Para subir na carreira, batom nas mãos

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Por Laiali Chaar

IMG_1039.JPG Fonte da imagem: Adaptado de @paulaohenoja

       Neurocientistas comprovaram em 2010 aquilo que já suspeitávamos: batons vermelhos são considerados atraentes independente do local, cultura de origem ou idade de quem está vendo. Isso porque o vermelho imita a oxigenação causada pela vasodilatação associada à excitação sexual, altos níveis de estrogênio e boa saúde cardíaca e respiratória.

    Outra pesquisa desse ano mostrou que homens consideram mulheres que usam maquiagem mais competentes e com mais prestígio. Por outro lado, mulheres consideram as que usam mais maquiagem mais dominantes e isso é ofensivo para elas e vulgares porque julgam que elas são mais atraentes aos homens.

       Claro que há muito mais qualidades em uma mulher do que a aparência. A habilidade, inteligência e experiência são qualidades muito mais importantes para cultivar se quisermos permanecer no mercado de trabalho, do que o brilho labial impecável.

         Mas, enquanto a aparência tiver tanta influência sobre as qualidades profissionais que os outros atribuem a nós, como a competência, podemos usar um pouco de batom em proveito próprio. Como este estudo deixa claro, há sabedoria em perceber quando  colocar uma cor mais leve ou mais forte de batom. Então, em uma entrevista de emprego com uma equipe feminina para uma posição subordinada suavize o batom e a sombra do olho. Mas, se você está caminhando para uma promoção ou querendo provar sua competência um poderoso batom de cor pode te ajudar especialmente se seu gerente ou chefe é um homem.

        Com ou sem batom, o mais importante de tudo é se sentir bem! Isso sim passa uma ideia de competência. Beijinhos, com batom no meu caso, pra vocês meus amores!!

Para saber mais:

Mileva VR, Jones AL, Russell R, Little AC. Sex Differences in the Perceived Dominance and Prestige of Women With and Without Cosmetics. Perception, v. 45(10), p. 1166-83, 2016.

Etcoff NL, Stock S, Haley LE, Vickery SA, House DM. Cosmetics as a feature of the extended human phenotype: modulation of the perception of biologically important facial signals. PLoS One, v. 6(10), p. e25656, 2011.

Stephen ID, McKeegan AM. Lip colour affects perceived sex typicality and attractiveness of human faces. Perception. v. 39(8), p. 1104-10, 2010.

Guéguen, N. Does red lipstick really attract men? An evaluation in a bar. International Journal of Psychological Studies, v. 4, p. 206-209, 2012.

Stephen, I. D., & McKeegan, A. M. Lip colour affects perceived sex typicality and attractiveness of  human faces.  Perception, v.  39, p. 1104-1110, 2010.

Nash, R., Fieldman, G., Hussey, T., Lévêque, J. L., Pineau, P. Cosmetics: They influence more than Caucasian female facial attractiveness. Journal of Applied Social Psychology, v. 36, p. 493-504, 2006.

 

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A Neurociência dos cachorrinhos

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Por Laiali Chaar

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         Como não amar esses animaizinhos iluminados que nos dão tanto carinho? Hoje você vai saber o que a Neurociência já sabe que se passa na cabeça desses peludinhos fofinhos.

     Você sabia que é provável que seu cão sonha com você? Segundo a psicóloga Deirdre Barrett que estudou anos os sonhos em Harvard, cachorros provavelmente sonham com o rosto, cheiro e que estão agradando ou incomodando seus donos.

     A Neurociência já comprovou também o que todos os donos já tinham certeza: cães entendem o que você diz e como diz como os humanos. Um artigo publicado mês passado na revista Science, uma das mais importantes do mundo, com ressonância magnética nos cérebros melhores amigos do homem provou que os cães também compreendem o seu sentimento quando fala. Fofo ❤❤

       Outra pesquisa mostrou que os cães tem consciência de que existem. Ou seja, nós não somos os únicos animais com essa percepção.

        Por essas e outras eles merecem ser tratados com respeito também. Então, aperte o seu cão fofinho o quanto puder agora para ele se sentir bem amado.

Quer saber mais?

Andics, A., Gábor, A.,  Gácsi, M., Faragó, T., Szabó, D., Miklósi A.. Neural mechanisms for lexical processing in dogs. Science  02 Sep 2016.

Andics A, Gácsi M, Faragó T, Kis A, Miklósi A. Voice-sensitive regions in the dog and human brain are revealed by comparative fMRI. Curr Biol. 3;24(5):574-8, 2014

Roberto Cazzolla Gatti. Self-consciousness: beyond the looking-glass and what dogs found there. Ethology, Ecology and Evolution. Published online November 13 2015 

Gregory Berns. How Dogs Love Us: A Neuroscientist and His Adopted Dog Decode the Canine Brain Hardcover – October 22, 2013.

Berns GS, Brooks AM, & Spivak M (2012). Functional MRI in awake unrestrained dogs. PloS one, 7 (5) PMID: 22606363

O que descobri no meu doutorado

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Por Laiali Chaar

img_7200📷: Fonte da imagem: Na foto aparecem corpos celulares e axônios de neurônios que usam CART como neurotransmissor. Chaar LJ et al 2016

               Essa é pra você que ficou curioso para saber o que estudei no Doutorado. Depois de 5 anos estudando o que uma dieta rica em gordura faz com o cérebro, descobri que um neurotransmissor chamado CART, que tem uma molécula bem parecida com a cocaína e anfetamina, está aumentado apenas em neurônios de obesos hipertensos. E ele parece ser a causa do aumento do sistema nervoso simpático, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral causados pela obesidade. Quem sabe isso possa ajudar um dia a encontrar a cura da hipertensão em obesos e diminuir o sofrimento de tantas pessoas. O artigo foi publicado na revista Physiological Reports. Quer ler o artigo onde foram publicados esses resultados na íntegra? Clica no link aí embaixo. Espero que gostem ❤️❤️.

Para saber mais:

Laiali Jurdi El Chaar. Como o açúcar e a gordura afetam nosso cérebro levando à hipertensão? Atlas of Science, 2017. 

Chaar LJ, Coelho A, Silva NM, Festuccia WL, Antunes VR. High-fat diet-induced hypertension and autonomic imbalance are associated with an upregulation of CART in the dorsomedial hypothalamus of mice. Physiol Rep., 2016

A Neurociência das férias

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Por Laiali Chaar

instagramImagem de ressonância magnética funcional das áreas cerebrais ativadas durante tarefas no trabalho (em azul e verde) e durante o descanso (em laranja e amarelo). Fonte da imagem: Adaptada de Raichle ME, 2015.

          Mês de julho, mês de férias, praia, montanha, sítio ou muitas horas de sono na cidade mesmo. Mas, o que acontece com nosso cérebro durante as férias? Os neurocientistas estão começaram a estudar a importância das férias para o nosso cérebro e descobriram que a atividade cerebral se reorganiza completamente durante este período.

    Podemos pensar que durante o descanso nosso cérebro fica sem atividade. Mas não é isso que acontece. A invenção de exames como o eletroencefalograma e a ressonância magnética funcional, mostraram uma realidade diferente: muitas áreas do cérebro são ativadas durante o descanso e durante as férias . Diversas pesquisas científicas revelaram que as áreas ativadas no cérebro quando estamos descansando são diferentes das áreas ativadas quando estamos trabalhando.

       Quando neurônios específicos são ativados dizemos que eles formam uma rede. Essas pesquisas descobriram que nosso cérebro tem duas redes principais: uma rede de tarefas positivas, também chamada de rede de controle executivo, que é ativada quando realizamos e focamos em uma tarefa. E uma rede de neurônios chamada de rede de processamento padrão ou rede de tarefas negativas, que é ativada quando deixamos a nossa mente descansar em um fim de semana ou durante as férias ou quando estamos sonhando enquanto dormimos. Essas duas redes estão na figura acima: em azul e verde está representada a rede de tarefas positivas e em laranja e amarelo está representada a rede de tarefas negativas. Quando uma destas redes é ativa a outra está desligada.

As duas redes são importantes para nossa vida e nos permitiram grandes descobertas. A rede de  tarefas negativas é a que nos permite fazer conexões entre ideias soltas e é responsável pelos nossos momentos de genialidade. Graças a ela resolvemos os nossos problemas mais complicados através de boas ideias.

     O nosso hipocampo, área importante da memória mantem uma lista atualizada de problemas como uma agenda. Quanto mais ativo o hipocampo, mais ativa outra região, o locus coeruleus, “lugar azul” do cérebro que, ao contrário do que o nome fofinho parece, é responsável por nos deixar acordados, estressados, prontos para a ação e preocupados com nossos problemas. Nas férias o hipocampo e o locus coeruleus são menos ativados, porque as únicas preocupações são que lugar visitar ou o que comer.

Há pelo menos 9 boas razões comprovadas pela Neurociência para tirar férias:

  • Aumentar a felicidade (graças a famosa dopamina que é liberada)
  • Aumentar a criatividade: ideias novas são importantes
  • Tomar melhores decisões
  • Aliviar o estresse: O estresse libera cortisol e adrenalina que alteram nossa resposta imune e a atividade cerebral
  • O contato com a natureza ajuda no relaxamento e deixa a mente sadia
  • O silêncio ajuda a ativar a rede de processamento padrão, diminui o estresse e favorece a neurogênese
  • Conhecer uma nova cultura ou uma realidade diferente da sua ajuda a ter um pensamento mais flexível
  • Aumentar a concentração na volta ao trabalho
  • Aumentar a produtividade na volta ao trabalho

 

       Mais detalhes de cada um desses itens serão assunto das próximas postagens do TUDO SOBRE CONTROLE. Agora você já sabe que a importância das férias foi até comprovada pela Neurociência. E se não der para tirar férias você pode transformar cada fim de semana em miniférias. Não é tão difícil quanto parece. Experimente começar desligando o computador e deixando os e-mails para segunda-feira. Seu cérebro agradece!

Para saber mais:

Dijksterhuis, A. et. Al. (2006) On making the right choice: the deliberation-without-attention effect. Science; 311(5763):1005-1007.

Fox MD, Snyder AZ, Vincent JL, Corbetta M, Van Essen DC, Raichle ME. The human brain is intrinsically organized into dynamic, anticorrelated functional networks. Proc Natl Acad Sci U S A. 102(27):9673-8, 2005.

Immordino, M. H. et. Al. (2012) Rest Is Not Idleness. Implications of the Brain’s Default Mode for Human Development and Education. Perspectives on Psychological Science; 7(4): 352-364.

Leung, A. K. et. Al. (2008) Multicultural experience enhances creativity: the when and how. The American Psychologist; 63(3): 169-181. 

Nawijn, J. et Al. (2010) Vacationers Happier, but Most not Happier After a Holiday. Applied Research in Quality of Life; 5(1): 35-47. 

Raichle ME. The brain’s default mode network. Annu Rev Neurosci. 38:433-47, 2015.

 

 

 

 

 

 

 

Confirmado! Vírus zika pode causar microcefalia

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Por Laiali Chaar

Figura 1Imagem de ressonância magnética de um encéfalo de um recém-nascido com encéfalo no tamanho esperado (esquerda) e de um com microcefalia (direita). 

     Poucas horas atrás pesquisadores brasileiros publicaram um artigo na revista Nature comprovando definitivamente que o vírus Zika pode causar microcefalia. Nele, foram feitos experimentos com camundongos por um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo que mostraram que o Zika é capaz nas grávidas de atravessar a barreira placentária, infectar e matar as células que dariam origem aos neurônios do feto causando má-formação do cérebro e microcefalia. Dados de testes em células sugerem também que o vírus zika que está sendo transmitido no Brasil é mais agressivo do que o vírus africano, que originalmente infectava macacos. Explicando assim, porque o vírus na África não provocou uma epidemia de microcefalia. Isso confirma a teoria de que, nos últimos anos, o Zika vírus teria sofrido mutações que o tornaram mais eficiente para infectar humanos. Essas ideias eram dúvidas até ontem e hoje foram comprovadas por esse grupo de pesquisadores brasileiros. O artigo com os resultados está no link abaixo:

Cugola, F. R.; Fernandes,  I. R.;  Russo, F. B.; Freitas, B. C.; Dias, J. L. M.; Guimarães, K. P.; Benazzato, C.; Almeida, N.; Pignatari, G. C.; Romero, S.;  Polonio, C. M.; Cunha, I.;  Freitas, C. L.; Brandão, W. N.; Rossato, C.; Andrade, D. G.; Faria, D. P.; Garcez, A. T.; Buchpigel, C. A.; Braconi, C. T.; Mendes, E.; Sall, A. A.; Zanotto, P. M. A.; Peron, J. P. S.; Muotri, A. R.; Beltrão-Braga, P C. B. The Brazilian Zika virus strain causes birth defects in experimental models. Nature letter, 2016.

 📷 Crédito da imagem: adaptada da assessoria de imprensa da Universidade de Yale.