Quer saber qual a fonte da juventude? Os cientistas descobriram… pelo menos no cérebro

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Crédito da imagem – Figura mostrando os neurônios dos camundongos que receberam as transfusões. Cada ponto marrom é um neurônio. Note o maior número de neurônios no idoso (abaixo à direita) que recebeu a transfusão de sangue de animais jovens. Note também o menor número de ramificações nos neurônios do jovem que recebeu transfusão de sangue de um idoso (acima à esquerda).
      Drácula estava certo! Cientistas encontraram uma maneira de reverter o envelhecimento dos neurôniosCamundongos jovens receberam uma transfusão de sangue de camundongos idosos e camundongos idosos receberam sangue de jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford na Califórnia queria saber qual o efeito dessas transfusões sobre o cérebro e publicou os resultados na Revista Nature. Com o envelhecimento, neurônios  perdem suas conexões e começam morrer até que, finalmente, o cérebro encolhe e torna-se menos eficaz. Uma região chamada hipocampo, crucial para a memória e aprendizagem, é um dos primeiras áreas do cérebro se deteriorar com a idade, causando falhas na memória e no raciocínios. Mas, os camundongos velhos que receberam sangue jovem experimentaram uma explosão de crescimento de neurônios no hipocampo. Eles tinham de três a quatro vezes mais neurônios do que os camundongos idosos que não receberam transfusão como muitos camundongos recém-nascidos. Mas isso não foi tudo: o sangue de idosos teve o efeito oposto sobre o cérebro de camundongos jovens, bloqueando o nascimento de novos neurônios e deixando-os parecendo velhos antes do tempo. Como é o cérebro que controla nosso organismo  inteiro se isso também acontecer em outras áreas do cérebro pode ser que haja um rejuvenescimento das funções de todos os nossos órgãos. Esta descoberta é uma esperança paratratamento de doenças neurodegenerativas relacionadas a idade em que há morte neuronal como Parkinson e Alzheimer. O que atualmente está sendo testado em humanos. Então, Drácula estava certo, o sangue de jovens pode ser a fonte eterna da juventude.
Para saber mais:
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É possível transmitir Alzheimer de uma pessoa para outra

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Por Laiali Chaar 

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Crédito da Imagem: Alfred Pasieka/ Science Photo Library – À esquerda encéfalo com Alzheimer com diminuição da massa encéfalica e à direita encéfalo normal

      É possível transmitir a doença de Alzheimer de uma pessoa para outra, de acordo com um estudo feito por cientistas da University College de Londres publicado ontem na revista Nature. Não é possível adquirir  Alzheimer por cuidar de alguém com a doença. Mas a transmissão pode ocorrer  em situações inusitadas envolvendo exposição direta ao tecido cerebral como neurocirurgias através de material cirúrgico contaminado. A contaminação faz com que haja deposição de proteína amilóide que causa Alzheimer no cérebro de outra pessoa afetando ao longo dos anos a memória e o raciocínio.

       Entre 1958 e 1985 pessoas com baixa estatura receberam hormônio de crescimento extraído da glândula pituitária, também chamada de hipófise, que se localiza na base do encéfalo. Essa hipófise era retirada de cadáveres. Estes cientistas estudaram cérebros de pessoas após a morte e observaram que pessoas que receberam injeção deste hormônio de crescimento quando eram crianças, 30 anos depois apresentavam depósito de proteína amilóide no cérebro que causa Alzheimer e problemas de memória e pensamento. Os pacientes tinham idades de 36 e 51, ou seja, jovens demais para apresentar a doença de Alzheimer. Esses resultados sugerem que Alzheimer possa ser transmitido em procedimentos invasivos como uma neurocirurgia.

Para saber mais:

Jaunmuktane Z, Mead S, Ellis M, Wadsworth JDF, Nicoll AJ, Kenny J, Launchbury F, Linehan J, Richard-Loendt A, Walker AS, Rudge P, Collinge J,  Brandner S. Evidence for human transmission of amyloid-β pathology and cerebral amyloid angiopathy. Nature 525, 247–250 (10 September 2015). 

Como é possível ver imagens nos nossos sonhos?

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Por Laiali Chaar 

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      Como é possível ver nossos sonhos e eles parecerem tão reais? Como o cérebro consegue ver nossos sonhos? Um artigo publicado há duas semanas na revista Nature desvendou parte deste mistério. Os pesquisadores mostraram que a atividade dos neurônios durante os sonhos é acontece na mesma intensidade de quando estamos acordados olhando para algo novo. Incrível, não?! Além disso, essa atividade cerebral não aparece quando estamos acordados em uma sala totalmente escura. Isso sugere que o cérebro realmente “vê” os sonhos acontecendo. Isso é surpreendente porque mostra que nosso cérebro não descansa durante os sonhos. Ele forma realmente as imagens que nós vemos, como se estivéssemos vendo de verdade. É a primeira vez que isso é mostrado por uma pesquisa científica.

       Durante os sonhos, apenas a atividade muscular é suprimida para que não realizemos nossos sonhos. Ainda bem, imagine se uma pessoa pulasse da janela toda vez que sonhasse isso.

            Normalmente, a atividade cerebral é medida de uma maneira não-invasiva por eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Mas, os investigadores da Universidade de Tel Aviv em Israel gravaram a atividade do cérebro com eletrodos dentro do cérebro de pacientes com epilepsia. Esses eletrodos foram implantados no lóbulo temporal, uma região do cérebro que tem atividade associada à consciência visual. Participaram do estudo pacientes que não melhoraram depois de um tratamento com medicamentos para mapear sua atividade cerebral e estudar a necessidade de uma cirurgia.

        Sonhos são o maior mistério da pesquisa científica sobre o sono. Sigmund Freud, tinha a teoria de que a função de sonhar é expressar os desejos não realizados. Em 1953, o pesquisador americano Eugene Aserinsky percebeu que seu filho de oito anos tinha movimentos oculares rápidos durante o sono. Esses movimentos oculares sugeriam que existia atividade cerebral durante o sono.

      Pessoas que apresentam cegueira desde o nascimento têm movimentos oculares mas não existe nenhum conteúdo visual em seus sonhos. Então, a função desses movimentos oculares durante os sonhos era totalmente desconhecida. Esse artigo da revista Nature nos dá alguma ideia sobre isso. O artigo revela que os movimentos oculares ativam áreas cerebrais da visão. Já sabíamos que o sono é importante para o descanso e o rejuvenescimento, mas é provável que ele tenha outras funções importantes também.

       Na vida cotidiana, quando vemos as coisas, nossos olhos e o nosso cérebro recolhem e processam a informação do campo visual para dar significado. Durante os sonhos, de alguma forma, nós processamos informações que foram ignoradas enquanto estávamos acordados, mas que precisam ser mostradas durante os sonhos. Assim, de alguma forma, Freud estava certo desde o início.

Para saber mais:

Andrillon T, Nir Y, Cirelli C, Tononi G, Fried I. Single-neuron activity and eye movements during human REM sleep and awake vision. Nat Commun. 2015 Aug 11

O que o alimento faz com o seu cérebro?

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Por Laiali Chaar 

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      Sempre quando pensamos na função do alimento em nossas vidas lembramos dela como uma maneira de obter energia. Mas ele afeta (e muito) o nosso cérebro. Inclusive, até a habilidade do alimento de prevenir e proteger contra  diversas doenças afetando o funcionamento encéfalo está começando a ser mostrada nas pesquisas científicas.

       Um estudo realizado este ano na Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos mostrou que o diabetes, que é causado por uma má alimentação na maioria dos casos, está associado ao aumento do risco para o desenvolvimento de Alzheimer. Ou seja, das pessoas que possuíam Alzheimer a maioria era diabética. No Brasil 12 milhões de pessoas possuem diabetes atribuído ao moderno estilo de vida em que comemos muitos alimentos industrializados e ricos em gordura e açucares e fazemos pouca atividade física. O açúcar é a principal fonte de energia para os neurônios funcionarem. O diabetes faz com que diversas regiões do cérebro, incluindo o lobo temporal medial onde as memórias são formadas, usem menos açúcar. Neurônios usando menos açúcar significa menos neurônios funcionando e formando memórias. Outro estudo científico mostrou que crianças que tem uma alimentação equilibrada, especialmente rica em fibras, possuem uma melhor performance em testes de QI.

      Estudos  também mostram que uma dieta equilibrada aumenta a longevidade, ou seja os anos de vida, de ratos em 50%. O efeito de uma dieta equilibrada na longevidade ainda não foi estudado em humanos. Mas, estudos mostraram que homens e mulheres que têm uma dieta equilibrada (com vegetais, frutas, ovos, nozes, peixes, aves, produtos com baixo teor de gordura, grãos e feijão) comparados com pessoas que tem uma dieta ocidental (rica em calorias vazias, gorduras, sal e fast-foods) tem menor incidência de doenças cardiovasculares que são a maior causa de mortes no Brasil e no mundo. Isso acontece também por causa do seu encéfalo sabia? Incrível, não!? Mas como o encéfalo afeta o desenvolvimento de doenças cardiovasculares? Há regiões no encéfalo (cérebro e tronco encefálico) que controlam a pressão arterial e frequência cardiaca. Essas regiões fazem isso por uma rede de neurônios que controla os órgãos do corpo: o sistema nervoso autônomo. O sistema nervoso autônomo é formado por simpático e parassimpático. O sistema nervoso simpático, quando ativado, aumenta seus batimentos cardíacos e contrai seus vasos aumentando sua pressão arterial. O sistema nervoso parassimpático diminui seus batimentos cardíacos diminuindo sua pressão arterial. Pessoas com uma dieta desequilibrada, não se sabe ainda porque, tem um aumento do sistema nervoso simpático e uma diminuição do sistema nervoso parassimpático, além do que é esperado em um organismo em equilíbrio. Esse desequilíbrio entre simpático e parassimpatico aumenta as chances de hipertensão, infarto  do miocárdio e acidente vascular encefálico. Assim, esse estudo mostrou que uma dieta equilibrada tem o mesmo efeito benéfico no sistema cardiovascular que uma classe de medicamentos usados para o tratamento de doenças cardiovasculares, os beta bloqueadores. Maravilhoso, não!?

   Uma dieta que é rica em Ômega‑3, um ácido graxo, está conquistando o amor de vários médicos e nutricionistas por ser cientificamente comprovado que auxilia nos processos cognitivos. Processos cognitivos são os processos que geram nossas idéias, raciocínios e pensamentos. Além disso, o Ômega-3 estimula a expressão de genes que produzem proteínas importantes para a comunicação e plasticidade dos neurônios. Óleo de peixe, que é rico em Ômega-3,  diminui sintomas de esquizofrenia, um transtorno mental em que a pessoa tem dificuldade entre separar o que é real e o que é imaginário.

      Muitos alimentos podem melhorar a condição do seu encéfalo e retardar o declínio natural do envelhecimento. Curcumina, um componente do açafrão, melhora a cognição de ratos com Alzheimer. Comer pimenta três ou mais vezes por semana faz você viver de 14% a 22% mais anos. (Os mexicanos devem viver bastante então.) Flavonóides, antioxidantes encontrados no coco, no chá-verde, nas frutas cítricas, no vinho e no chocolate amargo, e a vitamina D, presente no fígado de peixe, peixes gordos, cogumelos, derivados de leite, leite de soja, grãos e cereais, melhoram a função cognitiva em idosos, retardando o envelhecimento do cérebro. A gordura saturada, presente na manteiga, na banha de porco, no óleo de palma, no queijo, na carne e no óleo leva a um declínio cognitivo em ratos que tiveram traumatismo craniano e em idosos e a vitamina E leva à uma melhora. O complexo de vitamina B, principalmente a B6, tem efeitos benéficos na memória de mulheres em diferentes idades. A colina encontrada na gema do ovo, carne de soja, frango, vitela, peru, fígado e alface, melhora crises de convulsão e a cognição. Zinco, presente em ostras, feijão, nozes, amêndoas, cereais integrais e girassol, diminui o declínio cognitivo característico da idade. O declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer está relacionando com baixo cobre que é encontrado em ostras, fígado bovino/cordeiro, castanha-do-pará, cacau, e pimenta do reino. Ferro, encontrado na carne vermelha, peixe, aves, lentilhas e feijão, melhora a função cognitiva em mulheres.

Mas como esses alimentos melhoram nossa cognição? Os efeitos dos alimentos na cognição e emoções podem começar antes da absorção do alimento pelo organismo, ativando receptores sensoriais olfativos e visuais. A ativação desses receptores pode alterar a ativação de neurônios envolvidos com a cognição. Além disso, as regiões do cérebro envolvidas na alimentação podem enviar axônios e ativar neurônios de regiões envolvidas com a função congnitiva. A leptina, um hormônio liberado pelo tecido adiposo após uma refeição, pode também chegar ao encéfalo e ativar receptores de leptina em regiões como o hipocampo e o hipotálamo e influenciar a aprendizagem e a memória. Sinais viscerais de receptores de nutrientes localizados no estômago e no intestino também podem modular a cognição. Neurônios do hipotálamo, uma região do encéfalo importante para muitos comportamentos fundamentais para a manutenção da vida, também inervam densamente o timo e podem ativar o sistema imunológico após uma refeição.  O intestino também apresenta inervação parasimpática e pode fornecer informações através do nervo vago por neurônios que chegam ao encéfalo e influenciar as emoções.  Inclusive, estão sendo testados métodos de estimulação do nervo vago para tratar a depressão crônica. A influência do microambiente intestinal em nossas emoções já foi tema de outro post do site.

     Agora, imagine o que acontece no seu cérebro quando você come uma colher de brigadeiro ou outro alimento que contenha açúcar. Cabe a seu cérebro decidir se repitirá outra colherada ou não. O neurotransmissor do sistema de recompensa, isto é, o sistema que faz com que nós desejemos repetir uma ação, é a dopamina. Há muitos receptores de dopamina no encéfalo. Esses receptores não estão igualmente distribuídos. Algumas áreas do encéfalo contém mais receptores dopamina. E esses locais que possuem mais receptores de dopamina fazem parte das áreas de recompensa. Drogas como álcool, nicotina ou heroína aumentam violentamente a liberação de dopamina nestas áreas e fazem com que a pessoa fique, em outras palavras, viciada. O açúcar também estimula a liberação de dopamina, mas essa liberação não é tão grande como a das drogas. Nem todos os alimentos liberam dopamina. Brocólis, por exemplo, não faz com que dopamina seja liberada. Isso explica porque é tão difícil fazer as crianças comerem vegetais.

      Quando você decide comer um prato saudável o nível de dopamina aumenta. Se você decide comer o mesmo prato por vários dias os níveis de dopamina aumentam nos primeiros dias. Mas, depois começam a diminuir cada dia mais e mais. Isso porque, quando se trata de comida, o cérebro dá atenção ao que é novo, ao que tem um sabor diferente. Isso acontece por duas razões. A primeira é para que o encéfalo aprenda a identificar quando uma comida é ruim. A segunda razão é que quanto mais variedade você tiver na sua dieta mais terá os nutrientes que você precisa. Esse princípio de uma dieta variada é seguido por uma sugestão amplamente dada por nutricionistas e médicos: comer um prato colorido é mais saudável. A variedade de nutrientes que um prato te fornecerá é mostrada pelo número de diferentes cores que ele possui.

      E o que acontece se você come o mesmo prato de doce todos os dias? Nos primeiros dias há um aumento de dopamina como acontece com prato saudável. Mas se você continuar comendo a sobremesa por vários dias os níveis de dopamina não irão diminuir. A liberação de dopamina é mantida por causa da recompensa. Em outras palavras comer muito açúcar aumenta a recompensa. Nesse sentido açúcar funciona um pouco como uma droga. Por isso nós adoramos comer alimentos com açúcar. Então, toda vez que açúcar é consumido começa um efeito dominó no cérebro que faz parte do sistema de recompensa. Um alto consumo de açúcar tem um alto efeito de vício no cérebro. Mas comer um pedaço de bolo de chocolate com recheio de chocolate e cobertura de chocolate de vez em quando não irá te machucar.

Para saber mais:

Willette AA, Bendlin BB, Starks EJ, Birdsill AC, Johnson SC, Christian BT, Okonkwo OC, La Rue A, Hermann BP, Koscik RL, Jonaitis EM, Sager MA, Asthana S. Association of Insulin Resistance With Cerebral Glucose Uptake in Late Middle-Aged Adults at Risk for Alzheimer Disease. JAMA Neurol. 2015 Jul 27.

Southon S1, Wright AJ, Finglas PM, Bailey AL, Loughridge JM, Walker AD. Dietary intake and micronutrient status of adolescents: effect of vitamin and trace element supplementation on indices of status and performance in tests of verbal and non-verbal intelligence. Br J Nutr. 1994 Jun;71(6):897-918.

Stein PK, Soare A, Meyer TE, Cangemi R, Holloszy JO, Fontana L.
Caloric restriction may reverse age-related autonomic decline in humans. Aging Cell. 2012 Aug;11(4):644-50. Epub 2012 May 21.

Fontana L, Partridge L, Longo VD. Extending healthy life span–from yeast to humans. Science. 2010 Apr 16;328(5976):321-6. .

Ikeno Y, Bertrand HA, Herlihy JT. Effects of dietary restriction and exercise on the age-related pathology of the rat. Age (Omaha). 1997 Apr;20(2):107-18.

McCann JC, Ames BN. Is docosahexaenoic acid, an n-3 long-chain polyunsaturated fatty acid, required for development of normal brainfunction? An overview of evidence from cognitive and behavioral tests in humans and animals.Am J Clin Nutr. 2005 Aug;82(2):281-95.

Lv J, Qi L, Yu C, Yang L, Guo Y, Chen Y, Bian Z, Sun D, Du J, Ge P, Tang Z, Hou W, Li Y, Chen J, Chen Z, Li L; China Kadoorie Biobank collaborative group.Consumption of spicy foods and total and cause specific mortality: population based cohort study. BMJ. 2015 Aug 4;351:h3942.

Gómez-Pinilla F. Brain foods: the effects of nutrients on brain function. Nat Rev Neurosci. 2008 Jul;9(7):568-78.

http://ed.ted.com/lessons/how-sugar-affects-the-brain-nicole-avena

Estresse altera a microbiota – Stress alters microbiota

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Por Laiali Chaar

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     De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, o estresse altera a microbiota (ou flora) intestinal e pode causar ansiedade e depressão em camundongos. Isso porque esta alteração na microbiota intestinal ativa a liberação de neurotransmissores no hipotálamo, que em excesso, levam à ansiedade e depressão. Uma dieta com excesso de gordura também pode alterar a microbiota da mesma maneira.

Por que os elefantes nunca esquecem?

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   12 de Agosto foi o Dia Mundial do Elefante, por isso o site tudo sobre controle irá homenageá-los. É comum dizer que elefantes nunca se esquecem. Ou dizer que alguém tem memória de elefante. Isso é verdade? Sim, eles tem uma memória impressionante, mas a inteligência dos elefantes vai muito além da memória.  Além da impressionante memória, eles possuem uma extraordinária inteligência usada para a criatividade,  convívio social e bondade. A memória extraordinária do elefante é comprovada cientificamente.

      Há alguns exemplos de sua impressionante memória. Eles conhecem todos os membros de sua manada. São capazes de reconhecer visualmente ou pelo cheiro até 30 membros de seu grupo a distância . Isso os ajuda muito na migração ou ao se encontrar com um elefante de outra manada o que poderia resultar em uma briga.  Eles conseguem lembrar e distinguir sinais de perigo. Elefantes também tem a capacidade de voltar a locais importantes, como em um lago para beber água, muito tempo depois de sua última visita.

     Porém, sua ótima memória as vezes os prejudica. Elefantes lembram de situações em que viram outros elefantes sendo maltratados ou mortos por humanos e acabam ficando com stress pós-traumático e sofrendo.

    Mas, a sua memória que não é relacionada com sobrevivência é a mais fascinante.  Elefantes não lembram apenas de seus companheiros da mesma manada, mas também de outras criaturas que eles tiveram contato. Em um caso relatado, dois elefantes fizeram apenas uma apresentação de circo juntos, se reencontraram 23 anos depois desta apresentação e se reconheceram. Elefantes também reconhecem outras espécies como os humanos mesmo décadas depois de terem os encontrado. Esses exemplos mostram que a memória dos elefantes vai além das respostas a um estímulo perigoso.

     Olhando para o cérebro dos elefantes nós podemos entender o porque dessa memória impressionante. Elefantes tem o maior cérebro relativo ao corpo entre os mamíferos. Apesar da sua distância de nós na cadeia evolutiva seu cérebro é muito parecido com o cérebro humano. Elefantes possuem um hipocampo e um córtex cerebral muito desenvolvidos. O hipocampo é uma área do cérebro envolvida com emoção que grava experiências importantes na memória. O córtex cerebral é uma área do cérebro que auxilia na resolução de problemas. Eles são capazes de resolver problemas  como pegar uma fruta no topo de uma árvore utilizando um graveto em conjunto com outro elefante. Elefantes também tem noção de aritmética, como o número de frutas. Por exemplo, se alguém tirar algumas frutas de um cesto de frutas ele ira perceber que há menos frutas no cesto.

     A combinação de memória com resolução de problemas pode explicar muito sobre sua inteligência. Mas, não pode explicar outros fatos intrigantes sobre sua vida. Elefantes se comunicam usando sinais do corpo e vocalizações que podem ser ouvidas por outros elefantes à vários km de distância. Seus sons tem gramática e sintaxe. Esse senso de linguagem nos elefantes é muito fascinante. Elefantes também podem criar arte escolhendo cuidadosamente cores de tinta e elementos. Além disso, eles reconhecem 12 tons de música e são capazes de recriar melodias. E sim, existe uma banda de elefantes.

      Mas o mais fascinante tipo de inteligência dos elefantes é sua empatia, altruísmo e senso de justiça. O elefante é o único animal, além do humano, que faz rituais  para homenagear seus mortos. Certa vez, um elefante trabalhando em uma empresa madeireira não obedeceu seu cuidador humano que queria que ele colocasse um tronco em cima de um local onde havia um cachorro dormindo, mostrando seu senso de ética e cuidado com os outros.  Já houve relatos de elefantes que cuidaram cuidaram de outros animais e também de humanos doentes ou embriagados que encontraram.  Por outro lado, manadas de elefantes podem atacar aldeias ou cidades depois de algum homem da cidade ter matado algum elefante da manada deles sugerindo senso de justiça e vingança.

    Considerando todas essas evidências junto com o fato deles serem uma das poucas espécies que conseguem se reconhecer olhando para um espelho fica difícil escapar da conclusão que eles são inteligentes e emocionais. Infelizmente, o tratamento dos humanos com os elefantes não é reciproco. Eles continuam sofrendo com a destruição do seu habitat na Ásia, a caça para retirar o marfim de sua presas na África e mal tratos no cativeiro no mundo todo.

    E até o poeta inglês John Donne já os observou em 1600 e escreveu: “obra-prima da natureza, um elefante: a única coisa que é grande e inofensiva”.

Esse texto foi baseado em Ted Talks  2015 de Alex Gendler.

Se ela falou, tá falado!

 

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Pesquisas científicas mostraram que as mulheres tendem a demorar mais que os homens para tomar decisões, mas são mais propensas à mantê-las, ao contrário dos homens. Mulheres demoram mais para tomar uma decisão porque levam em conta aspectos como as incertezas, emoções e as consequências envolvendo a decisão e terceiros, enquanto os homens consideram mais as metas e a motivação dos envolvidos. Assim, somos diferentes para tomar decisões, mas juntos nos completamos. São neurônios de áreas específicas do cérebro que em redes fazem a tomada de decisão, mas isso é assunto para outro post.

Para saber mais:

María L. Sanz de Acedo Lizárraga*1, María T. Sanz de Acedo Baquedano1 , y María Cardelle-Elawar. Factors that affect decision making: gender and age differences. International Journal of Psychology and Psychological Therapy. 2007.