Por que sentimos mais sono no inverno?

Por Laiali Chaar 

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       Em artigo publicado na revista Current Biology na semana passada, cientistas das cidades de Oxford, Edimburgo e Manchester analisaram células do cérebro de ovelhas em diferentes épocas do ano e encontraram 17 000 células “calendário” que podem estar ativadas no modo “verão” ou no modo “inverno”. Isso também acontece em todos os vertebrados. Essas células estão na glândula hipófise que fica na base do encéfalo e liberam hormônios que controlam o organismo todo. Inclusive essas células podem alterar até o seu Sistema Imune. Essas células liberam hormônios do “verão” ou hormônios do “inverno”. Essa ativação diferente destas células tem função importante para ativar as migrações de animais, hibernações e temporadas de acasalamento e, finalmente, explica por que os cordeiros nascem na primavera. Isso explica também porque você sente mais sono no inverno. Como as noites no inverno são mais longas é produzida mais melatonina, um hormônio que estimula o sono e age nessas “células calendário”. Então, você já pode usar uma justificativa científica no próximo inverno para dormir mais.

Para saber mais:

Wood SH, Christian HC, Miedzinska K, Saer BR, Johnson M, Paton B, Yu L, McNeilly J, Davis JR, McNeilly AS, Burt DW, Loudon AS. Binary Switching of Calendar Cells in the Pituitary Defines the Phase of the Circannual Cycle in Mammals. Curr Biol. 2015

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Quer saber qual a fonte da juventude? Os cientistas descobriram… pelo menos no cérebro

 Por Laiali Chaar 
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Crédito da imagem – Figura mostrando os neurônios dos camundongos que receberam as transfusões. Cada ponto marrom é um neurônio. Note o maior número de neurônios no idoso (abaixo à direita) que recebeu a transfusão de sangue de animais jovens. Note também o menor número de ramificações nos neurônios do jovem que recebeu transfusão de sangue de um idoso (acima à esquerda).
      Drácula estava certo! Cientistas encontraram uma maneira de reverter o envelhecimento dos neurôniosCamundongos jovens receberam uma transfusão de sangue de camundongos idosos e camundongos idosos receberam sangue de jovens. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford na Califórnia queria saber qual o efeito dessas transfusões sobre o cérebro e publicou os resultados na Revista Nature. Com o envelhecimento, neurônios  perdem suas conexões e começam morrer até que, finalmente, o cérebro encolhe e torna-se menos eficaz. Uma região chamada hipocampo, crucial para a memória e aprendizagem, é um dos primeiras áreas do cérebro se deteriorar com a idade, causando falhas na memória e no raciocínios. Mas, os camundongos velhos que receberam sangue jovem experimentaram uma explosão de crescimento de neurônios no hipocampo. Eles tinham de três a quatro vezes mais neurônios do que os camundongos idosos que não receberam transfusão como muitos camundongos recém-nascidos. Mas isso não foi tudo: o sangue de idosos teve o efeito oposto sobre o cérebro de camundongos jovens, bloqueando o nascimento de novos neurônios e deixando-os parecendo velhos antes do tempo. Como é o cérebro que controla nosso organismo  inteiro se isso também acontecer em outras áreas do cérebro pode ser que haja um rejuvenescimento das funções de todos os nossos órgãos. Esta descoberta é uma esperança paratratamento de doenças neurodegenerativas relacionadas a idade em que há morte neuronal como Parkinson e Alzheimer. O que atualmente está sendo testado em humanos. Então, Drácula estava certo, o sangue de jovens pode ser a fonte eterna da juventude.
Para saber mais:

É possível transmitir Alzheimer de uma pessoa para outra

Por Laiali Chaar 

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Crédito da Imagem: Alfred Pasieka/ Science Photo Library – À esquerda encéfalo com Alzheimer com diminuição da massa encéfalica e à direita encéfalo normal

      É possível transmitir a doença de Alzheimer de uma pessoa para outra, de acordo com um estudo feito por cientistas da University College de Londres publicado ontem na revista Nature. Não é possível adquirir  Alzheimer por cuidar de alguém com a doença. Mas a transmissão pode ocorrer  em situações inusitadas envolvendo exposição direta ao tecido cerebral como neurocirurgias através de material cirúrgico contaminado. A contaminação faz com que haja deposição de proteína amilóide que causa Alzheimer no cérebro de outra pessoa afetando ao longo dos anos a memória e o raciocínio.

       Entre 1958 e 1985 pessoas com baixa estatura receberam hormônio de crescimento extraído da glândula pituitária, também chamada de hipófise, que se localiza na base do encéfalo. Essa hipófise era retirada de cadáveres. Estes cientistas estudaram cérebros de pessoas após a morte e observaram que pessoas que receberam injeção deste hormônio de crescimento quando eram crianças, 30 anos depois apresentavam depósito de proteína amilóide no cérebro que causa Alzheimer e problemas de memória e pensamento. Os pacientes tinham idades de 36 e 51, ou seja, jovens demais para apresentar a doença de Alzheimer. Esses resultados sugerem que Alzheimer possa ser transmitido em procedimentos invasivos como uma neurocirurgia.

Para saber mais:

Jaunmuktane Z, Mead S, Ellis M, Wadsworth JDF, Nicoll AJ, Kenny J, Launchbury F, Linehan J, Richard-Loendt A, Walker AS, Rudge P, Collinge J,  Brandner S. Evidence for human transmission of amyloid-β pathology and cerebral amyloid angiopathy. Nature 525, 247–250 (10 September 2015). 

Como é possível ver imagens nos nossos sonhos?

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Por Laiali Chaar 

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      Como é possível ver nossos sonhos e eles parecerem tão reais? Como o cérebro consegue ver nossos sonhos? Um artigo publicado há duas semanas na revista Nature desvendou parte deste mistério. Os pesquisadores mostraram que a atividade dos neurônios durante os sonhos é acontece na mesma intensidade de quando estamos acordados olhando para algo novo. Incrível, não?! Além disso, essa atividade cerebral não aparece quando estamos acordados em uma sala totalmente escura. Isso sugere que o cérebro realmente “vê” os sonhos acontecendo. Isso é surpreendente porque mostra que nosso cérebro não descansa durante os sonhos. Ele forma realmente as imagens que nós vemos, como se estivéssemos vendo de verdade. É a primeira vez que isso é mostrado por uma pesquisa científica.

       Durante os sonhos, apenas a atividade muscular é suprimida para que não realizemos nossos sonhos. Ainda bem, imagine se uma pessoa pulasse da janela toda vez que sonhasse isso.

            Normalmente, a atividade cerebral é medida de uma maneira não-invasiva por eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Mas, os investigadores da Universidade de Tel Aviv em Israel gravaram a atividade do cérebro com eletrodos dentro do cérebro de pacientes com epilepsia. Esses eletrodos foram implantados no lóbulo temporal, uma região do cérebro que tem atividade associada à consciência visual. Participaram do estudo pacientes que não melhoraram depois de um tratamento com medicamentos para mapear sua atividade cerebral e estudar a necessidade de uma cirurgia.

        Sonhos são o maior mistério da pesquisa científica sobre o sono. Sigmund Freud, tinha a teoria de que a função de sonhar é expressar os desejos não realizados. Em 1953, o pesquisador americano Eugene Aserinsky percebeu que seu filho de oito anos tinha movimentos oculares rápidos durante o sono. Esses movimentos oculares sugeriam que existia atividade cerebral durante o sono.

      Pessoas que apresentam cegueira desde o nascimento têm movimentos oculares mas não existe nenhum conteúdo visual em seus sonhos. Então, a função desses movimentos oculares durante os sonhos era totalmente desconhecida. Esse artigo da revista Nature nos dá alguma ideia sobre isso. O artigo revela que os movimentos oculares ativam áreas cerebrais da visão. Já sabíamos que o sono é importante para o descanso e o rejuvenescimento, mas é provável que ele tenha outras funções importantes também.

       Na vida cotidiana, quando vemos as coisas, nossos olhos e o nosso cérebro recolhem e processam a informação do campo visual para dar significado. Durante os sonhos, de alguma forma, nós processamos informações que foram ignoradas enquanto estávamos acordados, mas que precisam ser mostradas durante os sonhos. Assim, de alguma forma, Freud estava certo desde o início.

Para saber mais:

Andrillon T, Nir Y, Cirelli C, Tononi G, Fried I. Single-neuron activity and eye movements during human REM sleep and awake vision. Nat Commun. 2015 Aug 11