Astrócitos, as estrelas do nosso cérebro

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Por Laiali Chaar 

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   Astrócitos tem esse nome, porque tem formato de estrelas. (ASTRO=estrela e CITOS=células). Eles são as células mais abundantes do encéfalo (65%) e estão intimamente associados com a sinapse que é a comunicação entre neurônios. Astrócitos regulam a transmissão de impulsos elétricos no cérebro. Por muito tempo pensou-se que eles só tinham papel estrutural no cérebro sustentando neurônios e vasos. Mas, nos últimos 20 anos, excitantes descobertas mostraram que os astrócitos são fundamentais na neurofisiologia. Sabemos agora que os astrócitos pode propagar ondas de cálcio e , semelhante a neurônios, podem liberar neurotransmissores. Há dados que sugerem comunicação entre astrócitos e neurônios por liberação de glutamato, um neurotransmissor excitatório. Em 2013, uma pesquisa publicada na revista Cell mostrou que o transplante de astrócitos humanos para camundongos melhora sua aprendizagem, memória e neuroplasticidade, sugerindo que a função dos astrócitos foi aumentada pela evolução. Estas novas descobertas tornaram os astrócitos alvos de pesquisa tão importantes quanto os neurônios.

Foto: Han et al., 2013. Cell Stem Cell

Para aprender mais:

Han X, Chen M, Wang F, Windrem M, Wang S, Shanz S, Xu Q, Oberheim NA, Bekar L, Betstadt S, Silva AJ, Takano T, Goldman SA, Nedergaard M. Forebrain engraftment by human glial progenitor cells enhances synaptic plasticity and learning in adult mice. Cell Stem Cell. Mar 7;12(3):342-53. 2013.

Fiacco TA, Agulhon C, McCarthy KD. Sorting out astrocyte physiology from pharmacology. Annu Rev Pharmacol Toxicol. 49:151-74. 2009

Gourine AV, Kasymov V, Marina N, Tang F, Figueiredo MF, Lane S, Teschemacher AG, Spyer KM, Deisseroth K, Kasparov SAstrocytes control breathing through pH-dependent release of ATP. Science. Jul 30;329(5991):571-5.2010.
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Quem é o Tudo Sobre Controle Neural?

 

Por Laiali Chaar 

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       Muitas pessoas estão curiosas e perguntando sobre quem escreve o Tudo Sobre Controle. Esta página é escrita por mim, Laiali Jurdi El Chaar. Eu tenho trinta anos. Sou brasileira, fisioterapeuta e neurocientista. Fiz mestrado e doutorado em Neurociências e Neuroimunologia. Trabalho na Universidade de São Paulo com pesquisa. Sou professora e supervisora de estágio de Fisioterapia Neurofuncional da Universidade Anhanguera. E nos últimos doze anos eu trabalho para salvar vidas à minha maneira. Não sou médica, não receito medicamentos. Uso informação e educação para isso. Eu estudo como nossos maus hábitos podem mudar nosso cérebro e nossas vidas.

Provas chegando? Descubra quais são as principais dicas comprovadas pela Neurociência para tirar uma boa nota

      Ano passado meu artigo de Mestrado foi publicado. Nele, eu descobri que apenas duas semanas de corrida leve são capazes de diminuir um neuropeptídeo que pode deixar as pessoas hipertensas e aumentar o sistema nervoso simpático: o Angiotensinogênio.  O Sistema nervoso simpático é formado por neurônios que aumentam nossos batimentos cardíacos e  nossa pressão arterial. Sua ativação em excesso faz com que você morra mais cedo por ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e outras doenças secundárias à hipertensão arterial. Então, o exercício aeróbio, já nas primeiras semanas de treinamento, previne todas essas doenças cardiovasculares.

    Esse ano meu artigo do Doutorado foi publicado. Depois de 5 anos estudando o que uma dieta rica em gordura faz com o cérebro. Nele descobri que um neurotransmissor chamado CART está aumentado apenas em neurônios de obesos hipertensos. E ele parece ser a causa do aumento do sistema nervoso simpático, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral causados pela obesidade. Quem sabe isso possa ajudar a encontrar a cura da hipertensão em obesos e diminuir o sofrimento de tantas pessoas.

Quer saber mais? Clica nos links que estão ai embaixo. Boa leitura!

Para palestras, aulas particulares, consultoria em Neurociência e Fisioterapia Neurofuncional: laialineurociencia@gmail.com

Para saber mais:

Laiali Jurdi El Chaar. Como o açúcar e a gordura afetam nosso cérebro levando à hipertensão? Atlas of Science, 2017. 

Chaar LJ, Alves TP, Batista Junior AM, Michelini LC.Early Training-Induced Reduction of Angiotensinogen in Autonomic Areas-The Main Effect of Exercise on Brain Renin-Angiotensin System in Hypertensive Rats. PLoS One. 2015.

Chaar LJ, Coelho A, Silva NM, Festuccia WL, Antunes VR. High-fat diet-induced hypertension and autonomic imbalance are associated with an upregulation of CART in the dorsomedial hypothalamus of mice. Physiol Rep., 2016

Laiali Jurdi El Chaar – Currículo Lattes

Laiali Jurdi Chaar – Research Gate 

Por que sentimos mais sono no inverno?

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Por Laiali Chaar 

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       Em artigo publicado na revista Current Biology na semana passada, cientistas das cidades de Oxford, Edimburgo e Manchester analisaram células do cérebro de ovelhas em diferentes épocas do ano e encontraram 17 000 células “calendário” que podem estar ativadas no modo “verão” ou no modo “inverno”. Isso também acontece em todos os vertebrados. Essas células estão na glândula hipófise que fica na base do encéfalo e liberam hormônios que controlam o organismo todo. Inclusive essas células podem alterar até o seu Sistema Imune. Essas células liberam hormônios do “verão” ou hormônios do “inverno”. Essa ativação diferente destas células tem função importante para ativar as migrações de animais, hibernações e temporadas de acasalamento e, finalmente, explica por que os cordeiros nascem na primavera. Isso explica também porque você sente mais sono no inverno. Como as noites no inverno são mais longas é produzida mais melatonina, um hormônio que estimula o sono e age nessas “células calendário”. Então, você já pode usar uma justificativa científica no próximo inverno para dormir mais.

Para saber mais:

Wood SH, Christian HC, Miedzinska K, Saer BR, Johnson M, Paton B, Yu L, McNeilly J, Davis JR, McNeilly AS, Burt DW, Loudon AS. Binary Switching of Calendar Cells in the Pituitary Defines the Phase of the Circannual Cycle in Mammals. Curr Biol. 2015

Células da Glia

 

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Células-tronco neurais diferenciadas de rato coradas para β III-tubulina (em verde) para revelar os neurônios, GFAP (em azul) para revelar células gliais e DAPI (em vermelho) para revelar os núcleos de células.
Autor 📷: Natalie Prigozhina

Quer saber qual a fonte da juventude? Os cientistas descobriram… pelo menos no cérebro

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Crédito da imagem – Figura mostrando os neurônios dos camundongos que receberam as transfusões. Cada ponto marrom é um neurônio. Note o maior número de neurônios no idoso (abaixo à direita) que recebeu a transfusão de sangue de animais jovens. Note também o menor número de ramificações nos neurônios do jovem que recebeu transfusão de sangue de um idoso (acima à esquerda).
      Drácula estava certo! Cientistas encontraram uma maneira de reverter o envelhecimento dos neurôniosCamundongos jovens receberam uma transfusão de sangue de camundongos idosos e camundongos idosos receberam sangue de jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford na Califórnia queria saber qual o efeito dessas transfusões sobre o cérebro e publicou os resultados na Revista Nature. Com o envelhecimento, neurônios  perdem suas conexões e começam morrer até que, finalmente, o cérebro encolhe e torna-se menos eficaz. Uma região chamada hipocampo, crucial para a memória e aprendizagem, é um dos primeiras áreas do cérebro se deteriorar com a idade, causando falhas na memória e no raciocínios. Mas, os camundongos velhos que receberam sangue jovem experimentaram uma explosão de crescimento de neurônios no hipocampo. Eles tinham de três a quatro vezes mais neurônios do que os camundongos idosos que não receberam transfusão como muitos camundongos recém-nascidos. Mas isso não foi tudo: o sangue de idosos teve o efeito oposto sobre o cérebro de camundongos jovens, bloqueando o nascimento de novos neurônios e deixando-os parecendo velhos antes do tempo. Como é o cérebro que controla nosso organismo  inteiro se isso também acontecer em outras áreas do cérebro pode ser que haja um rejuvenescimento das funções de todos os nossos órgãos. Esta descoberta é uma esperança paratratamento de doenças neurodegenerativas relacionadas a idade em que há morte neuronal como Parkinson e Alzheimer. O que atualmente está sendo testado em humanos. Então, Drácula estava certo, o sangue de jovens pode ser a fonte eterna da juventude.
Para saber mais:

É possível transmitir Alzheimer de uma pessoa para outra

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Por Laiali Chaar 

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Crédito da Imagem: Alfred Pasieka/ Science Photo Library – À esquerda encéfalo com Alzheimer com diminuição da massa encéfalica e à direita encéfalo normal

      É possível transmitir a doença de Alzheimer de uma pessoa para outra, de acordo com um estudo feito por cientistas da University College de Londres publicado ontem na revista Nature. Não é possível adquirir  Alzheimer por cuidar de alguém com a doença. Mas a transmissão pode ocorrer  em situações inusitadas envolvendo exposição direta ao tecido cerebral como neurocirurgias através de material cirúrgico contaminado. A contaminação faz com que haja deposição de proteína amilóide que causa Alzheimer no cérebro de outra pessoa afetando ao longo dos anos a memória e o raciocínio.

       Entre 1958 e 1985 pessoas com baixa estatura receberam hormônio de crescimento extraído da glândula pituitária, também chamada de hipófise, que se localiza na base do encéfalo. Essa hipófise era retirada de cadáveres. Estes cientistas estudaram cérebros de pessoas após a morte e observaram que pessoas que receberam injeção deste hormônio de crescimento quando eram crianças, 30 anos depois apresentavam depósito de proteína amilóide no cérebro que causa Alzheimer e problemas de memória e pensamento. Os pacientes tinham idades de 36 e 51, ou seja, jovens demais para apresentar a doença de Alzheimer. Esses resultados sugerem que Alzheimer possa ser transmitido em procedimentos invasivos como uma neurocirurgia.

Para saber mais:

Jaunmuktane Z, Mead S, Ellis M, Wadsworth JDF, Nicoll AJ, Kenny J, Launchbury F, Linehan J, Richard-Loendt A, Walker AS, Rudge P, Collinge J,  Brandner S. Evidence for human transmission of amyloid-β pathology and cerebral amyloid angiopathy. Nature 525, 247–250 (10 September 2015). 

Como é possível ver imagens nos nossos sonhos?

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Por Laiali Chaar 

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      Como é possível ver nossos sonhos e eles parecerem tão reais? Como o cérebro consegue ver nossos sonhos? Um artigo publicado há duas semanas na revista Nature desvendou parte deste mistério. Os pesquisadores mostraram que a atividade dos neurônios durante os sonhos é acontece na mesma intensidade de quando estamos acordados olhando para algo novo. Incrível, não?! Além disso, essa atividade cerebral não aparece quando estamos acordados em uma sala totalmente escura. Isso sugere que o cérebro realmente “vê” os sonhos acontecendo. Isso é surpreendente porque mostra que nosso cérebro não descansa durante os sonhos. Ele forma realmente as imagens que nós vemos, como se estivéssemos vendo de verdade. É a primeira vez que isso é mostrado por uma pesquisa científica.

       Durante os sonhos, apenas a atividade muscular é suprimida para que não realizemos nossos sonhos. Ainda bem, imagine se uma pessoa pulasse da janela toda vez que sonhasse isso.

            Normalmente, a atividade cerebral é medida de uma maneira não-invasiva por eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Mas, os investigadores da Universidade de Tel Aviv em Israel gravaram a atividade do cérebro com eletrodos dentro do cérebro de pacientes com epilepsia. Esses eletrodos foram implantados no lóbulo temporal, uma região do cérebro que tem atividade associada à consciência visual. Participaram do estudo pacientes que não melhoraram depois de um tratamento com medicamentos para mapear sua atividade cerebral e estudar a necessidade de uma cirurgia.

        Sonhos são o maior mistério da pesquisa científica sobre o sono. Sigmund Freud, tinha a teoria de que a função de sonhar é expressar os desejos não realizados. Em 1953, o pesquisador americano Eugene Aserinsky percebeu que seu filho de oito anos tinha movimentos oculares rápidos durante o sono. Esses movimentos oculares sugeriam que existia atividade cerebral durante o sono.

      Pessoas que apresentam cegueira desde o nascimento têm movimentos oculares mas não existe nenhum conteúdo visual em seus sonhos. Então, a função desses movimentos oculares durante os sonhos era totalmente desconhecida. Esse artigo da revista Nature nos dá alguma ideia sobre isso. O artigo revela que os movimentos oculares ativam áreas cerebrais da visão. Já sabíamos que o sono é importante para o descanso e o rejuvenescimento, mas é provável que ele tenha outras funções importantes também.

       Na vida cotidiana, quando vemos as coisas, nossos olhos e o nosso cérebro recolhem e processam a informação do campo visual para dar significado. Durante os sonhos, de alguma forma, nós processamos informações que foram ignoradas enquanto estávamos acordados, mas que precisam ser mostradas durante os sonhos. Assim, de alguma forma, Freud estava certo desde o início.

Para saber mais:

Andrillon T, Nir Y, Cirelli C, Tononi G, Fried I. Single-neuron activity and eye movements during human REM sleep and awake vision. Nat Commun. 2015 Aug 11