Você sempre falha nas seus planos de Ano Novo? A Neurociência te ensina 8 dicas para alcançá-los

 

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Por Laiali Chaar

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Fonte da imagem: Getty images

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           Ano novo, muitas vezes, significa uma nova lista de novos planos. Você pode não perceber, mas a partir do momento que você acorda até quando vai dormir, você está agindo e pensando de acordo com seus hábitos. Nós, seres humanos, somos feitos de hábitos. Muitos de nossos pensamentos e ações hoje são os mesmos de ontem e serão repetidos os mesmos amanhã. Os hábitos tornam nosso cérebro mais eficiente porque permitem que eu faça tudo no “automático” para que meu cérebro não seja sobrecarregado pensando em cada minúscula ação feita.

        Nossos hábitos podem ser bons, ruins ou neutros. A maioria dos hábitos é neutra como: fazer o mesmo caminho para ir trabalhar todos os dias ou sentar na mesma cadeira na sala de aula ou no ônibus. Um hábito bom seria escovar os dentes ou exercitar-se diariamente. Um hábito ruim seria falar algo negativo ou comer meio quilo de chocolate depois do jantar todas as noites.   

      Os pesquisadores descobriram várias regiões cerebrais e circuitos que são necessários para formar e armazenar os hábitos. O principal centro de coordenação é o núcleo estriado, um dos núcleos da base. O estriado forma um circuito entre o córtex pré-frontal, onde são produzidos o raciocínio e o pensamento e o mesencéfalo, que controla os movimentos. A maioria desses neurônios dos hábitos libera dopamina que é o hormônio da recompensa e prazer. Um mau funcionamento do estriado é visto  em pessoas em que os hábitos tornam-se desordenados, como pessoas com transtornos obsessivo-compulsivo (TOC) e vícios.

         Durante a formação do hábito, você repete pensamentos ou ações repetidamente, fazendo com que os neurônios no circuito córtex pré-frontal-estriatal-mesencéfalo fiquem cada vez mais ativado. Uma vez que esses neurônios ficam mais ativados a informação é armazenada e outra região do cérebro, o córtex infralímbico, entra em jogo. Nele os hábitos serão acionados mais rápido através de pistas. Como quem está acostumado a comer sobremesa depois do almoço e sente vontade de comer um doce toda vez que almoça. Os planos feitos por nós no Ano Novo são tentativas de mudar nossos hábitos.

Mas por que você muita gente falha nos seus planos de Ano Novo? A neurocientista te ensina 8 dicas para diminuir a chance disso acontecer com você

Uma pesquisa foi feita por um psicólogo britânico com 3000 pessoas com planos de Ano Novo de perder peso, ir à academia, parar de fumar ou beber menos. No inicio 52% das pessoas estavam confiantes que conseguiriam atingir suas metas, mas no fim do ano 88% falharam. A partir disso, foram testados vários métodos para aumentar o sucesso dos planos de ano novo. Essa e outras pesquisas da Neurociência concluíram que há 8 passos para nossos planos terem mais chance de acontecerem:

1) Escreva uma lista com 5 coisas que foram boas em 2016 e com 5 coisas que não foram que você pretenda mudar. Leia em voz alta. Escrever e ler em voz alta ajuda a sua mente a internalizar os objetivos;

2) Faça isso refletindo durante vários dias, para não ser levado(a) por impulsos do momento;

3) Seja bem específico e pessoal. Cada pessoa tem seu planos.

4) Se você é homem, tente metas reais capazes de serem atingidas. Por exemplo: nada de querer ficar super malhado em um mês. Ao invés disso pense: vou perder 2 kg por mês ou se concentre nas consequências do seu objetivo por exemplo: se eu parar de fumar vou ficar mais atraente. Homem que fazem isso têm mais sucesso;;

Se você é mulher conte a amigos e familiares suas metas. O apoio de pessoas queridas irá te ajudar. E seja persistente: se seu plano for ir à academia e você faltar um dia não se torture nem desista. Continue tentando. Novos hábitos levam muito tempo para serem aprendidos. Mulheres que fazem isso têm mais sucesso;

5) Seja paciente e preste atenção no que está sentindo sobre isso.  Diga para você mesmo “bom trabalho” cada vez que atinge um passo do plano;

6) Na primeira semana faça uma meta mais fácil de ser cumprida e coloque um papel a vista para te lembrar dela. Por exemplo: subir um andar de escada. Uma mudança deve ser repetida de 18 a 254 vezes para se tornar um hábito no cérebro. Então persista;

7) Periodicamente, repita os primeiros 4 primeiros passos. Pense: O que você quer mudar? O que isso significa para você? E a principal pergunta é: você quer mudar? Não precisamos de uma data para começar de novo ou querer ser uma pessoa melhor…

8) Reveja a lista que fez ao final do ano para se autoavaliar. Você conseguiu atingir suas metas? E por que conseguiu ou não conseguiu?

A mudança é difícil para todos. Haverá falhas. Haverá recaídas. Haverá velhos sentimentos voltando.  Isso é normal.  Mas querer mudar já é um grande progresso! Boa sorte! Depois me conte no inbox como foi!

Para saber mais:

WISEMAN, R. (2007): “New Years Resolution Experiment,” Publicado online

https://richardwiseman.wordpress.com/

Nicole Gravagna. Jesse Lee Gray. MindSET your manners. e-book. 264 páginas,.2016.

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Inspiração afeta memória e respostas ao medo

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Por Laiali Chaar

Mande essa reportagem para aquele (a) seu (sua) amigo(a) que está com amnésia ultimamente >>>>

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Foto: neurônios do hipocampo, área responsável pela memória, fonte @societyforneuroscience

      Quem nunca ouviu falar em situações de medo: Respira fundo e vai! Pois é, sua avó tinha razão, um artigo publicado por neurocientistas americanos no Journal of Neuroscience comprovou que a inspiração, ou seja encher o pulmão de ar,  nos ajuda a agir em situações de medo e ajuda a memória. Mas isso só acontece que inspirarmos pelo nariz e não pela boca.

Quer entender melhor o que é o medo e por que ele provoca tantas reações no nosso corpo? Leia clicando aqui.

     Tudo começou quando esses neurocientistas perceberam por acaso em pacientes epiléticos, com eletrodos no cérebro uma semana antes de realizar uma neurocirurgia, que a atividade cerebral mudava nas áreas responsáveis pelo processamento do olfato, emoções e memória.

    Esse artigo mostrou pela primeira vez que a inspiração não capta apenas oxigênio. Ela também provoca atividade elétrica em neurônios de áreas ligadas ao comportamento como o córtex olfatório, a amígdala, área cerebral ligada às emoções em especial aquelas ligadas ao medo e o hipocampo, principal área responsável pela memória. Todas essas áreas fazem parte do sistema límbico que controla comportamentos emocionais e sexuais, aprendizagem, memória, motivação e respostas da mente ao ambiente.

     E isso pode ser treinado com meditação e yoga por exemplo. Mas isso é assunto para outro post. Então, se esquecer algo na prova ou se estiver com medo de alguma situação encha seu pulmão de ar e vai. E em situações estressantes respire fundo antes de responder qualquer coisa.

Para saber mais veja o vídeo do experimento e leia o artigo original:

Zelano C, Jiang H, Zhou G, Arora N, Schuele S, Rosenow J, Gottfried JA. Nasal Respiration Entrains Human Limbic Oscillations and Modulates Cognitive Function. J Neurosci., v. 7, 36(49), p.12448-12467, 2016.

 

Lesão de ligamento cruzado anterior do joelho pode provocar alterações à longo prazo no encéfalo

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Por Laiali Chaar

voce sabia novembro 2.pngFonte da imagem: @brainpage

        Mostre essa reportagem para aquele(a)  amig@ que ama ortopedia ou que já machucou o joelho muitas vezes >>>> Um estudo publicado na revista Journal of Orthopedic & Sports Physical Therapy por cientistas da Universidade de Ohio mostrou que uma lesão no ligamento cruzado anterior, comum em atividades esportivas como jogar futebol, provoca alterações de longo prazo no modo como o cérebro processa as informações.

Quer saber como o formol pode alterar o seu encéfalo? Leia aqui. 

      O resultado explica porque os pacientes mesmo após a total cicatrização do ligamento tendem a não confiar no joelho e a o movê-lo de maneira diferente, o que aumenta a chance de novas lesões e dificulta o retorno às atividades. Ressonâncias magnéticas do cérebro desses pacientes mostraram que quando eles são pedidos para movimentar o joelho são ativadas apenas áreas visuais e não mais áreas de sensibilidade do joelho. O cérebro confia apenas na informação visual do movimento do joelho e esquece da informação da sensibilidade. Acontece algo parecido conosco quando andamos no escuro: não sentimos onde estão os móveis e nos movemos bem mais lentamente e com medo de nos machucar. Esses indivíduos com lesão no ligamento fazem o mesmo: andam devagar e usando a visão sem necessidade.

     Sabendo disso, para facilitar o recuperação dos movimentos, os cientistas treinaram marcha e movimentos de chute usando luz estroboscópica, que é a mesma usadas em festas. Isso porque essa luz faz com que enxerguemos o ambiente e o corpo por um menor tempo, tirando a dependência de olhar para o movimento do paciente e aumentando a velocidade do movimento.

Para saber mais:

Grooms DR, Page SJ, Nichols-Larsen DS, Chaudhari AM, White SE, Onate JA. Neuroplasticity Associated With Anterior Cruciate Ligament Reconstruction. J Orthop Sports Phys Ther., v. 5, p. 1-27, 2016.

Grooms D, Appelbaum G, Onate J. Neuroplasticity following anterior cruciate ligament injury: a framework for visual-motor trainingapproaches in rehabilitation. J Orthop Sports Phys Ther., v. 45(5), p. 381-93, 2015.