A Neurociência do Halloween

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Por Laiali Chaar

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      Um estudo publicado domingo por neurocientistas da Universidade de Michigan mostrou que um filme ou uma série de terror pode deixar algumas pessoas se sentindo assustadas e ansiosas até 13 anos depois causando problemas para comer, dormir, náuseas, aumento dos batimentos cardíacos e medo de morrer. Lembra do boneco Chucky?!! Aposto que lembra….

         Mas não são só filmes de terror que causam medo. Um revólver na cabeça, a sala cheia de pessoas esperando a apresentação do seu trabalho, a porta batendo por causa do vento, barulhos estranhos dentro de casa, pessoas desconhecidas nos seguindo, animais bravos, uma barata voadora, um palhaço, o seu celular caindo no chão são motivo. O cérebro é acionado automaticamente. E ninguém tem controle sobre isso. Quem nunca?!!

          O medo é uma reação involuntária causada por algum estímulo estressante. O cérebro libera neurotransmissores que disparam o coração, as mãos suam, a respiração acelera, os músculos se contraem e perdemos o sono. Tudo isso é conhecido como reação de luta ou fuga. Esses estímulos são enviados para o tálamo que não sabe se os sinais são perigosos ou não, mas, manda a informação para a amígdala cerebral. Ela recebe os impulsos neurais e age para proteger você, dizendo ao hipotálamo que inicie a reação de luta ou fuga. Tudo é enviado para o hipocampo, que armazena nossas memórias e cria perguntas como: “Eu já ouvi esse barulho antes? O que aconteceu depois? Existem outras coisas acontecendo que dão pistas se é um ladrão ou vento?”. Todos os dados são analisados para descobrirmos o que pode ser.

            Mas sentir medo é algo bom, porque está associado ao instinto de sobrevivência. Se não o sentíssemos, não sobreviveríamos por muito tempo porque atravessaríamos uma rodovia por exemplo. Sinta medo, mas não deixe que teu medo te paralise. Feliz Halloween, meus amores!

Para saber mais:

Francis T. McAndrew, Sara S. Koehnk. On the nature of creepiness. New Ideas in Psychology, v. 43, p. 10–15, 2016.

Jared Wadley. Universidade de Michigan. Long Term Fright Reaction Extends Beyond Scary Movies and TV Shows. 28 de outubro de 2016.

Cheetham M, Suter P, Jäncke L.The human likeness dimension of the “uncanny valley hypothesis”: behavioral and functional MRI findings. Front Hum Neurosci., v. 5, p. 126, 2011.

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A Neurociência dos cachorrinhos

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Por Laiali Chaar

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         Como não amar esses animaizinhos iluminados que nos dão tanto carinho? Hoje você vai saber o que a Neurociência já sabe que se passa na cabeça desses peludinhos fofinhos.

     Você sabia que é provável que seu cão sonha com você? Segundo a psicóloga Deirdre Barrett que estudou anos os sonhos em Harvard, cachorros provavelmente sonham com o rosto, cheiro e que estão agradando ou incomodando seus donos.

     A Neurociência já comprovou também o que todos os donos já tinham certeza: cães entendem o que você diz e como diz como os humanos. Um artigo publicado mês passado na revista Science, uma das mais importantes do mundo, com ressonância magnética nos cérebros melhores amigos do homem provou que os cães também compreendem o seu sentimento quando fala. Fofo ❤❤

       Outra pesquisa mostrou que os cães tem consciência de que existem. Ou seja, nós não somos os únicos animais com essa percepção.

        Por essas e outras eles merecem ser tratados com respeito também. Então, aperte o seu cão fofinho o quanto puder agora para ele se sentir bem amado.

Quer saber mais?

Andics, A., Gábor, A.,  Gácsi, M., Faragó, T., Szabó, D., Miklósi A.. Neural mechanisms for lexical processing in dogs. Science  02 Sep 2016.

Andics A, Gácsi M, Faragó T, Kis A, Miklósi A. Voice-sensitive regions in the dog and human brain are revealed by comparative fMRI. Curr Biol. 3;24(5):574-8, 2014

Roberto Cazzolla Gatti. Self-consciousness: beyond the looking-glass and what dogs found there. Ethology, Ecology and Evolution. Published online November 13 2015 

Gregory Berns. How Dogs Love Us: A Neuroscientist and His Adopted Dog Decode the Canine Brain Hardcover – October 22, 2013.

Berns GS, Brooks AM, & Spivak M (2012). Functional MRI in awake unrestrained dogs. PloS one, 7 (5) PMID: 22606363

A Neurociência do horário de verão

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Por Laiali Chaar

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Imagem: Agência Fapesp / Instituto Brainn. Ressonância magnética funcional mostrando a ativação de neurônios de uma pessoa durante o sono nas áreas vermelhas e azuis.

       O corpo humano leva pelo menos 14 dias para se acostumar ao horário de verão segundo um estudo brasileiro

      Com a mudança no horário somos obrigados a acordar uma hora mais cedo e isso modifica o funcionamento do organismo. O sol em horários noturnos faz o cérebro produzir menos melatonina, o hormônio que regula o nosso sono. A diminuição de melatonina faz a pessoa ficar mais cansada, irritada, mal-humorada e com mais sono. Quem nunca?

         A diminuição do tempo de sono aumenta a produção de cortisol, hormônio do estresse estimulado pelo hipotálamo no cérebro. O cortisol nos deixa mais cansados, irritados, retem liquido e diminui nossa imunidade aumentando a chance de ficarmos doentes :O.

         Aos poucos o corpo começa a “se acostumar” com a nova rotina. Então, ai vão algumas dicas para ajudar nisso e diminuir os sintomas: acordar 15 minutos mais cedo em cada dia, dormir alguns minutos mais cedo na primeira semana de horário de verão, dormir no mesmo horário e em um ambiente escuro e silencioso, evitar o uso de televisão, celular, consumo de cafeína, alimentos pesados e exercícios antes de dormir. Boa sorte meus amores e força nessa primeira semana de horário de verão!

Para saber mais:

Guilherme Silva Umemura. Análise da ritmicidade circadiana nas transições do horário de verão. Tese, Universidade de São Paulo, 2015.

Yoo, S-S., Gujar, N., Hu, P., Jolesz, F.A., & Walker, M.P. (2007). The human emotional brain without sleep – a prefrontal amygdala disconnect. Current Biology, 17, 877-878.

O primeiro transplante de cabeça

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Por Laiali Chaar

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Foto: Science Photo Library

       O neurocirurgião italiano Sergio Canavero anunciou essa semana que deseja realizar o experimento do Frankenstein reanimando cadáveres no ano que vem. O objetivo final do experimento na verdade é religar a medula espinal de pessoas que sofreram lesão medular. Essa cirurgia dá esperança a quem teve uma lesão medular cervical. Mas, para isso, ele começará testando o transplante de cabeça de pessoas vivas que sofreram uma lesão medular para corpos de cadáveres. Esse experimento já foi feito pelo mesmo grupo de pesquisa em cães e camundongos que após o transplante de cabeça foram capazes de voltar a andar e abanar o rabo três semanas depois de ter sido paralisados do pescoço para baixo. Mas, no início deste ano, cientistas chineses afirmaram ter realizado o mesmo transplante de cabeça em um macaco que foi incapaz de recuperar os movimentos. Mas, experimentos em animais não garantem os mesmos resultados em humanos.

       O planejamento é religar a medula espinal do corpo do cadáver e depois utilizar a estimulação elétrica ou magnética para “reanimar” os nervos e os movimentos do cadáver, como no filme do Frankestein. Além disso, eles injetaram um produto químico chamado polietilenoglicol no espaço entre a medula espinhal dos ratos que colou as estruturas. Segundo o neurocirurgião, já foram realizados experimentos em 1800 corpos de criminosos que foram bem-sucedidos. Um artigo sobre isso foi escrito pelo Neurocirurgião na revista Surgical Neurology Internacional.

       Muitas dúvidas surgem sobre tudo isso. Como esse cirurgião irá religar todos os neurônios da medula espinal e garantir que o movimento seja recuperado? E os aspectos éticos do transplante de cabeça?  E você o que acha dessa cirurgia?

Para saber mais:

CANAVERO, S;  REN, XIAOPING. Houston, GEMINI has landed: Spinal cord fusion achieved. Surgical Neurology Internacional. Sep 13;7(Suppl 24):S626-8, 2016.

O que descobri no meu doutorado

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Por Laiali Chaar

img_7200📷: Fonte da imagem: Na foto aparecem corpos celulares e axônios de neurônios que usam CART como neurotransmissor. Chaar LJ et al 2016

               Essa é pra você que ficou curioso para saber o que estudei no Doutorado. Depois de 5 anos estudando o que uma dieta rica em gordura faz com o cérebro, descobri que um neurotransmissor chamado CART, que tem uma molécula bem parecida com a cocaína e anfetamina, está aumentado apenas em neurônios de obesos hipertensos. E ele parece ser a causa do aumento do sistema nervoso simpático, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral causados pela obesidade. Quem sabe isso possa ajudar um dia a encontrar a cura da hipertensão em obesos e diminuir o sofrimento de tantas pessoas. O artigo foi publicado na revista Physiological Reports. Quer ler o artigo onde foram publicados esses resultados na íntegra? Clica no link aí embaixo. Espero que gostem ❤️❤️.

Para saber mais:

Laiali Jurdi El Chaar. Como o açúcar e a gordura afetam nosso cérebro levando à hipertensão? Atlas of Science, 2017. 

Chaar LJ, Coelho A, Silva NM, Festuccia WL, Antunes VR. High-fat diet-induced hypertension and autonomic imbalance are associated with an upregulation of CART in the dorsomedial hypothalamus of mice. Physiol Rep., 2016

A Neurociência das férias

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Por Laiali Chaar

instagramImagem de ressonância magnética funcional das áreas cerebrais ativadas durante tarefas no trabalho (em azul e verde) e durante o descanso (em laranja e amarelo). Fonte da imagem: Adaptada de Raichle ME, 2015.

          Mês de julho, mês de férias, praia, montanha, sítio ou muitas horas de sono na cidade mesmo. Mas, o que acontece com nosso cérebro durante as férias? Os neurocientistas estão começaram a estudar a importância das férias para o nosso cérebro e descobriram que a atividade cerebral se reorganiza completamente durante este período.

    Podemos pensar que durante o descanso nosso cérebro fica sem atividade. Mas não é isso que acontece. A invenção de exames como o eletroencefalograma e a ressonância magnética funcional, mostraram uma realidade diferente: muitas áreas do cérebro são ativadas durante o descanso e durante as férias . Diversas pesquisas científicas revelaram que as áreas ativadas no cérebro quando estamos descansando são diferentes das áreas ativadas quando estamos trabalhando.

       Quando neurônios específicos são ativados dizemos que eles formam uma rede. Essas pesquisas descobriram que nosso cérebro tem duas redes principais: uma rede de tarefas positivas, também chamada de rede de controle executivo, que é ativada quando realizamos e focamos em uma tarefa. E uma rede de neurônios chamada de rede de processamento padrão ou rede de tarefas negativas, que é ativada quando deixamos a nossa mente descansar em um fim de semana ou durante as férias ou quando estamos sonhando enquanto dormimos. Essas duas redes estão na figura acima: em azul e verde está representada a rede de tarefas positivas e em laranja e amarelo está representada a rede de tarefas negativas. Quando uma destas redes é ativa a outra está desligada.

As duas redes são importantes para nossa vida e nos permitiram grandes descobertas. A rede de  tarefas negativas é a que nos permite fazer conexões entre ideias soltas e é responsável pelos nossos momentos de genialidade. Graças a ela resolvemos os nossos problemas mais complicados através de boas ideias.

     O nosso hipocampo, área importante da memória mantem uma lista atualizada de problemas como uma agenda. Quanto mais ativo o hipocampo, mais ativa outra região, o locus coeruleus, “lugar azul” do cérebro que, ao contrário do que o nome fofinho parece, é responsável por nos deixar acordados, estressados, prontos para a ação e preocupados com nossos problemas. Nas férias o hipocampo e o locus coeruleus são menos ativados, porque as únicas preocupações são que lugar visitar ou o que comer.

Há pelo menos 9 boas razões comprovadas pela Neurociência para tirar férias:

  • Aumentar a felicidade (graças a famosa dopamina que é liberada)
  • Aumentar a criatividade: ideias novas são importantes
  • Tomar melhores decisões
  • Aliviar o estresse: O estresse libera cortisol e adrenalina que alteram nossa resposta imune e a atividade cerebral
  • O contato com a natureza ajuda no relaxamento e deixa a mente sadia
  • O silêncio ajuda a ativar a rede de processamento padrão, diminui o estresse e favorece a neurogênese
  • Conhecer uma nova cultura ou uma realidade diferente da sua ajuda a ter um pensamento mais flexível
  • Aumentar a concentração na volta ao trabalho
  • Aumentar a produtividade na volta ao trabalho

 

       Mais detalhes de cada um desses itens serão assunto das próximas postagens do TUDO SOBRE CONTROLE. Agora você já sabe que a importância das férias foi até comprovada pela Neurociência. E se não der para tirar férias você pode transformar cada fim de semana em miniférias. Não é tão difícil quanto parece. Experimente começar desligando o computador e deixando os e-mails para segunda-feira. Seu cérebro agradece!

Para saber mais:

Dijksterhuis, A. et. Al. (2006) On making the right choice: the deliberation-without-attention effect. Science; 311(5763):1005-1007.

Fox MD, Snyder AZ, Vincent JL, Corbetta M, Van Essen DC, Raichle ME. The human brain is intrinsically organized into dynamic, anticorrelated functional networks. Proc Natl Acad Sci U S A. 102(27):9673-8, 2005.

Immordino, M. H. et. Al. (2012) Rest Is Not Idleness. Implications of the Brain’s Default Mode for Human Development and Education. Perspectives on Psychological Science; 7(4): 352-364.

Leung, A. K. et. Al. (2008) Multicultural experience enhances creativity: the when and how. The American Psychologist; 63(3): 169-181. 

Nawijn, J. et Al. (2010) Vacationers Happier, but Most not Happier After a Holiday. Applied Research in Quality of Life; 5(1): 35-47. 

Raichle ME. The brain’s default mode network. Annu Rev Neurosci. 38:433-47, 2015.

 

 

 

 

 

 

 

Confirmado! Vírus zika pode causar microcefalia

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Por Laiali Chaar

Figura 1Imagem de ressonância magnética de um encéfalo de um recém-nascido com encéfalo no tamanho esperado (esquerda) e de um com microcefalia (direita). 

     Poucas horas atrás pesquisadores brasileiros publicaram um artigo na revista Nature comprovando definitivamente que o vírus Zika pode causar microcefalia. Nele, foram feitos experimentos com camundongos por um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo que mostraram que o Zika é capaz nas grávidas de atravessar a barreira placentária, infectar e matar as células que dariam origem aos neurônios do feto causando má-formação do cérebro e microcefalia. Dados de testes em células sugerem também que o vírus zika que está sendo transmitido no Brasil é mais agressivo do que o vírus africano, que originalmente infectava macacos. Explicando assim, porque o vírus na África não provocou uma epidemia de microcefalia. Isso confirma a teoria de que, nos últimos anos, o Zika vírus teria sofrido mutações que o tornaram mais eficiente para infectar humanos. Essas ideias eram dúvidas até ontem e hoje foram comprovadas por esse grupo de pesquisadores brasileiros. O artigo com os resultados está no link abaixo:

Cugola, F. R.; Fernandes,  I. R.;  Russo, F. B.; Freitas, B. C.; Dias, J. L. M.; Guimarães, K. P.; Benazzato, C.; Almeida, N.; Pignatari, G. C.; Romero, S.;  Polonio, C. M.; Cunha, I.;  Freitas, C. L.; Brandão, W. N.; Rossato, C.; Andrade, D. G.; Faria, D. P.; Garcez, A. T.; Buchpigel, C. A.; Braconi, C. T.; Mendes, E.; Sall, A. A.; Zanotto, P. M. A.; Peron, J. P. S.; Muotri, A. R.; Beltrão-Braga, P C. B. The Brazilian Zika virus strain causes birth defects in experimental models. Nature letter, 2016.

 📷 Crédito da imagem: adaptada da assessoria de imprensa da Universidade de Yale.