A mulher que pode farejar a doença de Parkinson

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Por Laiali Chaar 

parkinson

   O Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva marcada por tremor e dificuldades de movimentos. Seis anos antes do marido de Joy Milne ser diagnosticado com Parkinson ela percebeu que ele passou a ter um cheiro diferente e almiscarado. Ela só relacionou esse odor ao Parkinson após visitar uma instituição onde conheceu mais pessoas com a doença que tinham o mesmo odor que seu marido. Em testes feitos por pesquisadores com camisetas de pessoas com ou sem a doença ela acertou 11 entre 12. Uma possível explicação é que o sebo, um óleo que lubrifica e impermeabiliza a pele, é quimicamente alterado em pessoas com Parkinson produzindo um odor único que pode ser percebido por algumas pessoas que tem um #olfato poderoso, como ela. Graças a Milne, pesquisadores do Instituto de Biotecnologia de Manchester e da Fundação Parkinson UK estão investigando se algum teste de odor da pele poderia detectar o #Parkinson precocemente o que seria uma esperança para milhares de pessoas.

📷 Rakshi et al,. Brain, 1999

Para saber mais:

Rakshi JS, Uema T, Ito K, Bailey DL, Morrish PK, Ashburner J, Dagher A, Jenkins IH, Friston KJ, Brooks DJ. Frontal, midbrain and striatal dopaminergic function in early and advanced Parkinson’s disease A 3D [(18)F]dopa-PET study. Brain. v.122, p. 1637-50, 1999,

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Seu cérebro é sua impressão digital

Por Laiali Chaar 

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      Resultados publicados semana passada na revista Nature Neuroscience de pesquisadores da Universidade de Yale, EUA mostraram que cada pessoa tem uma ativação do córtex frontoparietal e frontal medial única como as impressões digitais e podem identificar com precisão indivíduos em um grupo maior. Estas áreas cerebrais estão envolvidas em funções como atenção, memória e linguagem. Os pesquisadores utilizam uma técnica de ressonância magnética funcional (fMRI) em diferentes tarefas e repouso para medir o fluxo sanguíneo no cérebro de 126 indivíduos. O fluxo sanguíneo está correlacionado com a ativação neuronal, pois um aumento na ativação neuronal necessita de um aumento no fornecimento de energia para a região. Assim, a fMRI é muito utilizada para estudar a atividade regiões do cérebro. É possível parear ressonâncias da mesma pessoa feitos em dias diferentes ou fazendo tarefas diferentes. Essa ativação neural única também pode prever como uma pessoa realizará um teste de inteligência ou o risco para o desenvolvimento de doenças como esquizofrenia, depressão ou Alzheimer.

📷 Emily Finn, Nature Neuroscience, 2015

Para saber mais:

Finn ES, Shen X, Scheinost D, Rosenberg MD, Huang J, Chun MM, Papademetris X, Constable RT. Functional connectome fingerprinting: identifying individuals using patterns of brain connectivity. Nature Neuroscience. 2015 Oct 12.

Pobreza na infância prejudica o desenvolvimento do cérebro

Por Laiali Chaar

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      Hoje é comemorado o dia das crianças no Brasil, mas talvez o mundo não tem muito o que comemorar. Qual a diferença entre esses dois cérebros? Os dois são de crianças com a mesma idade. Mas por que o primeiro está muito mais vermelho e colorido? O vermelho significa massa cerebral e ativação neuronal. A diferença é que a criança da direita que tem um encéfalo menor e menos ativado vive na pobreza. Já é bem conhecido que a pobreza nos primeiros anos de vida está associada a baixo desempenho escolar, mas dois estudos publicados neste ano associaram a pobreza à diferenças no desenvolvimento da estrutura do cérebro. Crianças pobres tem um cérebro menor, que será menor para sempre, menos substância branca e cinzenta em áreas como o lobo temporal e lobo frontal, que são áreas do córtex cerebral, e o hipocampo. Estas áreas cerebrais, criticas para o raciocínio e necessárias para o sucesso acadêmico, são vulneráveis ao ambiente em que a criança se desenvolve. De acordo com a UNICEF, a pobreza cresce a cada ano no mundo e hoje uma a cada cinco crianças no mundo vive na pobreza. Uma intervenção política efetiva é urgente.

Crédito da foto: PhD Vincent Felitti

Para saber mais:

Noble KG, Houston SM, Brito NH, Bartsch H, Kan E, Kuperman JM, Akshoomoff N, Amaral DG, Bloss CS, Libiger O, Schork NJ, Murray SS,Casey BJ, Chang L, Ernst TM, Frazier JA, Gruen JR, Kennedy DN, Van Zijl P, Mostofsky S, Kaufmann WE, Kenet T, Dale AM, Jernigan TL, Sowell ER. Family income, parental education and brain structure in children and adolescents. Nat Neurosci. 2015.18(5):773-8. 2015 Mar 30.

Hair NL, Hanson JL, Wolfe BL, Pollak SD. Association of Child Poverty, Brain Development, and Academic Achievement. JAMA Pediatr. Sep 1;169(9):822-9. 2015.

Sheridan MA, Fox NA, Zeanah CH, McLaughlin KA, Nelson CA. Variation in neural development as a result of exposure to institutionalization early in childhood. Proc Natl Acad Sci U S A. Aug 7;109(32):12927-32. 2012.

Dube SR, Felitti VJ, Dong M, Giles WH, Anda RF. The impact of adverse childhood experiences on health problems: evidence from four birth cohorts dating back to 1900. Prev Med. 2003 Sep;37(3):268-77.

Astrócitos, as estrelas do nosso cérebro

Por Laiali Chaar 

astrocytes

   Astrócitos tem esse nome, porque tem formato de estrelas. (ASTRO=estrela e CITOS=células). Eles são as células mais abundantes do encéfalo (65%) e estão intimamente associados com a sinapse que é a comunicação entre neurônios. Astrócitos regulam a transmissão de impulsos elétricos no cérebro. Por muito tempo pensou-se que eles só tinham papel estrutural no cérebro sustentando neurônios e vasos. Mas, nos últimos 20 anos, excitantes descobertas mostraram que os astrócitos são fundamentais na neurofisiologia. Sabemos agora que os astrócitos pode propagar ondas de cálcio e , semelhante a neurônios, podem liberar neurotransmissores. Há dados que sugerem comunicação entre astrócitos e neurônios por liberação de glutamato, um neurotransmissor excitatório. Em 2013, uma pesquisa publicada na revista Cell mostrou que o transplante de astrócitos humanos para camundongos melhora sua aprendizagem, memória e neuroplasticidade, sugerindo que a função dos astrócitos foi aumentada pela evolução. Estas novas descobertas tornaram os astrócitos alvos de pesquisa tão importantes quanto os neurônios.

Foto: Han et al., 2013. Cell Stem Cell

Para aprender mais:

Han X, Chen M, Wang F, Windrem M, Wang S, Shanz S, Xu Q, Oberheim NA, Bekar L, Betstadt S, Silva AJ, Takano T, Goldman SA, Nedergaard M. Forebrain engraftment by human glial progenitor cells enhances synaptic plasticity and learning in adult mice. Cell Stem Cell. Mar 7;12(3):342-53. 2013.

Fiacco TA, Agulhon C, McCarthy KD. Sorting out astrocyte physiology from pharmacology. Annu Rev Pharmacol Toxicol. 49:151-74. 2009

Gourine AV, Kasymov V, Marina N, Tang F, Figueiredo MF, Lane S, Teschemacher AG, Spyer KM, Deisseroth K, Kasparov SAstrocytes control breathing through pH-dependent release of ATP. Science. Jul 30;329(5991):571-5.2010.
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Quem é o Tudo Sobre Controle?

Por Laiali Chaar 

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euAngiotensinogenio PVN

       Muitas pessoas estão curiosas e perguntando sobre quem escreve o Tudo Sobre Controle. Esta página é escrita por mim, Laiali Jurdi El Chaar. Eu tenho trinta anos. Sou brasileira, fisioterapeuta e neurocientista. Fiz mestrado e doutorado em Neurociências e Neuroimunologia. Trabalho na Universidade de São Paulo com pesquisa. Sou professora e supervisora de estágio de Fisioterapia Neurofuncional da Universidade Anhanguera. E nos últimos doze anos eu trabalho para salvar vidas à minha maneira. Não sou médica, não receito medicamentos. Uso informação e educação para isso. Eu estudo como nossos maus hábitos podem mudar nosso cérebro e nossas vidas.

Provas chegando? Descubra quais são as principais dicas comprovadas pela Neurociência para tirar uma boa nota

      Ano passado meu artigo de Mestrado foi publicado. Nele, eu descobri que apenas duas semanas de corrida leve são capazes de diminuir um neuropeptídeo que pode deixar as pessoas hipertensas e aumentar o sistema nervoso simpático: o Angiotensinogênio.  O Sistema nervoso simpático é formado por neurônios que aumentam nossos batimentos cardíacos e  nossa pressão arterial. Sua ativação em excesso faz com que você morra mais cedo por ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e outras doenças secundárias à hipertensão arterial. Então, o exercício aeróbio, já nas primeiras semanas de treinamento, previne todas essas doenças cardiovasculares.

    Esse ano meu artigo do Doutorado foi publicado. Depois de 5 anos estudando o que uma dieta rica em gordura faz com o cérebro. Nele descobri que um neurotransmissor chamado CART está aumentado apenas em neurônios de obesos hipertensos. E ele parece ser a causa do aumento do sistema nervoso simpático, hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral causados pela obesidade. Quem sabe isso possa ajudar a encontrar a cura da hipertensão em obesos e diminuir o sofrimento de tantas pessoas.

Quer saber mais? Clica nos links que estão ai embaixo. Boa leitura!

Para palestras, aulas particulares, consultoria em Neurociência e Fisioterapia Neurofuncional: laialineurociencia@gmail.com

Para saber mais:

Laiali Jurdi El Chaar. Como o açúcar e a gordura afetam nosso cérebro levando à hipertensão? Atlas of Science, 2017. 

Chaar LJ, Alves TP, Batista Junior AM, Michelini LC.Early Training-Induced Reduction of Angiotensinogen in Autonomic Areas-The Main Effect of Exercise on Brain Renin-Angiotensin System in Hypertensive Rats. PLoS One. 2015.

Chaar LJ, Coelho A, Silva NM, Festuccia WL, Antunes VR. High-fat diet-induced hypertension and autonomic imbalance are associated with an upregulation of CART in the dorsomedial hypothalamus of mice. Physiol Rep., 2016

Laiali Jurdi El Chaar – Currículo Lattes

Laiali Jurdi Chaar – Research Gate