sua pressão arterial. O sistema nervoso parassimpático diminui seus batimentos cardíacos diminuindo sua pressão arterial. Pessoas com uma dieta desequilibrada, não se sabe ainda porque, tem um aumento do sistema nervoso simpático e uma diminuição do sistema nervoso parassimpático, além do que é esperado em um organismo em equilíbrio. Esse desequilíbrio entre simpático e parassimpatico aumenta as chances de hipertensão, infarto  do miocárdio e acidente vascular encefálico. Assim, esse estudo mostrou que uma dieta equilibrada tem o mesmo efeito benéfico no sistema cardiovascular que uma classe de medicamentos usados para o tratamento de doenças cardiovasculares, os beta bloqueadores. Maravilhoso, não!?

   Uma dieta que é rica em Ômega‑3, um ácido graxo, está conquistando o amor de vários médicos e nutricionistas por ser cientificamente comprovado que auxilia nos processos cognitivos. Processos cognitivos são os processos que geram nossas idéias, raciocínios e pensamentos. Além disso, o Ômega-3 estimula a expressão de genes que produzem proteínas importantes para a comunicação e plasticidade dos neurônios. Óleo de peixe, que é rico em Ômega-3,  diminui sintomas de esquizofrenia, um transtorno mental em que a pessoa tem dificuldade entre separar o que é real e o que é imaginário.

      Muitos alimentos podem melhorar a condição do seu encéfalo e retardar o declínio natural do envelhecimento. Curcumina, um componente do açafrão, melhora a cognição de ratos com Alzheimer. Comer pimenta três ou mais vezes por semana faz você viver de 14% a 22% mais anos. (Os mexicanos devem viver bastante então.) Flavonóides, antioxidantes encontrados no coco, no chá-verde, nas frutas cítricas, no vinho e no chocolate amargo, e a vitamina D, presente no fígado de peixe, peixes gordos, cogumelos, derivados de leite, leite de soja, grãos e cereais, melhoram a função cognitiva em idosos, retardando o envelhecimento do cérebro. A gordura saturada, presente na manteiga, na banha de porco, no óleo de palma, no queijo, na carne e no óleo leva a um declínio cognitivo em ratos que tiveram traumatismo craniano e em idosos e a vitamina E leva à uma melhora. O complexo de vitamina B, principalmente a B6, tem efeitos benéficos na memória de mulheres em diferentes idades. A colina encontrada na gema do ovo, carne de soja, frango, vitela, peru, fígado e alface, melhora crises de convulsão e a cognição. Zinco, presente em ostras, feijão, nozes, amêndoas, cereais integrais e girassol, diminui o declínio cognitivo característico da idade. O declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer está relacionando com baixo cobre que é encontrado em ostras, fígado bovino/cordeiro, castanha-do-pará, cacau, e pimenta do reino. Ferro, encontrado na carne vermelha, peixe, aves, lentilhas e feijão, melhora a função cognitiva em mulheres.

Mas como esses alimentos melhoram nossa cognição? Os efeitos dos alimentos na cognição e emoções podem começar antes da absorção do alimento pelo organismo, ativando receptores sensoriais olfativos e visuais. A ativação desses receptores pode alterar a ativação de neurônios envolvidos com a cognição. Além disso, as regiões do cérebro envolvidas na alimentação podem enviar axônios e ativar neurônios de regiões envolvidas com a função congnitiva. A leptina, um hormônio liberado pelo tecido adiposo após uma refeição, pode também chegar ao encéfalo e ativar receptores de leptina em regiões como o hipocampo e o hipotálamo e influenciar a aprendizagem e a memória. Sinais viscerais de receptores de nutrientes localizados no estômago e no intestino também podem modular a cognição. Neurônios do hipotálamo, uma região do encéfalo importante para muitos comportamentos fundamentais para a manutenção da vida, também inervam densamente o timo e podem ativar o sistema imunológico após uma refeição.  O intestino também apresenta inervação parasimpática e pode fornecer informações através do nervo vago por neurônios que chegam ao encéfalo e influenciar as emoções.  Inclusive, estão sendo testados métodos de estimulação do nervo vago para tratar a depressão crônica. A influência do microambiente intestinal em nossas emoções já foi tema de outro post do site.

     Agora, imagine o que acontece no seu cérebro quando você come uma colher de brigadeiro ou outro alimento que contenha açúcar. Cabe a seu cérebro decidir se repitirá outra colherada ou não. O neurotransmissor do sistema de recompensa, isto é, o sistema que faz com que nós desejemos repetir uma ação, é a dopamina. Há muitos receptores de dopamina no encéfalo. Esses receptores não estão igualmente distribuídos. Algumas áreas do encéfalo contém mais receptores dopamina. E esses locais que possuem mais receptores de dopamina fazem parte das áreas de recompensa. Drogas como álcool, nicotina ou heroína aumentam violentamente a liberação de dopamina nestas áreas e fazem com que a pessoa fique, em outras palavras, viciada. O açúcar também estimula a liberação de dopamina, mas essa liberação não é tão grande como a das drogas. Nem todos os alimentos liberam dopamina. Brocólis, por exemplo, não faz com que dopamina seja liberada. Isso explica porque é tão difícil fazer as crianças comerem vegetais.

      Quando você decide comer um prato saudável o nível de dopamina aumenta. Se você decide comer o mesmo prato por vários dias os níveis de dopamina aumentam nos primeiros dias. Mas, depois começam a diminuir cada dia mais e mais. Isso porque, quando se trata de comida, o cérebro dá atenção ao que é novo, ao que tem um sabor diferente. Isso acontece por duas razões. A primeira é para que o encéfalo aprenda a identificar quando uma comida é ruim. A segunda razão é que quanto mais variedade você tiver na sua dieta mais terá os nutrientes que você precisa. Esse princípio de uma dieta variada é seguido por uma sugestão amplamente dada por nutricionistas e médicos: comer um prato colorido é mais saudável. A variedade de nutrientes que um prato te fornecerá é mostrada pelo número de diferentes cores que ele possui.

      E o que acontece se você come o mesmo prato de doce todos os dias? Nos primeiros dias há um aumento de dopamina como acontece com prato saudável. Mas se você continuar comendo a sobremesa por vários dias os níveis de dopamina não irão diminuir. A liberação de dopamina é mantida por causa da recompensa. Em outras palavras comer muito açúcar aumenta a recompensa. Nesse sentido açúcar funciona um pouco como uma droga. Por isso nós adoramos comer alimentos com açúcar. Então, toda vez que açúcar é consumido começa um efeito dominó no cérebro que faz parte do sistema de recompensa. Um alto consumo de açúcar tem um alto efeito de vício no cérebro. Mas comer um pedaço de bolo de chocolate com recheio de chocolate e cobertura de chocolate de vez em quando não irá te machucar.

Para saber mais:

Willette AA, Bendlin BB, Starks EJ, Birdsill AC, Johnson SC, Christian BT, Okonkwo OC, La Rue A, Hermann BP, Koscik RL, Jonaitis EM, Sager MA, Asthana S. Association of Insulin Resistance With Cerebral Glucose Uptake in Late Middle-Aged Adults at Risk for Alzheimer Disease. JAMA Neurol. 2015 Jul 27.

Southon S1, Wright AJ, Finglas PM, Bailey AL, Loughridge JM, Walker AD. Dietary intake and micronutrient status of adolescents: effect of vitamin and trace element supplementation on indices of status and performance in tests of verbal and non-verbal intelligence. Br J Nutr. 1994 Jun;71(6):897-918.

Stein PK, Soare A, Meyer TE, Cangemi R, Holloszy JO, Fontana L.
Caloric restriction may reverse age-related autonomic decline in humans. Aging Cell. 2012 Aug;11(4):644-50. Epub 2012 May 21.

Fontana L, Partridge L, Longo VD. Extending healthy life span–from yeast to humans. Science. 2010 Apr 16;328(5976):321-6. .

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