O vírus zika e a epidemia de microcefalia no Brasil

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Por Laiali Chaar

Figura 1Imagem de ressonância magnética de um encéfalo de um recém-nascido com encéfalo com tamanho esperado (esquerda) e de um com microcefalia (direita). 

           Microcefalia é uma condição congênita rara. Nela, o cérebro e o crânio são menores do que o esperado para a idade do feto ou do bebê. Ela é causada por uma alteração genética ou por substâncias tóxicas como drogas ou radiação ou infecções que interferem no desenvolvimento cerebral. Essa diminuição do cérebro pode causar uma série de déficits neurológicos, cognitivos e motores, e retardo mental. Em Agosto deste ano, a Neuropediatra brasileira  Vanessa Van der Linden Mota percebeu um aumento de vinte vezes no número de casos de microcefalia e alertou colegas e a Secretaria de Saúde. A investigação dela começou por causa de um caso de gêmeos em que um dos bebês nasceu normal e o outro com sequelas de uma infecção grave transmitida pela mãe. Foram feitos exames para citomegalovírus, sífilis, toxoplasmose e rubéola, que costumam ser responsáveis por alguns dos casos de microcefalia, porém todos foram negativos. A prova da relação entre o vírus zika e a epidemia de microcefalia foi descoberta quando a obstetra Adriana Meloa colheu o líquido amniótico de duas pacientes que estavam grávidas de bebês com microcefalia e nele foi encontrado o material genético do zika vírus. Além disso, havia zika vírus no sangue de um bebê do Ceará com microcefalia que acabou morrendo. Assim descobriu-se que a epidemia brasileira de microcefalia está ligada a infecção do zika vírus na mãe, o que já foi  inclusive confirmado pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde no dia 28 de novembro. Agora está sendo investigada uma possível relação do zika vírus com a síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica.

         A confirmação da relação entre o vírus e a microcefalia é inédita na ciência mundial. E ainda não existem trabalhos científicos publicados sobre isso. Como a epidemia de microcefalia é muito recente, ainda há diversas dúvidas no ar: como o vírus atua no organismo e infecta o feto, quais mecanismos levam à microcefalia, o risco do vírus atravessar a placenta é alto ou baixo e qual o período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em uma análise inicial do Ministério da Saúde, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez. A hipótese é de que o zika vírus invade a placenta, entra na corrente sanguínea do feto e vai direto para o cérebro, para infectar os neurônios. Ali, o vírus se multiplicaria provocando uma inflamação que retarda a multiplicação dos neurônios e prejudica a formação do cérebro da criança

           O vírus foi identificado pela primeira vez em 1947 em um macaco rhesus na floresta Zika, da Uganda, e por isso tem esse nome (não, não é pela zica dos danos que provoca). No Brasil, ele foi identificado pela primeira vez este ano, em Abril. Não existem vacinas para o vírus zika. Então, a única maneira de combater o zika vírus, dengue e chikungunya é acabando com o vetor, o mosquito Aedes aegypti, evitando acumular água parada em pneus, garrafas e vasos de plantas. Em caso da detecção de focos de mosquito que o morador não possa eliminar, é importante acionar a Secretaria Municipal de Saúde do município. Há indícios ainda de que fluidos corporais, como o sêmen, o sangue e o próprio leite materno também possam propagar o vírus zika, mas nada confirmado. E, por enquanto, a indicação médica é para que mulheres grávidas se protejam contra picadas: evitem horários e lugares com presença de mosquitos, usem roupas que protejam a maior parte do corpo, usem um repelente adequado e permaneçam em locais com barreiras para entrada de insetos como telas de proteção ou mosquiteiros. Além disso, é muito importante que relatem ao seu médico qualquer alteração em seu estado de saúde e que realizem o pré-natal para investigar microcefalia no feto através da ultrassonografia.

Atualização em 01/04/2016: A Organização da Saúde confirmou a relação entre o vírus da Zika e microcefalia nessa semana. Foram publicados alguns trabalhos científicos confirmando a relação do vírus Zika com microcefalia. Agora isso é um consenso científico.Cientistas encontraram o vírus no cérebro de bebês afetadas com microcefalia e agora um artigo foi publicado demonstrando que a infecção por vírus Zika aumenta a chance de nascimentos de bebês com microcefalia. A questão ainda sem resposta é seria o Zika realmente o culpado pelo aumento dos casos de microcefalia? E se eu pegar uma infecção de Zika durante a gravidez, quais são as chances de que meu bebê vai ser afetadoAtualmente, o vírus Zika está circulando em 33 países, nas Américas e infectou centenas de milhares de pessoas.

📷 Crédito da imagem: adaptada da assessoria de imprensa da Universidade de Yale.

Para saber mais:

Mishra-Gorur K, Çağlayan AO, Schaffer AE, Chabu C, Henegariu O, Vonhoff F, Akgümüş GT, Nishimura S, Han W, Tu S, Baran B, Gümüş H, Dilber C, Zaki MS, Hossni HA, Rivière JB12, Kayserili H, Spencer EG, Rosti RÖ, Schroth J, Per H, Çağlar C, Çağlar Ç, Dölen D, Baranoski JF,Kumandaş S, Minja FJ, Erson-Omay EZ, Mane SM, Lifton RP, Xu T, Keshishian H, Dobyns WB, Chi NC, Šestan N1, Louvi A, Bilgüvar K, Yasuno K, Gleeson JG, Günel M. Mutations in KATNB1 cause complex cerebral malformations by disrupting asymmetrically dividing neural progenitors. Neuron, Dezembro, 2014.

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Vitamina D pode ajudar a diminuir progressão da esclerose múltipla

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Por Laiali Chaar

vitamina D

Foto de cultura de oligodendrócitos com perda de mielina (à esquerda), em que a maioria dos axônios (vermelho) recuperaram uma bainha de mielina (verde) oito dias depois da desmielinização. Ao bloquear o receptor de vitamina D, a mielina (verde) diminui, ou seja, a  regeneração é prejudica (à direita).

         Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Cambridge nesta segunda-feira mostrou que a vitamina D quando se liga a seu receptor aumenta a produção de oligodendrócitos, célula que produz a bainha de mielina, estimulando assim sua regeneração mais rápida. A Esclerose Múltipla é uma doença neurodegenerativa em que o Sistema Imunológico ataca e danifica a mielina. A bainha de mielina recobre os axônios possibilitando uma transmissão rápida dos impulsos elétricos responsáveis por transmitir as mensagens do corpo para o cérebro e do cérebro para o corpo e controlar todas as nossos comportamentos e funções. Por isso, pacientes com esclerose tem como principais sintomas perda de movimento, equilíbrio e fadiga muscular. Os cientistas há muitos anos procuram uma maneira de reparar este dano à mielina. Até agora, a maioria das pesquisas sobre vitamina D estudava seu papel na causa da doença. Este trabalho inova sugerindo o papel da vitamina D no tratamento para a progressão da Esclerose Múltipla.

            Esse estudo foi feito em culturas de células neurais. E muitas vezes a resposta em um organismo interno ou em humanos é diferente do que vemos em culturas de células. Isso acontece devido a outros fatores sistêmicos e hormonais que interferem nas respostas e funções de qualquer células. Portanto, mais estudos são necessários para entender melhor o papel da vitamina D na esclerose múltipla em animais e humanos. A vitamina D pode ser obtida através de exposição solar ou suplementação. Mas um exame de sangue prévio é necessário para se certificar dos níveis da vitamina e prevenir uma intoxicação por vitamina D. A ideia agora dos pesquisadores é desenvolver uma droga que se ligue ao receptor de vitamina D e que tenha os mesmos efeitos que a vitamina. E esse pode ser quem sabe daqui alguns anos um tratamento seguro para a Esclerose Múltipla melhorando seus sintomas e as dificuldades de seus portadores.

📷 Crédito da imagem: De la Fuente et al., 2015.

Para Saber Mais:

Alerie Guzman de la Fuente, Oihana Errea, Peter van Wijngaarden, Ginez A. Gonzalez, Christophe Kerninon, Andrew A. Jarjour, Hilary J. Lewis, Clare A. Jones, Brahim Nait-Oumesmar, Chao Zhao, Jeffrey K. Huang, Charles ffrench-Constant, and Robin J.M. Franklin. Vitamin D receptor–retinoid X receptor heterodimer signaling regulates oligodendrocyte progenitor cell differentiation. Journal of Cell Biology, 7 Dezembro2015.

#meuamigosecreto não sabe, mas é psicopata

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Por Laiali Chaar 

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#meuamigosecreto não tem nenhuma relação comigo. Ele me stalkeia, me monitora através das redes sociais, me assedia, invade meu mundo, me manda mensagens, me persegue, solicita informações sexuais, vasculha minha vida e se faz de vítima quando eu não respondo. Meu amigo secreto invadiu meu email e meu computador e roubou informações e fotos minhas para me difamar e me manipular. Mas, o que meu amigo secreto não sabe é que esse comportamento é uma psicopatia e gera medo e em alguns casos até suicídio de sua vítima. Quer saber como a Neurociência explica a perseguição virtual, o “stalking”? Leia abaixo.

        “Stalkear” é o verbo usado para o assédio obsessivo de uma pessoa sobre outra, a observando e seguindo, com comunicação indesejada e persistente utilizando mais de um tipo de comportamento de perseguição utilizando redes sociais. A Neurociência mostrou que pessoas que agem assim tem personalidade psicopata. Psicopatas não sentem empatia, ou seja, afeto por outra pessoa, são sádicos, narcisistas, impulsivos, não tem noção do que é moralmente aceito e tem grande habilidade de exercer poder e manipular. A internet facilita a expressão da psicopatia por ser anônima, manter distância física e esconder sinais de comunicação não-verbais para que os infratores sejam descobertos. Uma pesquisa feita com 68615 homens e mulheres entre 16 e 59 anos mostrou que 70% das vítimas são mulheres. 90% dos perseguidores são homens jovens que são parceiros atuais ou ex-parceiros da vítima seguidos por conhecidos e desconhecidos. A maior taxa de homens entre os perseguidores pode refletir uma interpretação equivocada do que é masculinidade, de que tudo vale para seduzir alguém, exercendo comportamentos psicopatas como relação de poder, opressão, agressividade e violência. A Neurociência ainda tem feito poucas pesquisas sobre os mecanismos que causam o comportamento de “stalkear” em redes sociais. Não é possível controlar o comportamento de um psicopata, mas é possível não se acostumar com isso e perceber que se trata de um crime contra a liberdade individual.

📷 Crédito da imagem

Para saber mais:

Nevin A D, Paré P P, Quan-Haase A. Cyber-Psychopathy: Examining the Relationship between Dark E-Personality and Online Misconduct. Tese. Universidade de Western Ontario. Julho 2015

SPITZBERG B, H. The Tactical Topography of Stalking Victimization and
Management. Trauma Violence Abuse October  vol. 3 no. 4 261-288 2002

J.A. Reavis. Encyclopedia of Forensic and Legal Medicine. FORENSIC
PSYCHIATRY AND FORENSIC PSYCHOLOGY | Stalking. 2015, Pages 437–443

Exposição ao formaldeído aumenta a chance de esclerose lateral amiotrófica

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Por Laiali Chaar 

 

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      Esse post é pra você que adora uma escova progressiva ou uma aula de Anatomia ou não sai do laboratório de Histologia… Cuidado com o formol, ele pode matar seus neurônios…

      Em 2009, epidemiologistas da Harvard começaram a montar um quebra-cabeça procurando relações entre esclerose lateral amiotrófica e a exposição à diversas substâncias como pesticidas e herbicidas em 1 milhão e meio de pessoas. Apenas uma substância acendeu a luz vermelha: o formaldeído, também conhecido como formol, substância comumente utilizada para embalsamar cadáveres, em funerais, laboratórios de aula de Anatomia e na famosa escova progressiva feita em salões de beleza brasileiros para hidratar o cabelo. Pessoas que trabalham expostas regularmente ao formol tem três vezes mais chance de morrer por esclerose lateral amiotrófica comparadas a pessoas que não foram expostas ou pouco expostas. A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que provoca perda progressiva da força muscular e da coordenação motora e sua causa ainda é um mistério. Por enquanto, o que podemos afirmar é que trabalhadores muito expostos ao formal devem ter cautela e trabalhar em um ambiente com uma ventilação adequada para minimizar a exposição ao formaldeído.

📷 Crédito da imagem: Eric Huang, Universidade da California, São Francisco. À esquerda motoneurônios na medula espinhal de camundongos saudáveis e à direita diminuição do número de motoneurônios na medula espinhal

Para saber mais:

Roberts AL; Johnson NJ; Cudkowicz ME; Eum KD MG; Weisskopf. MG.  Job-related  formaldehyde exposure and ALS mortality in the USA. J Neurol Neurosurgery Psychiatry. 2015

A mulher que pode farejar a doença de Parkinson

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Por Laiali Chaar 

parkinson

   O Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva marcada por tremor e dificuldades de movimentos. Seis anos antes do marido de Joy Milne ser diagnosticado com Parkinson ela percebeu que ele passou a ter um cheiro diferente e almiscarado. Ela só relacionou esse odor ao Parkinson após visitar uma instituição onde conheceu mais pessoas com a doença que tinham o mesmo odor que seu marido. Em testes feitos por pesquisadores com camisetas de pessoas com ou sem a doença ela acertou 11 entre 12. Uma possível explicação é que o sebo, um óleo que lubrifica e impermeabiliza a pele, é quimicamente alterado em pessoas com Parkinson produzindo um odor único que pode ser percebido por algumas pessoas que tem um #olfato poderoso, como ela. Graças a Milne, pesquisadores do Instituto de Biotecnologia de Manchester e da Fundação Parkinson UK estão investigando se algum teste de odor da pele poderia detectar o #Parkinson precocemente o que seria uma esperança para milhares de pessoas.

📷 Rakshi et al,. Brain, 1999

Para saber mais:

Rakshi JS, Uema T, Ito K, Bailey DL, Morrish PK, Ashburner J, Dagher A, Jenkins IH, Friston KJ, Brooks DJ. Frontal, midbrain and striatal dopaminergic function in early and advanced Parkinson’s disease A 3D [(18)F]dopa-PET study. Brain. v.122, p. 1637-50, 1999,

Seu cérebro é sua impressão digital

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Por Laiali Chaar 

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      Resultados publicados semana passada na revista Nature Neuroscience de pesquisadores da Universidade de Yale, EUA mostraram que cada pessoa tem uma ativação do córtex frontoparietal e frontal medial única como as impressões digitais e podem identificar com precisão indivíduos em um grupo maior. Estas áreas cerebrais estão envolvidas em funções como atenção, memória e linguagem. Os pesquisadores utilizam uma técnica de ressonância magnética funcional (fMRI) em diferentes tarefas e repouso para medir o fluxo sanguíneo no cérebro de 126 indivíduos. O fluxo sanguíneo está correlacionado com a ativação neuronal, pois um aumento na ativação neuronal necessita de um aumento no fornecimento de energia para a região. Assim, a fMRI é muito utilizada para estudar a atividade regiões do cérebro. É possível parear ressonâncias da mesma pessoa feitos em dias diferentes ou fazendo tarefas diferentes. Essa ativação neural única também pode prever como uma pessoa realizará um teste de inteligência ou o risco para o desenvolvimento de doenças como esquizofrenia, depressão ou Alzheimer.

📷 Emily Finn, Nature Neuroscience, 2015

Para saber mais:

Finn ES, Shen X, Scheinost D, Rosenberg MD, Huang J, Chun MM, Papademetris X, Constable RT. Functional connectome fingerprinting: identifying individuals using patterns of brain connectivity. Nature Neuroscience. 2015 Oct 12.

Pobreza na infância prejudica o desenvolvimento do cérebro

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Por Laiali Chaar

romanian children

      Hoje é comemorado o dia das crianças no Brasil, mas talvez o mundo não tem muito o que comemorar. Qual a diferença entre esses dois cérebros? Os dois são de crianças com a mesma idade. Mas por que o primeiro está muito mais vermelho e colorido? O vermelho significa massa cerebral e ativação neuronal. A diferença é que a criança da direita que tem um encéfalo menor e menos ativado vive na pobreza. Já é bem conhecido que a pobreza nos primeiros anos de vida está associada a baixo desempenho escolar, mas dois estudos publicados neste ano associaram a pobreza à diferenças no desenvolvimento da estrutura do cérebro. Crianças pobres tem um cérebro menor, que será menor para sempre, menos substância branca e cinzenta em áreas como o lobo temporal e lobo frontal, que são áreas do córtex cerebral, e o hipocampo. Estas áreas cerebrais, criticas para o raciocínio e necessárias para o sucesso acadêmico, são vulneráveis ao ambiente em que a criança se desenvolve. De acordo com a UNICEF, a pobreza cresce a cada ano no mundo e hoje uma a cada cinco crianças no mundo vive na pobreza. Uma intervenção política efetiva é urgente.

Crédito da foto: PhD Vincent Felitti

Para saber mais:

Noble KG, Houston SM, Brito NH, Bartsch H, Kan E, Kuperman JM, Akshoomoff N, Amaral DG, Bloss CS, Libiger O, Schork NJ, Murray SS,Casey BJ, Chang L, Ernst TM, Frazier JA, Gruen JR, Kennedy DN, Van Zijl P, Mostofsky S, Kaufmann WE, Kenet T, Dale AM, Jernigan TL, Sowell ER. Family income, parental education and brain structure in children and adolescents. Nat Neurosci. 2015.18(5):773-8. 2015 Mar 30.

Hair NL, Hanson JL, Wolfe BL, Pollak SD. Association of Child Poverty, Brain Development, and Academic Achievement. JAMA Pediatr. Sep 1;169(9):822-9. 2015.

Sheridan MA, Fox NA, Zeanah CH, McLaughlin KA, Nelson CA. Variation in neural development as a result of exposure to institutionalization early in childhood. Proc Natl Acad Sci U S A. Aug 7;109(32):12927-32. 2012.

Dube SR, Felitti VJ, Dong M, Giles WH, Anda RF. The impact of adverse childhood experiences on health problems: evidence from four birth cohorts dating back to 1900. Prev Med. 2003 Sep;37(3):268-77.