A música melhora o rendimento de atletas

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Por Laiali Chaar

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Fonte de imagem: Robin Wilkins, 2014

        Ouvir música pode melhorar o rendimento de um atleta? Obrigada pela sugestão Professor Rodrigo Marques e à querida turma de neurolovers do 8º e 9º noturno da Fisioterapia de Osasco (muitas saudades de dar aulas pra vocês e nos vemos no estágio)!

       Nas próximas Olimpíadas repare nos atletas tirando os fones de ouvido antes de entrar em campo, no ringue ou na pista. São muitos e isso não é coincidência…

        A música tem o poder de nos acalmar ou agitar dependendo do estilo. Para saber quais são as músicas que podem acalmar sua ansiedade clique aqui. Grande parte dos estudos de Neurociência mostraram que ouvir música, especialmente se for a preferida do atleta, antes de uma prova melhora o seu rendimento. Atletas que ouvem música pop durante os treinos e aquecimento têm melhor rendimento físico porque a música aumenta a força muscular em 30%, frequência cardíaca e tempo de corrida comparados com os que treinam no silêncio.

       Isso acontece porque a música melhora o raciocínio, a autoestima, a confiança, o humor, desvia a atenção do cansaço, fadiga muscular e cardiorrespiratória, libera morfina e dopamina que diminuem as dores e diminui a ansiedade.  Além disso, o ritmo de algumas músicas coincide com os movimentos repetitivos dos gestos esportivos de curta distância e ajuda a manter a coordenação motora. A coordenação motora mais refinada muitas vezes é a fração de segundo que faz a diferença entre uma medalha de ouro ou nada.

      A música também gera emoções que ajudam na técnica de prática mental. Nela os atletas imaginam-se, antes da competição, vencendo e fazendo movimentos corretos para melhorar a confiança o que melhora o rendimento.

     Você também pode ouvir suas músicas preferidas enquanto treina para ter mais resultados e motivação.

     Quase todos os estudos mostram que qualquer música é capaz de influenciar o rendimento de forma positiva, mas as músicas alegres com ritmo maior que 120 batidas por minuto têm melhores resultados.

       Alguns treinadores usam a música como motivação, proibindo os esportistas de ouvir canções durante os treinos até que eles alcancem determinados patamares de rendimento.

          Existe um caso de uso de música que ficou bem famoso: Haile Gebrselassie, atleta da Etiópia que até hoje é considerado um dos melhores corredores de longa distância da história, sincronizou suas passadas com o ritmo da música The Scatman quando quebrou o recorde mundial dos 5 mil metros em 1995 com quase 11 segundos de vantagem sobre a marca anterior.

       É importante que seja uma trilha sonora personalizada de acordo com os gostos musicais do atleta. As músicas preferidas do Phelps são Eminem, No Beef do Steve Aoki e Afrojack e o remix do Skrillex para “Promises” do Nero.

        Já o homem mais rápido do mundo, Usain Bolt, prefere músicas mais calmas dos seus conterrâneos jamaicanos, Bob Marley (“Who The Cap Fit” e “Three Little Birds”) e Junior Reid “(“One Blood”). Mas, seu treinador o proibe de escutar músicas antes de correr com medo dele perder a concentração (esse aí faltou nas aulas de Neuro rsrs). A ginasta Simone Billes é adolescente e mais moderninha ouve Ariana Grande, Selena Gomez, Justin Bieber, Zayn e Alessia Cara.

Para saber mais:

Alucinações musicais. Oliver Sacks, Companhia das Letras. 2007

Hallett R, Lamont A. Evaluation of a motivational pre-exercise music intervention. J Health Psychol, 2016.

Hallett R, Lamont A. How do gym members engage with music during exercise? Qualitative Research in Sport, Exercise and Health, v. 7(3), p. 411–427, 2015.

Encontro da Sociedade de percepção de música e cognição, 2015 

Wilkins RW1, Hodges DA2, Laurienti PJ3, Steen M3, Burdette JH3. Network science and the effects of music preference on functional brain connectivity: from Beethoven to Eminem. Sci Rep., v. 28;4, p. 6130, 2014.

Laukka P, Quick L. Emotional and motivational uses of music in sports and exercise: A questionnaire study among athletes. Psychology of Music, v. 41(2), p. 198–215, 2013.

Fritz TH, Halfpaap J, Grahl S, Kirkland A, Villringer A. Musical feedback during exercise machine workout enhances mood. Front Psychol., v.10; p. 4:921,  2013.

Karageorghis CI, Priest DL. Music in the exercise domain: a review and synthesis (Part I). Int Rev Sport Exerc Psychol., v. 5(1), p. 44-66, 2012.

Karageorghis CI, Priest DL. Music in the exercise domain: a review and synthesis (Part II). Int Rev Sport Exerc Psychol., v.5(1), p.67-84, 2012.

Salimpoor VN, Benovoy M, Larcher K, Dagher A, Zatorre RJ. Anatomically distinct dopamine release during anticipation and experience of peak emotion to music. Nat Neurosci., v. 14(2), p. 257-62, 2011.

Costas Karageorghis, David-Lee Priest. Music in Sport and Exercise : An Update on Research and Application. The Sport Journal, 2008

Cepeda MS, Carr DB, Lau J, Alvarez H. Music for pain relief. Cochrane Database Syst Rev., v. 19; n.(2), 2006.

Yamamoto T, Ohkuwa T, Itoh H, Kitoh M, Terasawa J, Tsuda T, Kitagawa S, Sato Y. Effects of pre-exercise listening to slow and fast rhythm music on supramaximal cycle performance and selected metabolic variables. Arch Physiol Biochem., v. 111(3), p. 211-4, 2003.

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As pessoas que não sentem dor

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Por Laiali Chaar

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📷: Thomas Deenrick, microscopia eletrônica de um nervo com os axônios, dentre eles de neurônios de dor, e bainha de mielina em lilás e a artéria que o irriga em vermelho.

         Você sabia que existem pessoas que não sentem dor?! 😱

       Esse post vai especialmente pros queridos das turmas de Fisioterapia da Anhanguera Osasco que aprenderam sobre dor essa semana. E meu aluno Jair Lemos obrigada pela sugestão! Me aguarde turma do Campo Limpo com a aula sobre dor na quarta!

Há 5 casos registrados no Brasil e 50 no mundo. Casos como uma menina alemã que roeu os próprios dedos, uma garota americana que não sentia dor e acabou perdendo o olho direito por esfregá-lo com muita força e um menino que desafiado pelos colegas da escola pulou da ponte e teve uma série de fraturas graves.
O caso mais impressionante é de uma brasileira que por não sentir dor dormiu durante o parto. Em uma série médica há o relato de uma menina que chegou ao pronto socorro depois de grampear um corte no braço porque estava incomodada por ver ele sangrando 😱😱😱

        Esses casos são de Analgesia Congênita que é genética e altera canais nos neurônios que sentem a dor e enviam os sinais para o Sistema Nervoso Central.

          Você deve estar pensando que bom não sentir dor evita transtornos, eu seria tão feliz. Mas não é bem assim! A dor nos protege de lesões mais graves, é um alerta. Quando sentimos dor protegemos o local do contato com o causador da dor. 80% das pessoas que procuram atendimento médico são por dor. Não sentir dor é perigoso e coloca a vida em risco. A maioria das pessoas que não sentem dor não vive mais que a puberdade, porque como não sentem dor e não protegem seu corpo de lesões 🙁. Então, sentir dor física e mental é importante para o nosso desenvolvimento.

Para saber mais:

Minde, J. Norrbottnian congenital insensitivity to pain. Tese de Doutorado. 2006

Ogden TE, Robert F, Carmichael EA. Some sensory syndromes in children: indifference to pain and sensory neuropathy. J Neurol Neurosurg Psychiatry, v. 22, p. 267-76, 1959

Chen YC, et al. Transcriptional regulator PRDM12 is essential for human pain perception. Nat Genet. v. 47(7), p. 803-8, 2015.

Cox JJ, Reimann F, Nicholas AK, Thornton G, Roberts E, Springell K, Karbani G, Jafri H, Mannan J, Raashid Y, Al-Gazali L, Hamamy H, Valente EM, Gorman S, Williams R, McHale DP, Wood JN, Gribble FM, Woods CG. An SCN9A channelopathy causes congenital inability to experience pain. Nature. v. 444(7121), p. 894-8, 2006.

Manfredi M, Bini G, Cruccu G, Accornero N, Berardelli A, Medolago L. Congenital absence of pain. Arch Neurol. v. 38(8), p. 507-11, 1981.