Fetos já são destros ou canhotos

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: Universidade da Califórnia

    Fetos já são destros ou canhotos. Sabe o que isso quer dizer? Até hoje se pensava o contrário, ou seja, que a ativação maior de um hemisfério do córtex motor faria a criança preferir escrever com a mão direita ou esquerda.  Mas agora parece que o que acontece é o contrário: a criança ser destra ou canhota faz o hemisfério do cérebro daquela mão se tornar dominante.

    Neurônios do córtex motor esquerdo fazem sinapse com neurônios motores na medula espinal que estimulam a contração nos músculos da mão direita para que um movimento da mão direita aconteça. Em 1985 e 1991 neurocientistas observaram que os fetos humanos usam mais a mão direita ou a esquerda, ou seja, tem preferência manual. Até aí ok, mas  o impressionante é que isso acontece no período da gestação antes dos neurônios do córtex motor terem sinapses com neurônios da medula espinal que geram o movimento. Então, não havia ainda explicação de como isso era possível pela tecnologia existente na época.

    Neurocientistas alemães, holandeses e sul africanos observaram agora algo que pode explicar isso. Eles observaram que o uso da mão preferida influencia a ativação de genes que estão ligados com a preferência manual. Esses resultados sugerem que ser destro ou canhoto molda as sinapses do córtex motor cerebral direito ou esquerdo com os neurônios motores da medula para se desenvolverem mais no futuro e manterem essa mão dominante.

Para saber mais: 

de Vries JI, Visser GH, Prechtl HF. The emergence of fetal behaviour. II. Quantitative aspects. Early Hum Dev. v. 12(2), p. 99-120, 1985.

Hepper PG, Shahidullah S, White R. Handedness in the human fetus. Neuropsychologia, v. 29(11), p. 1107-11, 1991.

Ocklenburg S, Schmitz J, Moinfar Z, Moser D, Klose R, Lor S, Kunz G, Tegenthoff M, Faustmann P, Francks C, Epplen JT, Kumsta R, Güntürkün O. Epigenetic regulation of lateralized fetal spinal gene expression underlies hemispheric asymmetries. Elife. 2017.

 

 

 

 

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Retrospectiva da Neurociência 2016

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Por Laiali Chaar

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Já que voltamos às aulas e começou o ano letivo. Vamos pra matéria mais esperada do ano. Retrospectiva 2016>>> Saiba quais foram as maiores novidades da Neurociência em 2016 clicando no link

➡️ O Zika causa microcefalia no feto e após o nascimento

➡️ Parkinson pode começar no intestino e não no cérebro

➡️ O Alzheimer também tem relação com as bactérias do intestino

➡️ Será que um transplante de cabeça é possível?

➡️ A nossa inspiração afeta o sentimento de medo e memória

➡️ Diferentes exercícios físicos afetam seu cérebro de diferentes maneiras

➡️ Melhores chefes tem a mesma onda (cerebral) que seus subordinados

➡️ A música que mais diminui a ansiedade

➡️ Descoberta uma maneira de recuperar memórias

➡️ Lesão de LCA afeta seu cérebro e isso altera o tratamento

➡️ Paracetamol é ineficaz para a dor lombar e meditação é eficaz

➡️ Depressão não afeta só a mente, ela afeta o corpo todo

➡️ O Zika causa microcefalia no feto e após o nascimento

         Voltando para Maio, foi comprovado por grupos de pesquisa brasileiros da USP que o vírus Zika pode ser um fator causador de microcefalia. O vírus zika pode passar da gestante para o seu feto resultando em microcefalia, uma alteração do desenvolvimento cerebral, resultando em um cérebro menor que o normal.

Saiba mais sobre o vírus Zika e a epidemia de microcefalia no Brasil clicando aqui.

          Em Novembro, um grupo de neurocientistas de uma universidade americana mostrou que a infecção pelo vírus Zika também causa microcefalia. Após o nascimento, o Zika restringe o crescimento do encéfalo por alterar os vasos sanguíneos cerebrais e a barreira hematoencefálica e aumentar a inflamação cerebral levando a morte maciça de neurônios e microcefalia no cérebro em desenvolvimento. Isso acontece porque o cérebro humano está em desenvolvimento até os 3 anos de idade. Então se você é mãe ou pai proteja seu filho dos mosquitos tomando os cuidados necessários descritos aqui.

➡️ Parkinson pode começar no intestino e não no cérebro

O que um intestino saudável tem a ver com a morte de células cerebrais? Em dezembro, neurocientistas descobrram que o Parkinson pode começar no intestino, não no cérebro. Esse estudo mostrou que as bactérias de um intestino de um indivíduo com Parkinson pioram a perda das capacidades motoras no Parkinson. E o tratamento com antibiótico melhora os sintomas motores.  Além disso, os pacientes muitas vezes relatam que os sintomas de Parkinson se iniciam com constipação intestinal.

➡️ O Alzheimer também tem relação com as bactérias do intestino

        As bactérias intestinais estão em destaque em vários estudos. Um novo estudo, publicado em julho, descobriu que ratos que tomaram antibióticos durante 5 a 6 meses tiveram uma diminuição da placa de proteína amiloide no cérebro. O acúmulo dessa proteína está relacionado com o Alzheimer. Diminuindo os níveis da proteína amilóide, os neurocientistas  viram uma melhoria dramática no cérebro que abrandou a progressão da doença.

➡️ Será que um transplante de cabeça é possível?

      Um neurocirurgião italiano anunciou que nesse ano fará um inédito transplante de cabeça em humanos. O objetivo final da cirurgia é religar a medula espinal de pessoas que sofreram lesão medular. Muitas dúvidas surgem sobre tudo isso. Como esse cirurgião irá religar todos os neurônios da medula espinal e garantir que o movimento seja recuperado? E os aspectos éticos do transplante de cabeça?  E você o que acha dessa cirurgia?

➡️ A nossa inspiração afeta o sentimento de medo e memória

Pois é, a neurociência provou em Dezembro que sua avó tinha razão.  “Respira fundo e vai minha filha” ela dizia quando você estava com medo. Neurocientistas americanos comprovaram que a inspiração, ou seja encher o pulmão de ar, nos ajuda a agir em situações de medo e melhora a memória. Mas isso só acontece que inspirarmos pelo nariz e não pela boca.

Quer saber mais como melhorar sua memória? Clica aqui!

➡️ Diferentes exercícios afetam seu cérebro de diferentes maneiras

Não é só o sudoku e palavras cruzadas que estimulam a mente.  A Neurociência já demonstrou muitas vezes que o exercício físico tem efeitos benéficos para a mente.  O exercício muda a estrutura e a função do cérebro. A atividade física aumenta o volume cerebral e pode reduzir a diminuição de neurônios que ocorre com a idade.  E diminui até a chance de demência e Alzheimer ou retarda o seu aparecimento. Exercício físico também ajuda a concentrar a sua mente para as provas, ajuda a eliminar os desejos, aflora sua criatividade, aumenta sua inteligência.

Mas qual o melhor tipo de exercício para o seu cérebro?

Em Abril, um estudo comparou três tipos de exercício corrida, musculação ou treinamento de intervalo de alta intensidade e seus efeitos no nascimento de novos neurônios no hipocampo, principal área responsável pela memória.

Os ratos que fizeram caminhada durante sete semanas a vontade tiveram muito mais neurogênese do que os que fizeram musculação ou que correram poucos intervalos em alta intensidade. A musculação não mostrou aumento nesse estudo.

Outro estudo mais antigo mostrou que indivíduos que realizam o treinamento aeróbio (correr, nadar, pedalar, caminhar) mostraram melhorias no desempenho em tarefas que exigem raciocínio, lógica, estratégias e tomada de decisões, em comparação com indivíduos treinados por via anaeróbia (musculação por exemplo).

Esses resultados não significam, que apenas corrida e exercícios moderados tem efeitos benéficos para o cérebro. Corrida moderada parece induzir mais neurogênese no hipocampo. Mas o treinamento com pesos e o intervalado de alta intensidade podem levar a diferentes mudanças em outras partes do cérebro. Como criar vasos sanguíneos adicionais ou novas conexões entre células cerebrais ou entre diferentes partes do cérebro.

Então, se você atualmente treina musculação ou faz treino intervalo de alta intensidade, continue. Mas também pense em uma corrida ocasional ou passeio de bicicleta para o bem da sua saúde hipocampal.

 Isso não é a novidade para a Neurociência. A surpresa foi que treinar mais não é melhor para o cérebro.

➡️ Melhores chefes tem a mesma onda (cerebral) que seus subordinados

A Neurociência do mundo corporativo>>> Bons líderes estão literalmente na mesma onda seus empregados. Quem já trabalhou em uma empresa sabe que é bem complicado todos do grupo de trabalho estarem na mesma sintonia. Em um estudo publicado no início deste ano por pesquisadores do Instituto Max Planck, 11 grupos de três pessoas foram convidados a trabalhar juntos para resolver uma quebra-cabeça, enquanto sua atividade cerebral foi monitorada. Depois que o grupo discutiu o quebra-cabeça juntos, eles selecionaram uma pessoa para ser o “líder” que iria compartilhar sua resposta com os pesquisadores.

Ondas cerebrais sincronizadas entre duas pessoas mostram idéias sincronizadas, isso quer dizer que as duas pessoas estão concordando. Pesquisadores descobriram que se a conversa entre duas pessoas fosse iniciada pelo líder a frequência e a escala das ondas cerebrais dos dois eram mais sincronizados do que durante as conversas iniciadas pelo subordinado.

Os pesquisadores conseguiam até prever quem era o líder do grupo em menos de 23 segundos pelas ondas cerebrais. Os resultados apresentam uma ideia intrigante: os líderes podem ter um efeito biológico sobre os outros com sua comunicação. E é importante que os chefes entendam isso para iniciarem  conversas e terem maior sincronia de ideias e opiniões com seus funcionários. Isso é importante para uma boa comunicação e para um trabalho mais eficiente.

➡️ A música que mais diminui a ansiedade

Todo mundo sabe que precisa gerenciar seu estresse. Quando as coisas ficam difíceis na faculdade, escola,  trabalho, escola, ou em sua vida pessoal, você pode usar dicas, truques e técnicas para acalmar seus nervos.

Terapias de som são populares como uma forma de relaxar e restaurar a saúde. Por séculos, culturas indígenas, indianos e nepaleses usam a música para melhorar o bem-estar e melhorar as condições de saúde.

Agora, neurocientistas do Reino Unido  descobriram as  10 músicas mais relaxantes do mundo.  O estudo foi conduzido em participantes que tentaram resolver quebra-cabeças difíceis o mais rápido possível gerando estresse e ansiedade conectados a sensores que mediam a atividade cerebral e escutado músicas diferentes e observando sua fisiologia: taxa de respiração, pressão arterial e frequência cardíaca.

A canção top produziu um maior estado de relaxamento do que qualquer outro tipo de música testado até à data. Essa música  “Weightless” do Marconi Union reduziu 65% da ansiedade dos participantes e uma redução de 35% nas alterações fisiológicas.

https://youtu.be/UfcAVejslrU

O grupo que compôs a musica teve a colaboração de terapeutas do som. Sua cuidadosamente arranjadas harmonias, ritmos e linhas de baixo ajudam a diminuir o ritmo do coração do ouvinte, reduzir a pressão arterial e menores níveis de cortisol, hormônio do estresse. Essa música tornou muitas pessoas sonolentas e não é aconselhável dirigir escutando-a, porque pode ser perigoso.

O Estresse e a ansiedade agravam ou aumentam o risco de problemas de saúde como doença cardíaca, obesidade,depressão, problemas  gastrointestinais, asma e muito mais. Uma pesquisa de Harvard mostrou que o estresse no trabalho causa mais mortes do que o diabetes, a doença de Alzheimer ou a gripe.

Então, a Neurociência é clara: se você quer que sua mente e seu corpo  durem, você tem que dar a eles um descanso. A música é uma maneira fácil de tirar a pressão de todos os e-mails, compromissos, reuniões e prazos que podem facilmente seu nível de estresse e deixar você se sentindo sugado e ansioso.

Então segue a lista das dez mais para relaxar:

  1. Weightless,” do Marconi Union
  2. Electra,” de Airstream
  3. Mellomaniac (Chill Out Mix),” do DJ Shah
  4. Watermark,” da Enya
  5. Strawberry Swing,” do Coldplay
  6. Please Don’t Go,” de Barcelona
  7. Pure Shores,” da All Saints
  8. Someone Like You,” da Adele
  9. Canzonetta Sull’aria,” de Mozart
  10. We Can Fly,” do Rue du Soleil (Café Del Mar)

Farei em breve uma lista públicas dela no Spotify com 50 minutos (para download)

➡️ Descoberta uma maneira de recuperar memórias

Aplicando um campo de ondas eletromagnéticas pela técnica de estimulação magnética transcraniana, em partes específicas do cérebro, os participantes do estudo recuperaram memórias de curto prazo perdidas como uma palavra falada ou detalhes do rosto de uma pessoa vistos minutos antes. Se os próximos testes funcionarem, sem efeitos colaterais, esse poderá ser no futuro um tratamento para pessoas com Alzheimer e problemas de memória que afetam muitas pessoas.

➡️ Lesão de LCA afeta seu cérebro e isso altera o tratamento

A lesão no ligamento cruzado anterior, comum em atividades esportivas como jogar futebol, provoca alterações de longo prazo no modo como o cérebro processa as informações, tornando o individuo lesionado mais dependente de sua visão para realizar os movimentos com o joelho e inseguro. Essa dependência da visão pode ser diminuída com um treinamento com luz estroboscópica.

➡️ Paracetamol é ineficaz e meditação é eficaz para a dor lombar

As evidências da Neurociência da dor atuais sugerem que o paracetamol muito utilizado por esses pacientes é ineficaz na melhora da dor lombar aguda. A recomendação de não utilizar mais paracetamol já está sendo seguida pelos britânicos e americanos.

Por outro lado, diversos estudos mostram que a meditação melhora  a dor lombar crônica e diminui a sensação de desconforto por provocar alterações no cérebro. Praticantes de meditação experiente tem menor atividade no córtex cingulado médio, córtex somatossensorial secundário e a ínsula durante o estímulo doloroso.  E 4 dias de meditação já são suficientes para diminuir a sensação de dor lombar

➡️ Depressão não afeta só a mente, ela afeta o corpo todo

Voltando em Dezembro, pesquisadores relataram que a depressão causa doenças cardíacas na mesma frequência que colesterol elevado e obesidade, causando mortes de pessoas jovens.

Então, a depressão não afeta só sua mente, ela também afeta seu corpo todo. Outra pesquisa de 2015 pode explicar o porque disso. Nela, os neurocientistas descobriram que a depressão está ligada ao aumento do estresse oxidativo e diminuição de substâncias antioxidantes relacionadas com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer. Além disso, depois de receber tratamento, essas substâncias voltaram ao normal.

 350 milhões de pessoas no mundo sofrem com depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde. Então, se você tem sintomas de tristeza permanente sem motivo ou de ficar remoendo acontecimentos tristes do passado procure orientação de um profissional especializado psicólogo ou psiquiatra para ser avaliado.

Para saber mais: 

➡️ O Zika causa microcefalia no feto e após o nascimento

Shao Q, Herrlinger S, Yang SL, Lai F, Moore JM, Brindley MA, Chen JF. Zika virus infection disrupts neurovascular development and results in postnatal microcephaly with brain damage. Development. v. 15; 143(22), p.4127-4136, 2016.

➡️ O Alzheimer também tem relação com as bactérias do intestino

Minter MR, Zhang C, Leone V, Ringus DL, Zhang X, Oyler-Castrillo P, Musch MW, Liao F, Ward JF, Holtzman DM, Chang EB, Tanzi RE, Sisodia SS. Antibiotic-induced perturbations in gut microbial diversity influences neuro-inflammation and amyloidosis in a murine model of Alzheimer’s disease. Sci Rep. v.  21, p.  6:30028, 2016.

➡️ Será que um transplante de cabeça é possível?

➡️ A nossa inspiração afeta o sentimento de medo e memória

➡️ Diferentes exercícios físicos afetam seu cérebro de diferentes maneiras

Nokia MS, Lensu S, Ahtiainen JP, Johansson PP, Koch LG, Britton SL, Kainulainen H. Physical exercise increases adult hippocampal neurogenesis in male rats provided it is aerobic and sustained. J Physiol. v. 1;594(7), p. 1855-73, 2016.

Etgen T, Sander D, Huntgeburth U, Poppert H, Förstl H, Bickel H. Physical activity and incident cognitive impairment in elderly persons: the INVADE study. Arch Intern Med. v. 25;170(2), p. 186-93, 2010.

Arthur F. Kramer, Sowon Hahn, Neal J. Cohen, Marie T. Banich, Edward McAuley, Catherine R. Harrison, Julie Chason, Eli Vakil, Lynn Bardell, Richard A. Boileau & Angela Colcombe. Ageing, fitness and neurocognitive function. Nature 400, 418-419, 1999.

Colcombe SJ1, Erickson KI, Scalf PE, Kim JS, Prakash R, McAuley E, Elavsky S, Marquez DX, Hu L, Kramer AF. Aerobic exercise training increases brain volume in aging humans. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2006 Nov;61(11):1166-70.

Erickson KI, Voss MW, Prakash RS, Basak C, Szabo A, Chaddock L, Kim JS, Heo S, Alves H, White SM, Wojcicki TR, Mailey E, Vieira VJ, Martin SA, Pence BD, Woods JA, McAuley E, Kramer AF. Exercise training increases size of hippocampus and improves memory. Proc Natl Acad Sci U S A., Feb 15;108(7):3017-22, 2011.

Rovio S, Kåreholt I, Helkala EL, Viitanen M, Winblad B, Tuomilehto J, Soininen H, Nissinen A, Kivipelto M. Leisure-time physical activity at midlife and the risk of dementia and Alzheimer’s disease. Lancet Neurol. Nov;4(11):705-11, 2005.

Voelcker-Rehage C1, Godde B, Staudinger UM. Cardiovascular and coordination training differentially improve cognitive performance and neural processing in older adults. Front Hum Neurosci.  17;5:26, 2011.

Winter B, Breitenstein C, Mooren FC, Voelker K, Fobker M, Lechtermann A, Krueger K, Fromme A, Korsukewitz C, Floel A, Knecht S. High impact running improves learning. Neurobiol Learn Mem. ;87(4):597-609, 2007

Winter B, Breitenstein C, Mooren FC, Voelker K, Fobker M, Lechtermann A, Krueger K, Fromme A, Korsukewitz C, Floel A, Knecht S. High impact running improves learning. Neurobiol Learn Mem. 87(4):597-609, 2007.

Aberg MA, Pedersen NL, Torén K, Svartengren M, Bäckstrand B, Johnsson T, Cooper-Kuhn CM, Aberg ND, Nilsson M, Kuhn HG. Cardiovascular fitness is associated with cognition in young adulthood. Proc Natl Acad Sci U S A. 8;106(49):20906-11, 2009.

Raichlen DA, Polk JD. Linking brains and brawn: exercise and the evolution of human neurobiology. Proc Biol Sci. 7;280(1750):20122250., 2013.

➡️ Melhores chefes tem a mesma onda (cerebral) que seus subordinados

Jiang J, Chen C, Dai B, Shi G, Ding G, Liu L, Lu C. Leader emergence through interpersonal neural synchronization. Proc Natl Acad Sci U S A. 2015 Apr 7;112(14):4274-9, 2015.

Tang H, Mai X, Wang S, Zhu C, Krueger F, Liu C. Interpersonal brain synchronization in the right temporo-parietal junction during face-to-face economic exchange. Soc Cogn Affect Neurosci. Jan;11(1):23-32, 2016.

➡️ A música que mais diminui a ansiedade

➡️ Descoberta uma maneira de recuperar memórias

➡️ Lesão de LCA afeta seu cérebro e isso altera o tratamento

➡️ Paracetamol é ineficaz para a dor lombar e meditação é eficaz

Grant, J. A. Meditative analgesia: the current state of the field. Ann. N. Y. Acad. Sci. 1307, 55–63 , 2014

Tang, Y.-Y., Hölzel, B. K., Posner, M. I. The neuroscience of mindfulness meditation. Nat. Rev. Neurosci. 16, 1–13, 2015

Zeidan, F., Grant, J. A., Brown, C. A., McHaffie, J. G. & Coghill, R. C. Mindfulness meditation-related pain relief: Evidence for unique brain mechanisms in the regulation of pain. Neuroscience Letters 520, 165–173, 2012

Zeidan, F. et al. Mindfulness-Meditation-Based Pain Relief Is Not Mediated by Endogenous Opioids. J. Neurosci. 36, 3391–3397, 2016

Chou R, Deyo R, Friedly J, Skelly 1, Weimer M, Fu R, Dana T, Kraegel P, Griffin J, Grusing S1. Systemic Pharmacologic Therapies for Low Back Pain: A Systematic Review for an American College of Physicians Clinical Practice Guideline. Ann Intern Med., 2017. 

➡️ Depressão não afeta só a mente, ela afeta o corpo todo

Jiménez-Fernández S1,2, Gurpegui M, Díaz-Atienza F, Pérez-Costillas L, Gerstenberg M, Correll CU. Oxidative stress and antioxidant parameters in patients with major depressive disorder compared to healthy controls before and after antidepressant treatment: results from a meta-analysis. J Clin Psychiatry. 2015 Dec;76(12):1658-67, 2015.

Ladwig KH, Baumert J, Marten-Mittag B, Lukaschek K, Johar H, Fang X, Ronel J, Meisinger C, Peters A; KORA Investigators. Room for depressed and exhausted mood as a risk predictor for all-cause and cardiovascular mortality beyond the contribution of the classical somatic risk factors in men. Atherosclerosis.  Dec 5. pii: S0021-9150(16)31524-6, 2016.

Você sempre falha nas seus planos de Ano Novo? A Neurociência te ensina 8 dicas para alcançá-los

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: Getty images

Mande o link dessa reportagem para sua(seu) amiga(o) que está em busca de ser alguém melhor em 2017>>>

           Ano novo, muitas vezes, significa uma nova lista de novos planos. Você pode não perceber, mas a partir do momento que você acorda até quando vai dormir, você está agindo e pensando de acordo com seus hábitos. Nós, seres humanos, somos feitos de hábitos. Muitos de nossos pensamentos e ações hoje são os mesmos de ontem e serão repetidos os mesmos amanhã. Os hábitos tornam nosso cérebro mais eficiente porque permitem que eu faça tudo no “automático” para que meu cérebro não seja sobrecarregado pensando em cada minúscula ação feita.

        Nossos hábitos podem ser bons, ruins ou neutros. A maioria dos hábitos é neutra como: fazer o mesmo caminho para ir trabalhar todos os dias ou sentar na mesma cadeira na sala de aula ou no ônibus. Um hábito bom seria escovar os dentes ou exercitar-se diariamente. Um hábito ruim seria falar algo negativo ou comer meio quilo de chocolate depois do jantar todas as noites.   

      Os pesquisadores descobriram várias regiões cerebrais e circuitos que são necessários para formar e armazenar os hábitos. O principal centro de coordenação é o núcleo estriado, um dos núcleos da base. O estriado forma um circuito entre o córtex pré-frontal, onde são produzidos o raciocínio e o pensamento e o mesencéfalo, que controla os movimentos. A maioria desses neurônios dos hábitos libera dopamina que é o hormônio da recompensa e prazer. Um mau funcionamento do estriado é visto  em pessoas em que os hábitos tornam-se desordenados, como pessoas com transtornos obsessivo-compulsivo (TOC) e vícios.

         Durante a formação do hábito, você repete pensamentos ou ações repetidamente, fazendo com que os neurônios no circuito córtex pré-frontal-estriatal-mesencéfalo fiquem cada vez mais ativado. Uma vez que esses neurônios ficam mais ativados a informação é armazenada e outra região do cérebro, o córtex infralímbico, entra em jogo. Nele os hábitos serão acionados mais rápido através de pistas. Como quem está acostumado a comer sobremesa depois do almoço e sente vontade de comer um doce toda vez que almoça. Os planos feitos por nós no Ano Novo são tentativas de mudar nossos hábitos.

Mas por que você muita gente falha nos seus planos de Ano Novo? A neurocientista te ensina 8 dicas para diminuir a chance disso acontecer com você

Uma pesquisa foi feita por um psicólogo britânico com 3000 pessoas com planos de Ano Novo de perder peso, ir à academia, parar de fumar ou beber menos. No inicio 52% das pessoas estavam confiantes que conseguiriam atingir suas metas, mas no fim do ano 88% falharam. A partir disso, foram testados vários métodos para aumentar o sucesso dos planos de ano novo. Essa e outras pesquisas da Neurociência concluíram que há 8 passos para nossos planos terem mais chance de acontecerem:

1) Escreva uma lista com 5 coisas que foram boas em 2016 e com 5 coisas que não foram que você pretenda mudar. Leia em voz alta. Escrever e ler em voz alta ajuda a sua mente a internalizar os objetivos;

2) Faça isso refletindo durante vários dias, para não ser levado(a) por impulsos do momento;

3) Seja bem específico e pessoal. Cada pessoa tem seu planos.

4) Se você é homem, tente metas reais capazes de serem atingidas. Por exemplo: nada de querer ficar super malhado em um mês. Ao invés disso pense: vou perder 2 kg por mês ou se concentre nas consequências do seu objetivo por exemplo: se eu parar de fumar vou ficar mais atraente. Homem que fazem isso têm mais sucesso;;

Se você é mulher conte a amigos e familiares suas metas. O apoio de pessoas queridas irá te ajudar. E seja persistente: se seu plano for ir à academia e você faltar um dia não se torture nem desista. Continue tentando. Novos hábitos levam muito tempo para serem aprendidos. Mulheres que fazem isso têm mais sucesso;

5) Seja paciente e preste atenção no que está sentindo sobre isso.  Diga para você mesmo “bom trabalho” cada vez que atinge um passo do plano;

6) Na primeira semana faça uma meta mais fácil de ser cumprida e coloque um papel a vista para te lembrar dela. Por exemplo: subir um andar de escada. Uma mudança deve ser repetida de 18 a 254 vezes para se tornar um hábito no cérebro. Então persista;

7) Periodicamente, repita os primeiros 4 primeiros passos. Pense: O que você quer mudar? O que isso significa para você? E a principal pergunta é: você quer mudar? Não precisamos de uma data para começar de novo ou querer ser uma pessoa melhor…

8) Reveja a lista que fez ao final do ano para se autoavaliar. Você conseguiu atingir suas metas? E por que conseguiu ou não conseguiu?

A mudança é difícil para todos. Haverá falhas. Haverá recaídas. Haverá velhos sentimentos voltando.  Isso é normal.  Mas querer mudar já é um grande progresso! Boa sorte! Depois me conte no inbox como foi!

Para saber mais:

WISEMAN, R. (2007): “New Years Resolution Experiment,” Publicado online

https://richardwiseman.wordpress.com/

Nicole Gravagna. Jesse Lee Gray. MindSET your manners. e-book. 264 páginas,.2016.

Inspiração afeta memória e respostas ao medo

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Por Laiali Chaar

Mande essa reportagem para aquele (a) seu (sua) amigo(a) que está com amnésia ultimamente >>>>

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Foto: neurônios do hipocampo, área responsável pela memória, fonte @societyforneuroscience

      Quem nunca ouviu falar em situações de medo: Respira fundo e vai! Pois é, sua avó tinha razão, um artigo publicado por neurocientistas americanos no Journal of Neuroscience comprovou que a inspiração, ou seja encher o pulmão de ar,  nos ajuda a agir em situações de medo e ajuda a memória. Mas isso só acontece que inspirarmos pelo nariz e não pela boca.

Quer entender melhor o que é o medo e por que ele provoca tantas reações no nosso corpo? Leia clicando aqui.

     Tudo começou quando esses neurocientistas perceberam por acaso em pacientes epiléticos, com eletrodos no cérebro uma semana antes de realizar uma neurocirurgia, que a atividade cerebral mudava nas áreas responsáveis pelo processamento do olfato, emoções e memória.

    Esse artigo mostrou pela primeira vez que a inspiração não capta apenas oxigênio. Ela também provoca atividade elétrica em neurônios de áreas ligadas ao comportamento como o córtex olfatório, a amígdala, área cerebral ligada às emoções em especial aquelas ligadas ao medo e o hipocampo, principal área responsável pela memória. Todas essas áreas fazem parte do sistema límbico que controla comportamentos emocionais e sexuais, aprendizagem, memória, motivação e respostas da mente ao ambiente.

     E isso pode ser treinado com meditação e yoga por exemplo. Mas isso é assunto para outro post. Então, se esquecer algo na prova ou se estiver com medo de alguma situação encha seu pulmão de ar e vai. E em situações estressantes respire fundo antes de responder qualquer coisa.

Para saber mais veja o vídeo do experimento e leia o artigo original:

Zelano C, Jiang H, Zhou G, Arora N, Schuele S, Rosenow J, Gottfried JA. Nasal Respiration Entrains Human Limbic Oscillations and Modulates Cognitive Function. J Neurosci., v. 7, 36(49), p.12448-12467, 2016.

 

Lesão de ligamento cruzado anterior do joelho pode provocar alterações à longo prazo no encéfalo

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Por Laiali Chaar

voce sabia novembro 2.pngFonte da imagem: @brainpage

        Mostre essa reportagem para aquele(a)  amig@ que ama ortopedia ou que já machucou o joelho muitas vezes >>>> Um estudo publicado na revista Journal of Orthopedic & Sports Physical Therapy por cientistas da Universidade de Ohio mostrou que uma lesão no ligamento cruzado anterior, comum em atividades esportivas como jogar futebol, provoca alterações de longo prazo no modo como o cérebro processa as informações.

Quer saber como o formol pode alterar o seu encéfalo? Leia aqui. 

      O resultado explica porque os pacientes mesmo após a total cicatrização do ligamento tendem a não confiar no joelho e a o movê-lo de maneira diferente, o que aumenta a chance de novas lesões e dificulta o retorno às atividades. Ressonâncias magnéticas do cérebro desses pacientes mostraram que quando eles são pedidos para movimentar o joelho são ativadas apenas áreas visuais e não mais áreas de sensibilidade do joelho. O cérebro confia apenas na informação visual do movimento do joelho e esquece da informação da sensibilidade. Acontece algo parecido conosco quando andamos no escuro: não sentimos onde estão os móveis e nos movemos bem mais lentamente e com medo de nos machucar. Esses indivíduos com lesão no ligamento fazem o mesmo: andam devagar e usando a visão sem necessidade.

     Sabendo disso, para facilitar o recuperação dos movimentos, os cientistas treinaram marcha e movimentos de chute usando luz estroboscópica, que é a mesma usadas em festas. Isso porque essa luz faz com que enxerguemos o ambiente e o corpo por um menor tempo, tirando a dependência de olhar para o movimento do paciente e aumentando a velocidade do movimento.

Para saber mais:

Grooms DR, Page SJ, Nichols-Larsen DS, Chaudhari AM, White SE, Onate JA. Neuroplasticity Associated With Anterior Cruciate Ligament Reconstruction. J Orthop Sports Phys Ther., v. 5, p. 1-27, 2016.

Grooms D, Appelbaum G, Onate J. Neuroplasticity following anterior cruciate ligament injury: a framework for visual-motor trainingapproaches in rehabilitation. J Orthop Sports Phys Ther., v. 45(5), p. 381-93, 2015.

Descoberta uma maneira de recuperar memórias perdidas

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: neurônios piramidais do hipocampo, uma área cerebral responsável pela memória. Jonathan Clarke.

      Neurocientistas da Universidade de Wisconsin-Madison publicaram na revista Science um meio de recuperar memórias esquecidas. Aplicando um campo de ondas eletromagnéticas pela técnica de estimulação magnética transcraniana, em partes específicas do cérebro, os participantes do estudo recuperaram memórias de curto prazo perdidas como uma palavra falada ou detalhes do rosto de uma pessoa vistos minutos antes😱😱😱. Se os próximos testes funcionarem, sem efeitos colaterais, esse poderá ser no futuro um tratamento para pessoas com Alzheimer e problemas de memória que afetam muitas pessoas.


Neurônios têm várias funções que já comentamos aqui: saciedade, sentidos, sentimentos, realização de movimentos e também armazenam nossas memórias. As memórias podem ser de curto ou longo prazo. As memórias de curto prazo são aquelas que guardamos por um curto tempo por que não iremos mais usá-las, como quando alguém lhe pede pra decorar os 4 primeiros números de um telefone ou quando você decora aquela matéria minutos antes da prova. A memória de longo prazo recebe as memórias de curto prazo e as armazena por tempo ilimitado porque serão utilizadas no futuro como suas histórias da adolescência no colégio ou a matéria de Neuro que você está vendo na faculdade 😍😍. E para armazenar memória de longo prazo o sono é muito importante como já vimos aqui na Neurociência dos estudos.


Vamos torcer para que essa nova tecnologia, quem sabe, seja acessível, aumente a qualidade de vida das pessoas e ajude a controlar nossa atenção e escolher sobre o que pessoas com alterações na saúde mental que têm pensamentos destrutivos repetitivos, por exemplo sobre suicídio, controlem sobre o que querem pensar.

 

Para saber mais: 

Para subir na carreira, batom nas mãos

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Por Laiali Chaar

IMG_1039.JPG Fonte da imagem: Adaptado de @paulaohenoja

       Neurocientistas comprovaram em 2010 aquilo que já suspeitávamos: batons vermelhos são considerados atraentes independente do local, cultura de origem ou idade de quem está vendo. Isso porque o vermelho imita a oxigenação causada pela vasodilatação associada à excitação sexual, altos níveis de estrogênio e boa saúde cardíaca e respiratória.

    Outra pesquisa desse ano mostrou que homens consideram mulheres que usam maquiagem mais competentes e com mais prestígio. Por outro lado, mulheres consideram as que usam mais maquiagem mais dominantes e isso é ofensivo para elas e vulgares porque julgam que elas são mais atraentes aos homens.

       Claro que há muito mais qualidades em uma mulher do que a aparência. A habilidade, inteligência e experiência são qualidades muito mais importantes para cultivar se quisermos permanecer no mercado de trabalho, do que o brilho labial impecável.

         Mas, enquanto a aparência tiver tanta influência sobre as qualidades profissionais que os outros atribuem a nós, como a competência, podemos usar um pouco de batom em proveito próprio. Como este estudo deixa claro, há sabedoria em perceber quando  colocar uma cor mais leve ou mais forte de batom. Então, em uma entrevista de emprego com uma equipe feminina para uma posição subordinada suavize o batom e a sombra do olho. Mas, se você está caminhando para uma promoção ou querendo provar sua competência um poderoso batom de cor pode te ajudar especialmente se seu gerente ou chefe é um homem.

        Com ou sem batom, o mais importante de tudo é se sentir bem! Isso sim passa uma ideia de competência. Beijinhos, com batom no meu caso, pra vocês meus amores!!

Para saber mais:

Mileva VR, Jones AL, Russell R, Little AC. Sex Differences in the Perceived Dominance and Prestige of Women With and Without Cosmetics. Perception, v. 45(10), p. 1166-83, 2016.

Etcoff NL, Stock S, Haley LE, Vickery SA, House DM. Cosmetics as a feature of the extended human phenotype: modulation of the perception of biologically important facial signals. PLoS One, v. 6(10), p. e25656, 2011.

Stephen ID, McKeegan AM. Lip colour affects perceived sex typicality and attractiveness of human faces. Perception. v. 39(8), p. 1104-10, 2010.

Guéguen, N. Does red lipstick really attract men? An evaluation in a bar. International Journal of Psychological Studies, v. 4, p. 206-209, 2012.

Stephen, I. D., & McKeegan, A. M. Lip colour affects perceived sex typicality and attractiveness of  human faces.  Perception, v.  39, p. 1104-1110, 2010.

Nash, R., Fieldman, G., Hussey, T., Lévêque, J. L., Pineau, P. Cosmetics: They influence more than Caucasian female facial attractiveness. Journal of Applied Social Psychology, v. 36, p. 493-504, 2006.