A Neurociência do Star Wars

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        A arte e a ciência caminham de mãos dadas mesmo que as vezes pareçam  distantes. Se você acha que sabres de luz, naves da frota imperial e a Força não tem nada a ver com neurônios, potenciais de ação e ondas cerebrais você está totalmente enganado. Se você é fã de Star Wars, como eu, chegou a hora de saber mais sobre o que esse filme faz com seu cérebro e a Neurociência de Star Wars.
          Pela primeira vez em dez anos, um novo filme desta saga está entre nós. E isso faz o núcleo accumbens de seus fãs liberar o neurotransmissor dopamina o mais rápido que ele pode. O núcleo accumbens, representado na figura abaixo, é uma região localizada na região central do encéfalo e faz parte do sistema de recompensa (já falei um pouco sobre sistema de recompensa e  dopamina aqui no TUDO SOBRE CONTROLE). Essa região do cérebro gera nosso prazer, nossa impulsividade e nosso comportamento maternal. Tecnicamente, tudo que nos faz feliz libera dopamina no núcleo accumbens como, por exemplo: comer, se apaixonar, viajar, dormir, estar com quem gostamos, esperar pelo novo filme do Star Wars ou pelo próximo post do TUDO SOBRE CONTROLE hehe.
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Imagine um cérebro visto pela parte superior. O núcleo accumbens está localizado próximo à região central do cérebro. 

O prazer teve uma função importantíssima em nossa evolução. O prazer aumentou a probabilidade de sobrevivência de nossa espécie porque gerou comportamentos como comer alimentos mais calóricos, dormir bem, aprender novas habilidades, buscar apoio social e fazer sexo. Esse prazer também aumentou a motivação para repetir essas atividades até ficarmos saciados. Atualmente, o prazer pode ser estimulado por qualquer atividade prazerosa mesmo sem função de sobrevivência, como jogos, músicas, dancar, ler livros, assistir Star Wars: o Despertar da Força ou outro filme que você goste ou ler as matérias do TUDO SOBRE CONTROLE hehe. O prazer é especialmente superativado por drogas como álcool, anfetaminas e heroína. Por isso, o núcleo accumbens e a dopamina também são responsáveis pelos vícios, ou seja pela dependência química e física gerada pelas drogas.

         Em uma sala de cinema dezenas de estranhos se sentam ao lado um do outro. Porém, estudos científicos mostraram que, mesmo sem se conhecer, as pessoas tendem a piscar ao mesmo tempo. Além disso, a maioria dos telespectadores foca sua atenção no mesmo ponto das cenas. E até mesmo a atividade cerebral da plateia é sincronizada. Uma pesquisa publicada na revista Science em 2004 utilizou eletroencefalograma para analisar as ondas cerebrais e o eye tracking, técnica usada para analisar os movimentos oculares e o padrão de fixação do olhar enquanto a plateia assistia diversos filmes. Essa pesquisa mostrou que filmes bem estruturados e que usam muitos recursos cinematográficos como cortes, ângulos de câmera e composições conseguem sincronizar até  70% da atividade cerebral da plateia. Incrível, não é? Isso é um pouco assustador, porque dá a ideia de que o filme domina a percepção e a  atividade cerebral da platéia. E é justamente isso que acontece.  Por exemplo, em uma cena do filme Cisne Negro em que Nina, a personagem principal, imagina sentir penas negras nascendo nas suas costas, alcança 70% de sincronia no córtex dos espectadores analisados.
      Então quer dizer que, depois desses resultados, os estúdios de cinema podem usar ressonância magnética para saber que filmes atraem o público ou não? Talvez, depende. Isso porque em filmes que brincam com a ambiguidade e a falta de estrutura o diretor deseja que a platéia não tenha uma sincronização de seus pensamentos. Então, nesse tipo de filme, seria mais desejado que a plateia nao tivesse sincronia em sua atividade cerebral.

Agora que você já sabe o que assistir o novo Star Wars faz com seu cérebro chegou a hora de revelar a Neurociência por trás dos personagens e acontecimentos do Star Wars. Atenção, a partir de agora haverá spoillers dos filmes 1,2,3,4,5, e 6, mas não do novo filme que está em cartaz. Então, se você ainda não assistiu os filmes anteriores e não quer saber o que aconteceu, não leia daqui em diante.

Muitos personagens de Star Wars precisariam fazer uma visitinha em um terapeuta. Star Wars foi usado por cientistas para estudar aspectos da mente humana. Estes cientistas inclusive sugerem que o exemplo dos personagens seja usado nas aulas para ilustrar aos alunos diversas doenças psiquiátricas. No filme aparecem muitos traços do “lado negro” de personalidades como: maquiavelismo, narcisismo, psicopatia, tensão sexual entre irmãos, traição amorosa e problemas sérios entre pai e filho. Darth Vader é um clássico exemplo em que a influência dos pais levou ao desenvolvimento do “lado negro” da personalidade  de seus filhos. Psicólogos neste estudo analisaram que o jovem Darth Vader, Anakin Skywalker, apresenta traços de uma personalidade borderline, C3PO é obsessivo compulsivo, Mestre Yoda tem dislexia e Luke Skylwaker tem esquizofrenia prodromal,  Jar Jar Binks é psicopata e apresenta transtorno de déficit de atenção e personalidade.

No filme o Império Contra-Ataca, Darth Vader congela Han Solo em uma câmara congelante de carbono, mesmo assim Han Solo continua vivo apesar de congelado até ser resgatado no próximo filme. Mas, seria possível congelar alguém em carbonito na vida real? Seria possível fazer isso na vida real não com carbonito, mas com nitrogênio liquido, preservando o corpo da decomposição mesmo após a morte. Realmente, existe uma empresa particular que faz isso, porém ela congela apenas as cabeças das pessoas  para reduzir os custos de congelamento por décadas, talvez séculos. Esse processo preservaria o encéfalo e as sinapses que decodificam a memória e a personalidade do indivíduo. Um desafio deste congelamento  é garantir que não se formem cristais de gelo durante o processo, pois isso mataria os neurônios e outras células cerebrais. Apesar disso, nenhum ser humano foi ainda ressucitado por esse processo, apenas peixinhos dourados. Então, não podemos dizer se Han Solo poderia realmente sobreviver a este procedimento.

    Darth Vader possuía pernas robóticas. No fim do filme o Império contra-ataca, Luke perde seu braço após um duelo de sabre de luz com Vader. Graças a cibernética, ele também recebe uma mão robótica que controla com o pensamento. Quando esse filme foi filmado mãos robóticas eram ainda ficção científica, mas hoje em dia são realidade. Ano passado, cientistas da Universidade John Hopkins, fizeram com que Les Baugh fosse o primeiro amputado de membro superior bilateral a controlar os movimentos de um braço biônico com o pensamento. Isso foi possível graças a técnica de eletroencefalograma de novo, mas dessa vez com eletrodos dentro do crânio, que traduzem a ativação de neurônios e gera movimentos no braço biônico. Essa invenção poderá ajudar a melhorar a vida de milhões de pessoas com necessidades especiais.
        A Força é um conceito ficcional, mas a meditação que é praticada pelos Jedis tem alguns efeitos comprovados pela ciência. Ondas alfa são ondas entre 8 e 12 Hz e são observadas durante grande relaxamento quando os olhos são fechados no eletroencefalograma. Pessoas que tem prática na meditação tem suas ondas alfas são mais resistentes à distração que pessoas que estão aprendendo a meditar.  Isso mostra que a meditação aumenta o foco de seus praticantes.
       Então, quando for assistir ao novo filme em cartaz nos cinemas, Star Wars, o Despertar da Força, preste atenção à Neurociência e Biologia presentes nos acontecimentos. Que a Força esteja com você! E bom filme!

Para aprender mais:

Hasson U, Nir Y, Levy I, Fuhrmann G, Malach R. Intersubject synchronization of cortical activity during natural vision. Science. 2004 Mar 12;303(5664):1634-40, 2004.

 Hasson U1, Furman O, Clark D, Dudai Y, Davachi L. Enhanced intersubject correlations during movie viewing correlate with successful episodic encoding. Neuron. 7;57(3):452-62. 2008

Jonasona P K,  Lyonsb M, Bethelic E.  The making of Darth Vader: Parent–child care and the Dark Triad. Personality and Individual Differences. Volume 67, Paginas 30–34. Setembro 2014.

Friedman SH, Hall RC. Using Star Wars’ supporting characters to teach about psychopathology. Australas Psychiatry. Aug;23(4):432-4. 2015

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